NARRATIVAS CLÁSSICAS EM DIFERENTES TEXTOS E SUPORTES

Ivete Irene dos Santos (UPM e ISEAP)

 

Este trabalho tem como objetivo suscitar algumas das discussões realizadas em um curso de pós-gradução sob a perspectiva de três vértices principais: um deles, discussões sobre a cultura fundadora, estudos sobre o Totemismo com discussões suscitadas por Levis Strauss; O segundo vértice corresponde às tecnologias / mídias, sobretudo o computador; como teoria foco temos a Semiótica e, preenchendo esse triângulo que se forma, temos a literatura, ‘corpus’ focalizado a aplicação das teorias.

Dessa forma, procuramos  abordar esses temas, nessa comunicação, em um ‘corpora’ literário  que metonimicamente aponte para outra proposta de nossa pesquisadiscutir obras de literaturas de Língua Portuguesa, compreendendo continentes/países diferentes. Para análise, verificaremos como os temas aqui citados aparecem nas produções. Para tanto, escolhemos as obras Sopro-alento, de Maria Lúcia de Sampaio Góes, do Brasil; Os poemasCerimônia de passagem” e “Colheitas” de Paula Tavares, da África; o texto Antunes  disponibilizado na Internet, de Matilde Rosa Araújo, escritora portuguesa.

As obras analisadas apresentam temas clássicos: a presença do fantástico, seja na transformação mágica da própria vida, tematizado em Sopro-alento e nos poemas escolhidos do livro Rito de passagem, seja nos elementos mágicos, 'non sense' tematizados em Lucilina e Antenor, que apresentam ainda intertextualidade com Shrek, filme em que uma ogro se metamorfoseia em humano, e é uma roupagem nova das transformações socorridas em A bela e a Fera, em Branca de neve em que a madrasta torna-se uma velha senhora, ou mesmo Cinderela que tem uma abóbora e ratos transformados respectivamente em uma carruagem e cavalos.

O mágico é que esses elementos permaneçam mesmo sob outras textualizações  mesmo sob outros suportes ou recursos. As ilustração não são mais gravuras descritivas, podem ser fotos. O suporte não precisa ser mais livros, como sabemos,  há web livro, coexistindo pois são acessos  posses diferentes, provocando também leituras diferentes.

Cabe a nos professores educadores pesquisar como e porquê os textos permanecem ao longo do tempo, permeando as várias construções e (re)construções textuais, pois nessa relação simbiótica a Mídia, a produção editorial auxiliam para  a difusão dos contos  na mesma relação circular, a qual estes contos  são utilizados por pertencerem ao imaginário cultural. Tais produções devem,  portanto, ser abordadas estética, artística e criticamente nas aulas. A narrativa continua existindo, o que muda é o suporte, é óbvio que o novo suporte acrescenta um outro sentido e isso não deve ser considerado negativo.

As invenções, sobretudo as midiáticas, são extensões, aumento das possibilidades dos sentidos e dos órgãos humanos, essas mídias são uma nova maneira contar. O acesso a essa nova mídia é a maneira de ler, por isso há  importância da alfabetização do não-verbal, e por extensão a essa nova mídia, sem deixar é claro de explorar os recursos significativos da linguagem verbal e as outras semioses que o próprio texto provoca suscitando a projeção de imagens (imagem em ação), a semiose fotografia-texto e  interação com o objeto, página do livro, ou página da Internet

A narrativa ainda é o elemento constituinte desses textos, verbais ou não, prosa ou não. Por isso,  o trabalho com a intertextualidade continua sendo imprescindível, principalmente para  discutir a permanência de textos clássicos e as imagens que eles evocam sobre os temas abordados: mitos, ciclos, natureza, homem, animal, enfim, a vida.

 

Palavras-chave: literatura infantil, intertextualidade, mídias, literatura fantástica, semiótica.