As relações contrastivas no texto
argumentativo
− reflexões sobre a prática pedagógica de língua portuguesa
como língua materna
Marília Fernandes de Araújo (UERJ)
Thaís de Araújo da Costa (UERJ)
Ao questionarmos a finalidade e a qualidade do ensino de língua portuguesa, deparamo-nos com uma problemática que há muito vem sendo discutida pelos lingüistas: há uma falha na maneira como a língua materna é ensinada. Estudos mostram que isso está associado à imagem que a sociedade tem do seu ensino e do professor dessa disciplina, fazendo com que este busque responder positivamente as suas expectativas a fim de legitimar o seu papel em vez de se preocupar em proporcionar um ensino realmente significativo para os seus alunos. Tal ensino teria o objetivo de consolidar e aperfeiçoar uma posse ativa da língua e, conseqüentemente, desenvolver a capacidade de produzir e receber de forma adequada e eficaz discursos diferenciados em situações diferenciadas de comunicação.
Com esse intento, destacam-se os estudos da Semântica da Argumentação que, por entender o ser humano como um ser essencialmente dialógico, privilegiam a interação social e a argumentatividade, considerada aspecto imanente a toda língua, associando, para tanto, os critérios semântico, pragmático e sintático.
Em nossa pesquisa, analisamos o funcionamento das relações contrastivas em 21 editoriais do jornal O Globo, publicados de 13 a 23 de março de 2007. Sabe-se que há em todo texto marcas lingüísticas, dentre essas os operadores argumentativos contrastivos, que funcionam como pistas para que o leitor, a partir da sua decodificação, atribua uma significação adequada ao enunciado. Assim sendo, no final de nosso trabalho, constatamos que exercem esses operadores (conjunções e conjunções-advérbios) papel fundamental para a tessitura textual, pois garantem não só a unidade do texto, como a sua progressão e a estruturação da orientação argumentativa. Logo, saber reconhecer tais atribuições constitui uma condição necessária para que o aluno aprimore a sua competência lingüística.
Palavras-chave: semântica argumentativa; argumentação; ensino de língua portuguesa.