Na fronteira entre o real e o ficcional:
crônicas através da percepção do leitor
Juliana Pereira Lemos (UFRJ)
As crônicas, inspiradas em fatos recentes do cotidiano, são comumente lembradas como um estilo de jornal. Embora existam estudos que apontam as crônicas como novo gênero literário, de maneira geral observamos entre os teóricos uma postura hesitante em relação à sua qualificação. Buscando compreender essa aparente ambigüidade, investigamos se, lendo uma crônica, o leitor se julga diante de ficção ou realidade, e se o veículo de divulgação do texto influencia esse julgamento. A presente pesquisa parte dos conceitos de “suspensão da descrença” e “auto-desnudamento da ficção” (Iser, 1978) para diferenciar a percepção de um texto ficcional da de um relato jornalístico. O estudo será realizado aplicando-se questionários a oito grupos diferentes de estudantes universitários, analisando-se o comportamento de três variáveis: especialização do leitor, origem real da crônica (livro ou jornal), e origem alegada da crônica (livro ou jornal). Acredita-se que o estudo de crônicas do ponto de vista da interação leitor-texto possa ser enriquecedor, pois possibilita a extensão do debate sobre ficção e realidade para um gênero literário normalmente à margem dessa discussão.
Palavras-chave: crônicas, leitor, leitura, gênero literário, ficção, realidade