A QUESTÃO DA INTERJEIÇÃO:
CLASSE GRAMATICAL OU FRASE DE SITUAÇÃO?
Maria Elizabeth Figueiredo Martins (UERJ)
As dificuldades sentidas para a classificação das interjeições, desde as primeiras reflexões sobre a língua quer pelos gramáticos quer pelos lingüistas, justificam o estudo destas estruturas lexicais.
Este trabalho trata de tema controverso tendo em vista a forma como as interjeições são apresentadas nas gramáticas de língua portuguesa, ora como palavras que exprimem emoção, ora como frases unimembres e até mesmo como orações. Acreditando que o problema está justamente nesta indefinição, contrapomos opiniões, reproduzimos conceitos e apontamos os aspectos discordantes que cada autor pesquisado tem a respeito do tema.
Lingüistas e gramáticos, em sua totalidade, definem as interjeições como expressões com as quais traduzimos os nossos estados emotivos e os nossos sentimentos. Eles divergem, no entanto, quando tentam categorizá-la. Os elementos interjectivos são categorizados como marca de um ato de predicação não frásico, palavra-chave, palavra incidente, palavra-oração, frase de situação, frase unimembre e classe gramatical sendo descritos e detalhados pelas suas funções comunicativa, emotiva e conativa.
Neste trabalho, pretendemos comprovar que estas estruturas lexicais têm muito mais relação funcional como frase de situação do que como classe gramatical. Esta segurança vem do fato de que as interjeições podem ser excluídas das classes gramaticais por se apresentarem como estruturas sintaticamente soltas, completas por si próprias e que não apresentam relação sintagmática com os demais vocábulos da oração.