ENTREVISTAS:
“UMA POETA E SUAS INDAGAÇÕES"
Hilma Ranauro, professora de Língua Portuguesa na Faculdade de Filosofia
de Campo Grande, RJ, sempre ligada aos problemas mais agudos de nossa época,
lançou pelas Edições Tempo Brasileiro seu primeiro livro de poesia: Descompasso.
Nesta obra Hilma Ranauro revela seu íntimo e suas dores, há mostras de
sua profunda consciência das questões universais e dos pequenos dramas de cada
um de nós.
– Descompasso
– diz-nos ela – é a percepção
dos paradoxos e antinomias, em paralela convivência: da fome que mata e atrofia
à queima de alimentos de safra que se quer valorizar; da seca que assola à
enchente que afoga e desabriga; da busca da luz no final do túnel, ao encontro
das trevas na indiferença e no egoísmo; da criança que espera ao desespero do
adulto. Descompasso somos nós. É o
grito sem eco.
– Como vê seu livro neste nosso dia-a-dia tão complicado?
– Em Descompasso há muitas facetas de mim que são, também, dos outros. Tudo ali é revolta estruturada em versos, fé e crença na vida. Que mais dizer? Que me imponho, desfraldo bandeiras, persigo o lirismo (ainda) e assumo o desejo? Que nele me vejo chaga exposta, algozs e mártir, na ociosidade do que julgo ser participação, na ignorância do que imagino saber? Que mais dizer? Que sou paradoxo em cada um de meus versos? Que me descompasso em meus poemas? Ou que neles me exponho e desespero, choro e riso, impulso e entrave, num mundo descompassadamente em compasso de espera?