A relevância e a especificidade da
metáfora
na formação do leitor
Lucia Helena Lopes de Matos (FACHA)
Este trabalho adota a perspectiva de que conceptualizamos o mundo através de imagens estruturadas em modelos culturais e modelos cognitivos idealizados. Com base nesse enfoque, afirmamos que as estratégias de compreensão na recepção de textos e de criatividade na produção dos mesmos obedecem a uma dimensão gradual - mais quantitativa que qualitativa – entre literal e figurado, resultando em usos metafóricos da linguagem cotidiana, científica ou literária.
Se o leitor for capaz de perceber, no nível da consciência, as estruturações mentais mais básicas de metaforização, levando em conta suas experiências físicas e corpóreas, seu conhecimento de mundo e o contexto em que as proposições se inserem, vai também construir as significações mais extensivas e elaboradas por serem processos semelhantes que apenas se expandem em desdobramentos lingüísticos dos mais corriqueiros até os mais criativos.
A linguagem humana forma, no caso, uma rede inter-relacionada tanto de criações novas quanto de expressões cristalizadas, sendo que as primeiras são interpretadas com base no sistema metafórico conceptual estruturado pelo falante ao longo de sua história.
Palavra-chave: leitura; metáfora conceptual; lingüística cognitiva