A IDENTIDADE SOCIAL DE GÊNERO NO MUNDO VIRTUAL:
NOVAS (RE)CONSTRUÇÕES  POR MEIO DE PRÁTICAS DE LETRAMENTO

Petrilson Alan Pinheiro (UFRJ)

 

O interesse crescente por questões acerca das identidades sociais é resultado das diversas mudanças que vêm ocorrendo nas práticas de sociabilidade do nosso mundo contemporâneo; um mundo de muitas contradições, de diversos encontros e desencontros entre teorias e práticas, buscando respostas que, por sua vez, parecem estar na origem de novas perguntas (PINHEIRO, 2006). É a partir dessa visão da pós-modernidade que nortearei este trabalho, cujo objetivo é o de investigar a construção da identidade social de gênero por meio de práticas sociais de letramento referendadas no / pelo ciberespaço na Internet. Para tanto, tomarei como ponto central uma visão socioconstrucionista do discurso e das identidades sociais (MOITA LOPES, 2003), cuja base epistemológica é corroborada pelo princípio de que as relações de sujeitos e de sentidos, nas quais as identidades sociais são constituídas, bem como seus efeitos, são múltiplas e variadas, isto é, são entendidas como heterogêneas, contraditórias, e em fluxo, constituintes das práticas discursivas nas quais atuamos (ORLANDI, 2001). Quanto à metodologia de pesquisa, adoto uma visão interpretativista de pesquisa, de cunho etnográfico, em cuja perspectiva se reconhece o conhecimento como algo construído na interpretação da linguagem. Como unidade de análise, escolhi uma conversa realizada numa sala de bate-papo virtual da Internet, onde um menino se constrói sócio-discursivamente como uma menina ao se engajar em um evento de letramento com uma amiga. Por meio da análise dos dados, é possível refletir acerca do fato de que uma pessoa, ao se ver como homem ou mulher, não está expondo sua natureza, uma suposta essência do seu ser, mas está se interpretando e se construindo de uma forma que a permita criar sentidos no mundo social. A partir disso, pondero, ao final do trabalho, que pensemos não mais em identidades estanques, mas em posições fluídas, em que a repressão e a desigualdade funcionam sim, mas que podem ser substituídas pelo próprio movimento das identidades, o que poderia corroborar para desenvolver projetos educacionais que pensassem as diferenças como um meio justo e benéfico através do qual se poderia promover uma transformação social.

 

Palavras-chave: Identidades Sociais; Gênero; Letramento; Internet.