O ensino de língua materna e a
formação do professor:
por uma compreensão global do texto
Cláudio Luiz Abreu Fonseca (UERJ e UFPA)
O presente artigo busca discutir em que medida a significação da palavra, do discurso, resulta de uma compreensão ativa e responsiva (BAKHTIN, 1992) inscrita no interior da interação verbal entre sujeitos historicamente constituídos e que implicações essa concepção de significação pode ter em relação à formação do professor e ao ensino de língua materna. De acordo com essa perspectiva, os temas ou isotopias que se constroem no processo comunicativo dependem de se (re)conhecer que a significação se produz com base em uma compreensão global, da totalidade do texto-discurso em oposição a um viés que assenta a significação fora do escopo da interação e da enunciação completa, privilegiando a análise da palavra, sua significação, dentro do sistema lingüístico formal e abstrato. Procura-se demonstrar a pertinência da compreensão temática por meio das análises dos textos “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector (1998), e de “O ferrageiro de Carmona”, de João Cabral de Melo Neto (1994), postulando-se que sua significação se constrói com base na tensão entre isotopias (CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004). Por fim, propõe-se que o ensino de língua materna seja permeado por uma concepção de significação, que integre os saberes sobre a linguagem, na direção de uma compreensão holística de textos. Tal perspectiva se torna possível, na medida em que a formação, no âmbito do curso de Letras, possibilite ao futuro professor de português integrar os conhecimentos sobre a língua e a linguagem, que circulam no curso, de maneira crítica e não-fragmentada.
Palavras-cheve: ensino, formação, significação, compreensão, tema, texto.