Análise do sujeito nulo no português
brasileiro
a partir de uma fonte de dados alternativa:
situações experimentais
Marília Fernandes Araújo (UERJ)
Ricardo Joseh Lima (UERJ)
Objetivando fornecer uma fonte de dados alternativa ao debate sobre a situação do sujeito referencial nulo no Português Brasileiro (PB), utilizamos situações experimentais que trazem consigo dois benefícios: a obtenção de dados que de outro modo (através de corpora) não são obtidos e o acesso à intuição de falantes sem que para esse fim haja uma situação específica.
Um dos estudos de destaque dentro da Sociolingüística Paramétrica (Tarallo & Kato, 1989; Duarte, 1999) sobre esse tema é o realizado por Duarte (1995). A estudiosa demonstra que o sujeito referencial no PB vem preferencialmente sendo preenchido (em alguns contextos, praticamente de forma obrigatória). Segundo essa abordagem, o PB estaria deixando de possuir uma marcação paramétrica em que pro é uma opção para uma marcação paramétrica sem pro, visto que já não teríamos mais um sistema flexional verbal suficientemente diversificado. Essas considerações estão agrupadas em nossa Pesquisa sob a denominação de Hipótese I.
Outros pesquisadores, como Figueiredo Silva (1996), põem em xeque a afirmação de Duarte, ao proporem que a categoria vazia não se trata de um pro pronominal, mas um pro variável e dependente do contexto. Essas proposições estão agrupadas em nossa Pesquisa sob o nome de Hipótese II.
Para verificarmos as hipóteses apresentadas, formulamos um teste em que utilizamos a “metodologia do estrangeiro”. A partir de uma história fictícia da visita de uma família alemã aprendiz da língua portuguesa ao Brasil, nossos informantes deveriam avaliar as sentenças ditas em nossa língua pelos membros adultos da família. Das 64 estruturas contidas no teste, 12 são interrogativas QU–; 12 matrizes; 12 interrogativas com SN; 12 subordinadas e 16 distratoras.
É, então, através dessa situação experimental, dentre outras, que buscamos verificar se a tendência ao preenchimento de sujeitos é forte o suficiente para que a opção do sujeito foneticamente realizado seja escolhida de modo significativo, mesmo quando não há elementos que prejudiquem a sua identificação.
Palavras-chave: Português Brasileiro; sintaxe; sujeito nulo.