O CONTO E O FILME:
O OLHAR, A ERRÂNCIA E A CITAÇÃO EM CAIO FERNANDO ABREU
Rodrigo da Costa Araujo (UFF e FAFIMA)
Este trabalho analisa a relação entre literatura e cinema, ressaltando o intercâmbio de procedimentos entre essas duas formas de expressão. Em sentido particular, esta pesquisa, realizada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Arte da UFF, detém-se sobre a incorporação dos procedimentos cinematográficos pela narrativa contemporânea, destacando-se o conto pós-moderno de Caio Fernando Abreu (1948-1996), cuja técnica narrativa se caracteriza por um voraz desejo de visualidade. Analisa-se a intertextualidade no filme Aqueles Dois (1985), de Sérgio Amon e as relações com o conto do mesmo título, de Caio Fernando Abreu. Os intertextos apontados em forma de citação e alusão exemplificam o processo ora de adaptação, ora das relações intersemióticas mencionados por Diniz (2005) e Genette (1982 e 2001), em que o filme, o hipertexto, incorpora, cita e modifica vários hipotextos que servirão para a sua constituição. Esse processo, denominado de “dialogismo intertextual”, sugere que todo texto seja uma rede de informações, uma série de pistas verbais, que o filme toma, amplia, ignora, subverte ou transforma. O corpus será lido primeiramente como escritura em palimpsesto e, num segundo momento, como escritura em fragmento. A semiologia barthesiana e as orientações de Genette, como também de Diniz orientarão esses olhares.
Palavras-chave: Intertextualidade. Aqueles Dois. Caio Fernando Abreu. Hipertexto. Hipotexto