A identidade do professor na
pós-modernidade
algumas metáforas
Sonia Maria Alvarez (UBC)
O trabalho aqui proposto estuda processos de identificação do professor na pós-modernidade a partir do discurso pedagógico de mídia impressa, por algumas de suas metáforas.
De modo específico, o trabalho enfoca o discurso pedagógico de mídia impressa, em algumas revistas lidas por professores da rede pública e privada de ensino e alunos de cursos superiores de licenciatura, analisa as revistas pedagógicas para observar como elas reelaboram (pelas metáforas utilizadas) os discursos que as constituem (discurso científico, da mídia, pedagógico) e analisa o discurso das revistas, em relação à leitura e à escrita e suas abordagens teóricas a fim de observar se, como e em que medida elas interferem na constituição da identidade do professor e do aluno
É de grande relevância estudar possibilidades de identificação do professor na pós-modernidade, em revistas pedagógicas que cuidam de questões relativas à aprendizagem da leitura e da escrita, para levar ao professor reflexões sobre questões de seu saber/fazer pedagógico, de forma a constituí-lo como participante da leitura dessas revistas que mencionam o cotidiano da escola e o conhecimento do professor com teorias científicas atuais que o ensinam (ou que pretendem ensiná-lo) a trabalhar no dia- a- dia da sala de aula.
Escolhemos a mídia impressa, com as revistas pedagógicas, pois seus textos ganham espaço na sala de aula, o que “...lhes confere maior poder na constituição de sentimento de identidade.” (Coracini, 2007, p. 60). Esses sentimentos de Identidade, ainda de acordo com a autora, são construídos, em termos sociais, por aqueles a quem se concede autoridade para que, de forma legítima, possam dizer verdades sobre os fatos, o povo e o indivíduo.
Sabemos que o discurso pedagógico, por sua vez, simplifica aspectos teóricos, elaborando-os como verdades inquestionáveis e, ao mesmo tempo, facilitando sua assimilação. O mesmo ocorre com a mídia impressa, que trabalha para institucionalizar os sentidos, em nosso caso, os sentidos pedagógicos.
Pertence ao imaginário dos professores a busca por formas novas de ensino-aprendizagem para a dinamização dos trabalhos em sala de aula e as revistas especializadas se apresentam como um meio mais fácil e rápido de transmissão de teorias científicas, de valores sociais impostos aos professores que se sentem alijados do trabalho de construção teórica de sua prática, o que fatalmente acarretará a falta da confiança no próprio trabalho prático diário em sala de aula.
As revistas, como um dispositivo discursivo, que representam as diferentes teorias como uma unidade, excluem divisões e diferenças pelo exercício de poder cultural e pedagógico. Criam a fantasia da unificação, da igualdade, em termos teórico-pedagógicos, verificada por suas metáforas, conforme embasamento teórico de Lakoff & Johnson (1980).
O poder do professor passa a ser questionado; seu saber perde espaço e cria-se a insegurança, o medo de perder o poder. O professor não tem valor de troca, considera-se uma vítima do sistema ( imaginário do professor), de acordo com as metáforas analisadas.