Ser de (se) Vinf.: uma construção gramatical do português
Angelina Aparecida de Pina (UFRJ)
Este trabalho tem por objetivo analisar a estrutura ser de (se) Vinf. em português. Para investigar a sintaxe, a semântica e a pragmática dessa estrutura, são aplicadas a noção de construção gramatical, a noção de modalidade como um sistema de dinâmica de forças, incluindo o domínio epistêmico, e a noção de angulador como uma estratégia de polidez. Baseada nessas noções, esta análise advoga que ser de (se) Vinf. é uma construção gramatical produtiva, que apresenta uma lacuna que deve ser preenchida com um verbo em que pelo menos uma de suas acepções é cognitiva. Isso ocorre porque esse padrão construcional lexicaliza uma atividade cognitiva, de sorte que a atividade designada pelo verbo é uma instanciação do tipo de atividade mais geral designada pela construção. Enquanto a semântica da construção atualiza um sentido cognitivo do verbo que a completa, a semântica dos verbos cognitivos determina o grau de certeza/incerteza de cada instanciação. Tendo em vista que essa construção sinaliza uma conclusão a partir de premissas disponíveis, consiste em uma expressão de modalidade epistêmica, e se caracteriza como um angulador pragmático, que modifica a força ilocucionária do enunciado para servir aos propósitos interacionais de preservação da face positiva do escritor/falante e da face negativa do leitor/ouvinte. Por fim, importa salientar que a construção pode ser instanciada com ou sem o pronome se, considerado agente indeterminado, isto é, sujeito [+ humano] capaz de realizar uma atividade cognitiva.
Palavras-chave:
Construção gramatical; Modalidade
epistêmica; Angulador pragmático; Polidez