ENSINO E
APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA:
ENTRE PROCESSOS DE CONHECIMENTO
E DESCONHECIMENTO DOCENTE
Jacqueline de Fátima dos Santos Morais (UERJ)
Apesar de inúmeras pesquisas sobre os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita terem sido produzidas especialmente ao longo desta última década, o grau de compreensão e domínio da leitura permanece baixo. Muitas parecem ser as causas deste que pode ser considerado um fracasso institucional. Uma dessas causas, e que aqui privilegiaremos durante a apresentação deste trabalho, se refere ao descompasso entre o que nós docentes sabemos sobre aquele que aprende e o que efetivamente acontece com o aprendiz em seu processo de apropriação do conhecimento. Em geral lidamos com o educando numa relação bancária, como há muito já havia denunciado Paulo Freire. As pesquisas mais recentes ligadas à alfabetização nos mostram que longe de se constituir como um sujeito passivo, as crianças pequenas se apropriam da leitura e da escrita em movimentos de ação e reflexão intensa, levantando hipóteses, checando-as, modificando-as ou confirmando-as. Diferente do que temos acreditado, as crianças em início de alfabetização não seguem, em seu processo de apropriação da língua escrita, o modelo indicado pelas cartilhas. As crianças produzem significados muito próprios sobre como e o que se escreve. O trabalho de pesquisa da argentina Emília Ferreiro tem servido de base tanto para as discussões teóricas, quanto para a elaboração de pressupostos metodológicos do que ficou conhecido como alfabetização construtivista. Minha comunicação pretende trazer parte das investigações que tenho realizado no campo da alfabetização. A partir da análise de produções escritas de crianças na fase inicial da escrita, ou seja, crianças que freqüentam classes de alfabetização, iremos refletir sobre os limites e possibilidades do trabalho de pesquisa de Ferreiro, apontando os diferentes processos que aparentemente fogem das explicações da teoria da psicogênese da língua escrita. Em diálogo com autores como Geraldi, Smolka, Garcia e Morin, poderemos ampliar nosso olhar sobre esse processo, redimensionado a complexidade e singularidade de tornar-se leitor e escritos.
Palavra-chave: alfabetização; aprendizagem da escrita e da leitura