ICONICIDADE E LEITURA

Maria Noêmi Freire da Costa Freitas (UERJ)

 

Nossa proposta é apresentar três modelos didáticos de análise textual, com base nas noções de iconicidade e plasticidade apoiadas na orientação de Darcilia Simões - cujo fundamento é a semiótica de Peirce -, tendo em vista o ensino da leitura nas aulas de Português (3º. Ciclo/ Ensino Médio).

Na perspectiva que adotamos, o texto é visto como objeto-imagem e as palavras são “âncoras textuais” ou “bússolas” na orientação da descoberta dos sentidos. Estes encontram-se inscritos nos textos e se realizam através da seleção lexical, da estrutura sintática e das isotopias, que são as redes significantes que se estabelecem na relação entre os constituintes textuais. Todos esses elementos são fatores de iconicidade, entendida como “potencialidade imagética dos textos a partir da qual os intérpretes produzem formas mentais que deflagram a cognição numa dada direção” (SIMÕES, 2006). A iconicidade é, assim, indutora de raciocínios, geradora da semiose, que é o próprio processo de significação.

Na interação, o enunciador constrói imagens mentais e as traduz em signos – no caso do texto escrito, signos verbais e não-verbais – que são decodificados pelo leitor, também no modo de produção de imagens. Essas imagens mentais do enunciador e do leitor são negociadas no momento da interação, tendo como mediador o código escrito, que é o elemento da plasticidade textual responsável pela iconicidade.

Sendo assim, verifica-se uma interferência subjetiva na produção de sentidos, por meio da imaginação. Mas não se deve pensar que não há controle dessa subjetividade, ela é estimulada e ao mesmo tempo regulada pelo elemento objetivo resultante da seleção e combinação das palavras na superfície textual.

Motivada pelo projeto do texto e ancorada no domínio lingüístico do enunciador, essa materialidade representa formas de ver o mundo, as quais se refletem nas qualidades que os signos exibem, que dão origem às cadeias associativas de semelhança, condição fundamental de iconicidade. As cadeias associativas orientam a interpretação através da percepção do leitor, a qual também está condicionada ao seu conhecimento prévio, ao seu domínio lingüístico, seu modo de compreensão do mundo e à eficácia da trama textual.

As análises constam da observação da iconicidade nos seguintes níveis: no primeiro texto – Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto - privilegia-se a iconicidade do substantivo no discurso; no segundo – Elegia Holandesa, de José Paulo Paes – dá-se ênfase ao aspecto expressivo (sonoro) da seleção vocabular e da estrutura sintática, que contribui para a iconicidade do texto; no terceiro – um resumo de capa do jornal O Globo – valorizam-se a estrutura sintática e a intertextualidade como fatores de iconicidade.

 

Palavras-chave: iconicidade - plasticidade – leitura