Alfabetização:
Por que tem sido tão difícil ensinar a ler e a escrever?
Paula Cancella (UFRJ)
No interior das escolas, nem sempre a introdução ao mundo da leitura e da escrita está relacionada a uma leitura viva, contextualizada. As instituições baseiam-se ainda no uso exclusivo dos processos de mecanização dos atos de ler e escrever.
Quando a aprendizagem do educando não alcança as perspectivas e/ou finalidades estabelecidas pelas instituições de ensino, o aluno fica caracterizado como um fracasso escolar. No caso específico da alfabetização as dificuldades com a aquisição da leitura e da escrita aparecem hoje entre os principais problemas de nosso sistema educacional.
Nesse sentido, os estudos sobre a alfabetização segundo Collelo (2007) se prestam à fundamentação de pelo menos algumas das principais hipóteses não excludentes para explicar o fracasso no ensino da língua escrita, tais como: o currículo oculto, a prática alfabetizadora, os distúrbios de leitura e escrita, o letramento e a formação docente.
A função primordial da escola, na área de linguagem, é introduzir as crianças no mundo da leitura e da escrita, tornando-as capazes de atender as demanda da sociedade.
Para Lima (2003), toda criança pode aprender a ler e a escrever, mas não em qualquer situação. O processo de alfabetização configura-se com a interação das dimensões biológicas, sociais e cognitivas do educando aliadas a uma série de estímulos e solicitações internas e do meio, que terminam por gerar no aluno formas de adaptação inteligente que lhe permitirão ler.
As instituições educacionais transformaram a escrita de objeto social em objeto escolar, quando na realidade a escrita é importante na escola porque é importante fora da escola e não o inverso.
Não nos cabe julgar, qual método ou metodologia que é ideal para a alfabetização, pois a implicação desta resposta está intimamente relacionada a diversos fatores tais como: a realidade da turma, escola, família e comunidade na qual a criança está inserida, na formação, empenho e recursos disponíveis do professor alfabetizador, das relações entre a família, a direção e o educador, das expectativas que cada segmento escolar e a sociedade demandam em relação à alfabetização daquele grupamento, entre outros.
É essencial a intervenção organizada e planejada do educador, respeitando como a criança concebe o objeto de sua aprendizagem, quais os caminhos que ela percorre até a plena aquisição da leitura e quais as estratégias e metodologias que serão utilizadas para nortear esse processo.
Atualmente sabemos que a criança, independente do método, constrói conhecimentos de forma ativa, como também interativa. Deve-se levar em conta que é na troca com outros sujeitos, e consigo própria, que cada criança com sua experiência de vida, que é sempre singular, constroem conhecimentos.
Palavras chaves: Alfabetização, leitura e escrita, fracasso escolar.