A REPETIÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA

Carlos Alberto Gonçalves Lopes (UNEB)

Resumo

Este ensaio consiste numa sistematização e discussão dos mecanismos de repetição encontrados na língua portuguesa a partir da análise do “Sermão da Primeira Sexta-feira da Quaresma” do Padre Antônio Vieira e parte do pressuposto de que a repetição, longe de ser um defeito de expressão, é um recurso lingüístico riquíssimo e muito útil para a expressão não só dos nossos pensamentos como também dos nossos sentimentos.

Palavras-chave: língua portuguesa; estilística; semântica.

Introdução

Esta pesquisa constitui-se num trabalho teórico e prático que tem por propósito examinar o fenômeno da repetição na língua portuguesa, tomando como corpus o Sermão da Primeira Sexta-feira da Quaresma do Padre Antônio Vieira, além de propor uma sistematização teórica desse importante mecanismo lingüístico, seguindo de perto as recentes pesquisas realizadas por eminentes estudiosos da língua portuguesa.

Motivaram-na o estudo que realizamos de Lingüística Textual no curso homônimo ministrado pela Profª Ingedore V. Koch no módulo I, da disciplina SEMINÁRIOS AVANÇADOS II, do Curso de Doutorado em Letras da UFBa, através do qual constatamos que muitos casos de repetição nada mais são do que intensificadores por extensão do tipo construções sintagmáticas enfáticas.

Para a fixação do corpus utilizado na aplicação dos pressupostos teóricos desenvolvidos nos três primeiros capítulos deste trabalho monográfico, optamos pelo sermão supracitado inserido no volume dois da coleção Obras Completas, do Padre Antônio Vieira, editada pela Lello & Irmão, por considerarmos uma boa edição em termos de fidedignidade textual; e, para uma melhor apreciação, fizemos uma atualização ortográfica dos textos transcritos, de forma que, nas citações, nos limitaremos apenas a informar a página da qual foi extraído o texto citado.

Inicialmente, faremos uma breve exposição teórica sobre os mecanismos repetitivos para, no final, aplicarmos, a teoria exposta, no corpus.

É claro que não desejamos, aqui, esgotar o tema, por se tratar de um trabalho de fim de curso. Sendo assim, o que se almeja, a priori, é realizar apenas um modesto ensaio e, quem sabe, ensaiando os primeiros passos, projetar para o futuro uma investigação mais arrojada e abrangente acerca desse palpitante tema.

Como se constatará, o mérito desta monografia não está no tema inusitado mas principalmente em ousar oferecer uma modesta contribuição ao estudo da repetição em português.

Finalmente, esclarecemos que, para evitar sobrecarregar a página com notas de rodapé, optamos pela solução prática de indicar a fonte das citações no próprio corpo do ensaio, mediante o recurso da transcrição, entre parênteses, do sobrenome do autor em caixa alta (que remete para a bibliografia) seguido do ano de publicação da obra e da página onde se encontra o trecho transcrito, salvo exceções.

A repetição

Por repetição pode-se entender desde uma simples tautologia até uma reiteração fonológica. Daí a importância da definição desse termo como pré-requisito para os estudos que serão feitos posteriormente.

MURCUSCHI (1992: 6), tratando deste assunto, define a repetição dizendo ser ela a "produção de segmentos discursivos idênticos ou semelhantes duas ou mais vezes no âmbito do um mesmo evento comunicativo", não importando aí o tamanho do segmento repetido ou se o que se repete é o mesmo conteúdo, a mesma forma ou ambos.

Convém, todavia, observar para o fato de que a posição de MARCUSCHI (1992) sobre a noção de repetição aplica-se à conversação, embora não fique excluída sua validade, mutatis mutandis, pare a modalidade escrita da língua. Outrossim, delimitando aquilo que se pode considerar como sendo repetição, ele exclui do rol das repetições a reiteração de elementos funcionais isolados tais como pronomes, preposições, conjunções, artigos ou verbos de ligação, assim como as hesitações, os marcadores conversacionais freqüentes na conservação e alguns casos de paráfrase que seriam, mais propriamente, estratégias de reformulação textual, considerações estas a respeito das quais não partilhamos, porque, dessa forma, teríamos que excluir o polissíndeto da relação das variedades reiterativas, quando se sabe muito bem que a repetição da conjunção aditiva pode resultar em efeito retórico incontestável, como se pode constatar no seguinte exemplo: "E sobe e desce e torna a subir e torna a descer e se estrebucha no chão".

Em síntese, pelo que pudemos aprender a respeito, reconhecemos que a repetição nada mais é do que a recorrência intencional, com ou sem variações, de unidades lingüísticas formais, ou semânticas, num determinado enunciado.

Por conseguinte, podemos dizer, então, que a identidade da repetição está na natureza do elemento repetido e na intencionalidade de quem repete, assuntos estes que serão desenvolvidos nos próximos capítulos.

classificação da repetição

Sobre a classificação da repetição há divergências e convergências. Aqui, limitar-nos-emos em dar uma sucinta visão panorâmica da teoria exposta por alguns estudiosos do assunto, para concluir apresentando a nossa proposta.

Comecemos com RAMOS (1933), que não apresenta uma classificação formal por se limitar a mencionar apenas tipos de funções, já que opta por desenvolver uma tipologia repetitiva centrada na função comunicativa preocupada com a facilitação da compreensão do destinatário.

Bessa neto (1991) oferece uma classificação formal da repetição semelhante a de MARCUSCHI (1992), mas o seu trabalho se concentrou na repetição lexical, apenas.

MARCUSCHI (1992) opta por uma classificação que consideramos ser a melhor dentre as mencionadas neste estudo, apesar de ter restringido um critério que julgamos importante exatamente por ser o responsável por variados efeitos estilísticos, dentre outros, que é o da distribuição dos elementos repetidos no enunciado.

Distribucionalmente falando, ele se refere apenas à repetição por contigüidade, proximidade e distância, enquanto a Retórica se esmera numa classificação muito detalhada. Outrossim, o mesmo autor inclui no seu quadro classificatório a auto-repetição (em que a matriz e a repetição são produzidas pelo mesmo falante) e a heterorrepetição (em que a matriz e a repetição são produzidas por falantes diversos), detalhe este peculiar à conversação, ou melhor, à língua falada.

Seguindo de perto a tradição e as experiências recentes de uns e de outros, sem a pretensão de dar a última palavra a respeito deste assunto, apresentamos o seguinte quadro classificatório da repetição, que servirá de base para os estudos subseqüentes.

repetição FONOLÓGICA

Monofonemática

a) Sibilância (consoante /s/ aleatoriamente): asfaltos vastos.

b) Aliteração (consoante inicial ou não): o rato roeu a roupa.

c) Assonância (vogal em sílaba tônica): casa de prata.

Plurifonemática

a) Amplificação (juntos e depois separados): prata partida.

b) Redução (separados e depois juntos): drios dramáticos.

c) Quiasmo (duas consoantes em X): retém teu rancor. (r - t / t – r)

d) Acróstico (várias consoantes invertidas): d – r – s / s – r - d.

e) Coliteração (consoantes homorgânicas): morreu de tristeza.

repetição morfológica:

a) Homeoteleuto (final de palavras próximas): capitão Salomão.

b) Rima (final de palavras simetricamente dispostas).

c) Parequema (fim e início de palavras contíguas): roupa parda.

repetição lexical/sintagmática
(literal ou com variação)

Monolexical (ou monossintagmática) intra-oracional:

a) Reduplicação (repetição contígua).

b) Derivação (repetição contígua com variação).

c) Diácope (repetição com intercalação de uma palavra).

d) Epanalepse (repetição da lexia inicial da oração no fim dela).

Monolexical (ou monossintagmática) transoracional:

a) Anáfora (repetição no início de cada oração).

b) Epístrofe (repetição no fim de cada oração).

c) Mesodiplose (repetição no meio de cada oração).

d) Anadiplose (repetição da lexia final de uma oração no início da oração seguinte).

e) Epanadiplose (repetição da lexia inicial de uma oração no fim da oração seguinte).

f) Ploce (repetição da lexia medial de uma oração no início ou fim da oração seguinte).

g) Epímone (repetição aleatória).

h) Polissíndeto (repetição conjuncional).

Plurilexical (ou plurissintagmática) transoracional:

a) Símploce (lexia inicial e final de uma oração, repetida na mesma ordem nas demais orações).

b) Antimetábole (lexia inicial e final de uma oração, repetidas em sentido inverso na oração seguinte).

c) Concatenação (lexia final de cada oração, repetida no início da oração seguinte, em cadeia).

d) Epânodo (duas lexias contíguas, A e B, de uma oração, repetidas nas seguintes; a A, na 2ª oração e a B, na 3ª oração).

repetição oracional
(literal ou com variação):

a) Palilogia (repetição integral sem intercalação).

b) Ritornelo (repetição integral com intercalação).

c) Epanástrofe (repetição integral com inversão da ordem das palavras)

repetição estrutural

a) Paralelismo (repetição de estruturas oracionais preenchidas com itens lexicais diferentes).

repetição semântica

a) Sinonímia (repetição do mesmo sentido com palavras formalmente diferentes).

b) Parassinonímia (repetição de sentido aproximado com palavras formalmente diferentes).

c) Paráfrase (repetição do mesmo sentido com textos formalmente diferentes).

d) Pleonasmo (repetição tautológica da significação de vocábulos ou termos oracionais com propósito retórico).

funções da REPETIÇÃO

Refletindo sobre as funções da repetição, notamos, a princípio, que, muito mais do que o resultado de uma simples hesitação ou uma indesejável disfluência, ela pode funcionar como um notável recurso poético, razão pela qual foi literariamente valorizada.

Por meio da repetição, os vocábulos adquirem um forte efeito sugestivo e são carregados de uma força emocional, estimulativa e semântica bem acentuada, porque ela resulta na multiplicação, ou melhor, na amplificação do signo lingüístico.

Na criação da linguagem poética a repetição tem uma importância que não passou despercebida a renomados escritores, dentre os quais destacamos João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Rui Barbosa e o Pe. Antônio Vieira; este último, de forma magistral, a ponto de, apenas no sermão objeto de análise neste ensaio, termos encontrado mais de sessenta repetições e dezessete variações delas. É que, através da repetição, conforme muito bem notou GUERRA DA CAL (l969: 244), "podemos ver as mais cotidianas e simples palavras da língua ganharem uma intensa carga poética e converterem-se de imediato em focos de irradiação lírica, em agentes de poetização do estilo”.

Aristóteles foi, talvez, o primeiro estudioso a tratar da repetição. Para ele, a repetição nada mais era do que um recurso oratório. Por outro lado, consultando CÍCERON (1930: 85-86), constatamos que ele reconhece serem as figuras de palavra (dentre as quais inclui a repetição) uma arma útil pela sua ameaça, por seus golpes, e agrada em conseqüência da maneira particular pela qual é manejada. Para ele,

la répétition d'un mot a parfois de la force, ailleurs du charme; de même rapprocher des mots qui offrent entre eux de légères différences dans les lettres ou dans la flexion; reprendre plusieurs fois à la fin de membres de phrases; user du retour vif et animé mêmes mots; rattacher à un seul mot plusieurs fois le même mot avec ce que j'appellerai des nuances de sens différentes; placer le même mot à la fin d'un membre de phrase et au début du suivant; employer soit des termes qui ont même désinence casuella ou même terminaison, soit des membres de phrases symétriques ou de même longueur.

Na literatura portuguesa, é no Trovadorismo que vamos encontrar a repetição como uma característica peculiar à poesia trovadoresca medieval, mediante o recurso do paralelismo, artifício expressivo caracterizado por um refinado sistema de repetições. A poesia moderna, por sua vez, encontrou na repetição uma força dinamizadora do discurso, assim como um meio para dizer o indizível. Já, nos cânticos cívicos e sacros, a repetição de versos e estrofes é algo muito comum e tem um efeito expressivo muito grande, por imprimir na mente do indivíduo o conteúdo da mensagem que expressa.

Estudando a repetição, pode-se observar facilmente que o seu objetivo é o de ativar a imaginação, sustentar uma idéia ou pensamento por um determinado tempo, imprimir uma imagem na mente mediante o martelar constante de determinadas palavras ou frases e até, conforme o caso, persuadir o receptor da mensagem, envolvendo-o emocionalmente.

É importante observar ainda que a repetição não é inócua, isto é, a palavra que se repete não é exatamente igual à primeira palavra da série reiterativa. Não fosse assim, a repetição num discurso político, por exemplo, não seria uma fórmula patética, não comoveria ninguém. O certo é que a segunda palavra repetida tem uma carga afetiva que contribui inclusive para modificar a prosódia do vocábulo, sendo pronunciada com mais altura e ênfase. Seguindo essa linha de pensamento, BOUSOÑO (1956: 120-121), tomando como exemplo a frase "Antônio é pobre, pobre, pobre, pobre", diz que o último enunciado do vocábulo pobre não tem o mesmo significado do primeiro, pois, "al repetirse, la significación asciende hasta un grado rigurosamente superlativo, cuya intensidad desdobra a la del propio calificativo pobrísimo”. E explica que assim se verifica porque o primeiro adjetivo destila, no segundo, boa parte de seu conteúdo; e este, já enriquecido, golpeia, por sua vez, com todo o seu volume aumentado, o terceiro, ao qual insufla mais ainda o seu caudal de qualificação. Assim, "al terminar la serie, el adjetivo postrero se halla denso, pletórico de sustancia heredada". Acrescenta depois que "lo que acabamos de mostrar para el adjetivo vale para toda palabra", pois se alguém diz que, do alto, vê flores, flores, flores, flores, o sintagma já nao se refere vagamente a flores, “sino concretamente a una gran cantidad de ellas, a un inmenso jardin. Llegaremos a deducir de este modo, que toda reiteración posee virtudes intensificadoras del significado".

Em outro ponto, BOUSOÑO (1956: 206) volta a tratar da reiteração dizendo que a intensificação obtida ao se repetir a palavra é individualizadora, isto é, tem a particularidade de modificar a língua, dando-lhe fins poéticos. Para ele, a repetição gera um substituinte, ou seja, o elemento que vai atuar na modificação da língua, pois "sin sustituición, no hay poesía, aunque a veces los procedimientos se disimulan de muy variadas formas y parezcan no existir”.

Pelo exposto, portanto, não há dúvida de que não são exatamente idênticos os significantes e os significados de uma cadeia repetitiva. Do contrário, a reiteração perderia sua função poética e deixaria de ser expressiva para se tornar num mero vício tautológico. Se digo, por exemplo, “O menino rola rola rola”, o primeiro vocábulo da série reiterativa comunica normalmente o ato de rolar, isto é, dar voltas em torno de si; o segundo vocábulo, dito noutra entoação e movimento, acrescenta logo ao primeiro uma carga afetiva bem mais intensa; por último, no terceiro vocábulo, tanto a informação lingüística quanto o traço afetivo são levados ao máximo na cadeia, quase superlativo, traduzindo intensamente a ação de quem está girando em torno de si num movimento ininterrupto e muito rápido, marcado pela ausência de vírgula entre os elementos da série reiterativa.

Mais recentemente, pesquisando acerca da repetição, RAMOS (1983) destaca a função de auxílio à compreensão como sendo a principal função repetitiva; BESSA NETO (1991), por sua vez, destaca o fator de conexão como o preponderante nas repetições por ela analisadas; e MARCUSCHI (1992: 113), diz que, no texto, a repetição tem função coesiva (por seqüenciação e/ou referenciação) e formulativa (por reconstrução de estrutura, correção, expansão, parentetização ou retomada, enquadramento ou destaque), enquanto que, no discurso, tem função de auxílio à compreensão (por intensificação, reforço, esclarecimento), de organização do tópico discursivo (por amarração intermitente, reintrodução de tópico, delimitação de episódios, atualização de cena), de argumentação (por reafirmação, contraste, contestação), e de promoção da interação (por monitoração da tomada de turno, ratificação do papel de ouvinte, criação de humor/ironia, incorporação e responsividade).

Quanto à classificação de MARCUSCHI (1992: 113), discordamos de sua proposta de inserção da intensificação e do reforço dentre as funções de auxílio à compreensão, por serem a intensificação e o auxílio à compreensão (esclarecimento) realidades semânticas distintas, além do fato de, ao se intensificar uma noção, não se visar, necessariamente, esclarecer, como é o caso das intensificações resultantes do estado emotivo do emissor. Portanto, o melhor seria desdobrar a função de auxílio à compreensão nas funções de intensificação (dentro da qua1 se poderia inserir o reforço) e de elucidação (ou esclarecimento). Por outro lado, preferimos a nomenclatura função persuasiva no lugar de função argumentativa, uma vez que a argumentação é o meio e não o fim, isto é, argumenta-se para persuadir e não vice-versa.

Por último, KOCH (1997) diz que a repetição se destaca por sua natureza retórica, tendo em vista a sua função proeminentemente persuasiva. Outrossim, acrescenta que a repetição serve também para se ganhar tempo no processamento da mensagem falada (quando se gagueja repetindo ou se repete gaguejando).

Enfim, aproveitando contribuições diversas a com base na exposição que acabamos de fazer, podemos afirmar que as funções da repetição, resumidamente, seriam as seguintes:

1 FUNÇAO TEXTUAL

a) coesiva.

b) formulativa.

2 função discursiva

a) intensiva.

b) elucidativa.

c) persuasiva.

d) poética.

e) interacional.

f) organizadora do tópico discursivo.

A Repetição
no
sermão da 1ª sexta-feira da quaresma.

Vários são os processos lingüísticos empregados pelo emissor para expressar a emoção e atuar persuasivamente sobre o receptor. A escolha que se faz de algumas dentre as várias opções cabíveis é o que vai determinar o estilo do autor e até mesmo o estilo de época, em se tratando de uma obra literária.

Importa-nos fazer uma aplicação da teoria, exposta nesta monografia, no Sermão da 1ª Sexta-feira da Quaresma, com o objetivo de mostrar como a repetição serve para estabelecer a coesão textual, intensificar o discurso e, principalmente, persuadir.

Não há, no sermão mencionado, todos os casos de repetição vistos na classificação dada anteriormente, de forma que, nesta parte do trabalho, serão analisados e interpretados apenas os tipos de repetição encontrados nele.

Começando pela repetição lexical/sintagmáti-ca monolexical (ou MONOSSiNTAGMÁTICA) INTRA-ORACIONAL, constatamos a existência dos seguintes casos:

(1) “Mas com estarem tão declaradas, e porventura encarecidas, eu espero mostrar e demonstrar, que não só não é tão dificultoso como parece, o amor aos inimigos, senão muito fácil e natural ao homem, e tanto mais, quanto for mais homem.” (p. 315)

(2) “Se o ter inimigos é tentação, antes é tentação de vaidade, que de vingança.” (p. 315)

No exemplo (1), temos derivação, com função intensiva, ao amplificar a noção semântica expressa no verbo mostrar, enquanto que, em (2), temos diácope, com função coesiva do tipo seqüenciação, por retomar o termo tentação expresso anteriormente, sendo que ambos os casos, embora distintos, não deixam de desempenhar também a função persuasiva.

Prosseguindo, façamos agora uma apreciação das repetições léxicais/ sintagmáticas monolexicas (ou monossintagmáticas) transora-cionais encontradas, dentre as quais se destacam as anáforas, por serem, juntamente com o paralelismo, o tipo de repetição mais encontrado no sermão do Pe. Antônio Vieira, a ponto de, sozinhas, responderem por um terço das repetições fichadas:

(3) “Negar ou desprezar a dificuldade, não é arte, nem valor, nem razão.” (p. 311)

(4) “Dificultoso preceito! Dificultoso motivo! Dificultoso exemplo!" (p. 311)

(5) “Temos posto em campo contra a verdade e a equidade deste famoso preceito, divididos em três esquadrões, porém unidos no mesmo parecer, debaixo da bandeira da lei da natureza, os gentios; debaixo das Táboas da lei escrita, os judeus; debaixo da cruz e lei da graça, os cristãos; em suma, o gênero humano todo." (p. 313)

(6) “Acende e provoca esta batalha a trombeta da fama dizendo e bradando, que é honra: põe-se da parte do ódio e da vingança o mundo todo, que assim o manda, que assim o julga, que assim o aplaude, que assim o tem estabelecido por lei.” (p. 314)

(7) “E que faz a mesma natureza toda movida e governada pelo mesmo Deus? Vingam-se por instinto natural as feras na terra; vingam-se as aves no ar; vingam-se os peixes no mar; vinga-se a mansidão dos animais domésticos; vinga-se e cabe ira em uma formiga, para que neles ofendida se doa, neles agravada morda, neles tomem satisfação da sua injúria.” (p. 315)

(8) “O primeiro inimigo que houve neste mundo foi Lúcifer. Ele o primeiro traidor que se revestiu da serpente, ele o primeiro falsário que enganou a Eva, ele o primeiro ladrão e homicida, que não só roubou a Adão quanto possuía, mas até o despojou da mesma imortalidade.” (p. 316)

(9) “E a insolência de todos estes, armados do ódio que têm ao supremo e eterno Deus, está sempre subindo e fazendo guerra ao céu, à esca1a vista, com as suas ingratidões, com as suas injúrias, com as suas afrontas, com as suas blasfêmias de pensamento, de palavra, de obra:” (p 339)

(10) “Os amigos são muito poucos, e os que se conservam sempre em sua amizade e graça, sem cair em seu ódio, raríssimos. Pelo contrário, os inimigos de Deus, e os que vivem perpetuamente em seu ódio, não têm número. Estes são os hereges e os cismáticos, estes os maometanos e os judeus, estes os gentios e os ateus, estes os apóstolos e os maus cristãos.” (p. 339)

(11) “É verdade que Deus tem ódio a seus inimigos, mas é um ódio que dá largas vidas, é um ódio que dá imensas riquezas, é um ódio que dá cetros e coroas aos que não ama.” (p. 342)

(12) “...Lázaro era aquele pobre coberto de chagas, que jazia à sua porta, morto de fome, a quem o rico avarento tantas vezes ofendia todos os dias, quantas se assentava à mesa, sem lhe permitir as migalhas que dela caíam, quantas saía ou entrava pela sua porta, quantas via as suas chagas, quantas ouvia os seus gemidos, e quantas sabia que os seus cães lhe lambiam as feridas.” (p. 345)

O que caracteriza as anáforas transcritas acima é a repetição periódica, no início de cada segmento, de uma palavra ou sintagma geradores de uma isotopia intensiva que contamina o texto todo, de modo a produzir um efeito extraordinário de persuasão e, por que não dizer, de comoção, sobre o receptor da mensagem sermonística, efeito este acentuado em virtude de haver também, simultaneamente, repetição estrutural (paralelismo) reforçadora da intensificação. Outrossim, os elementos repetidos desempenham a função coesiva seqüencial e, no caso dos exemplos (6), (7), (8), (10) e (11), também referencial. De fato; no (6), o pronome o nos remete para o mundo todo; no (7), neles nos remete para átomos; no (8), ele nos remete para Lúcifer; no (10), estes nos remete para inimigos de Deus; e no (11), um ódio que dá, nos remete para o ódio que Deus tem. Isso tudo evidencia que, ao promover a coesão, a repetição contribui não só para a amarração do texto como também para clarificá-lo.

Notamos ainda, nos mecanismos anafóricos analisados, o desempenho da função formulativa, na medida em que a repetição favorece a expansão do texto e, dessa forma, não deixa de servir também para a amplificação de uma noção semântica anteriormente expressa, como é o caso do exemplo (3) em que, após dizer que “Negar ou desprezar a dificuldade não é arte”, se acrescenta “nem valor, nem razão”, num desdobramento que, teoricamente, poderia se expandir indefinidamente.

Prosseguindo a análise, vejamos agora três tipos de repetição lexical monolexical transoracional, encontrados numa freqüência muito baixa no sermão do Pe. Antônio Vieira, os quais, seguindo a ordem de transcrição abaixo, seriam a epístrofe, a mesodiplose e a epímone:

(13) “A vista diz que vê pão, o olfato que cheira pão, o gosto que gosta pão, o tato que apalpa pão, e até o ouvido quando se parte a hóstia, que ouve pão; e eu rindo-me dos meus próprios sentidos, e do testemunho conteste de todos cinco, creio que ali não há substância de pão, (...).” (p. 330)

(14) “É possível (diz a razão revestida em cada um de nós nela), é possível que haja eu de amar a quem me aborrece; desejar bem a quem me faz todo o mal que pode; honrar a quem me calunia; interceder por quem me persegue; e não me desafrontar de quem afronta?" (p. 314)

(15) “ (...) porque para amar basta a vontade, para fazer bem, é necessário ter com que o fazer. E se eu acaso for tão pobre e miserável que não tenha bem algum; como posso fazer bem a meus inimigos? Enganai-vos. Ninguém tem inimigos, que lhes não possa fazer bem; porque quem não tem bens, não tem inimigos. Tendes inimigos? Pois algum bem tendes vós, porque eles vos querem mal. E porque esta suposição universalmente é certa, por isso Cristo manda a todos os que tiverem inimigos, que não só os amem, senão que lhes façam bem: (...). Quem tem bens, assim como é certo que há de ter inimigos, assim é certo que pode fazer bem.” (p. 316)

Nota-se nos exemplos supracitados a recorrência dos itens lexicais (pão, quem, bem/bens) promotores da coesão textual, sendo que, no item (14), além da mesodiplose, temos anáfora de "é possível", que desempenha uma função formulativa (por parentetização).

A diferença entre eles ocorre, sobretudo, no fato de, em (13), termos uma repetição do substantivo pão, no fim dos segmentos, com efeito persuasivo de insistência, de reafirmação; em (14) há insistência também, do pronome quem, responsável pela coesão referencial, com destaque para o objeto do amor; e, em (15), há repetição aleatória de bem/bens que, em virtude de se tratar de um vocábulo polissêmico (podendo significar tanto “caridade”quanto “posses” e de possuir um plural heterossêmico, Vieira consegue, através desse jogo contrastivo/opositivo, não só argumentar com eficácia como também obter um excelente efeito estético.

Voltando-nos agora para a apreciação da repetição lexical / sintagmática PLURILEXICAL (ou PLURISSINTAGMÁTICA) transoracional, vejamos os dois casos encontrados; sendo, o primeiro, uma símploce; e, o segundo, uma antimetábole:

(16) “Creio que o Padre é Deus, creio que o Filho é Deus, creio que o Espírito Santo é Deus, e crendo juntamente que estas três pessoas são realmente distintas, creio outra vez, e mil vezes, que a Pessoa do Padre Deus, e a Pessoa do Filho Deus, e a Pessoa do Espírito Santo Deus, não são três Deuses, senão um só Deus.” (p. 329)

(17) “A imitação há de ser tão parecida ao exemplo, e o exemplo tão semelhante à imitação, como a idéia e o ideado, o original e a cópia, a representação e a coisa representada.” (p. 334)

Como se pode notar, aqui a repetição está a serviço da coesão seqüencial reforçada pelo paralelismo sintático, diferindo a símploce da antimetábole pelo fato de que, enquanto na símploce se destaca a insistência do elemento repetido numa mesma ordem (creio que, no início, e é Deus, no final de cada oração) com objetivos persuasivos; na antimetábole o que chama a atenção é o contraste, também com objetivos persuasivos, pela disposição em X dos elementos repetidos (a imitação – o exemplo / o exemplo – a imitação) intensificados pela repetição semântica, já que a segunda oração é uma paráfrase da primeira.

Vejamos a seguir os três tipos de REPETIÇÃO ORACIONAL encontrados no Sermão da 1ª Quarta-feira da Quaresma, os quais são por ordem de entrada, a palilogia, o ritornelo e a epanástrofe:

(18) “Não havia céu; disse Deus: Faça-se o céu; e fez-se o céu; não havia terra; disse Deus: Faça-se a terra; e fez-se a terra; estava tudo às escuras; disse Deus: Faça-se a luz; e fez-se a luz.” (p. 326)

(19) “Ama a teu inimigo; porque amando a ele, me amas a mim; e se ele te não merece que o ames, mereço-te eu que me ames nele. Ama a teu inimigo; porque se ele te ofende com o seu ódio, mais te ofendes tu com o teu: o teu te mete no inferno, e o seu não. Ama o teu inimigo; porque amigos já os não há, e se não amares os inimigos, estará ociosa a tua vontade, que é a mais nobre potência, e privarás o teu coração do exercício mais natural, mais doce e mais suave, que é o amor. Ama a teu inimigo; porque o não ajudes contra ti, e tenhas dois inimigos, um que te queira mal, e outro que te faça o maior de todos. Ama a teu inimigo; porque se ele o faz com razão, deves emendar-te; e se contra razão, emendá-lo. Ama a teu inimigo; porque se o seu ódio vil é filho da inveja, mostre o teu amor generoso, que por isso não é digno de vingança, senão de compaixão. Ama a teu inimigo; porque ou ele é executor da Divina Justiça para castigar a tua soberba, ou ministro da sua Providência, para exercitar a tua paciência, e coroar a tua constância. Ama a teu inimigo; porque Deus perdoa a quem perdoa, e mais nos perdoa ele na menor ofensa, do que nós ao ódio de todo o mundo nos maiores agravos. Ama a teu inimigo; porque as setas do seu ódio, se as recebes com outro ódio, são de ferro, e se lhes respondes com amor são de oiro. Ama a teu inimigo; porque melhor é a paz que a guerra; e nesta guerra a vitória é fraqueza, e o ficar vencido, triunfo. Ama a teu inimigo; porque ele em te querer mal imita o demônio; e tu em lhe querer bem pareces-te com Deus. Ama a teu inimigo; porque esse mesmo inimigo, se bem o consideras, é mais verdadeiro amigo teu, que os teus amigos: ele estranha e condena os teus defeitos, e eles os adulam, e lisongeiam. Ama a teu inimigo; porque se o não queres amar porque é inimigo, deve-lo amar, porque é homem. Ama a teu inimigo; porque se ele te parece mal, amando-o tu, não serás como ele. Ama a teu inimigo; porque as maiores inimizades cura-as o tempo, e melhor é que seja o médico a razão, que o esquecimento. Ama a teu inimigo; porque os mais empenhados inimigos dão-se as mãos, se o manda o rei; e o que se faz sem descrédito, porque o manda o rei, porque se não fará, porque o manda Deus? Finalmente, sem subir tão alto, ama a teu inimigo; porque ou ele é mais poderoso que tu, ou menos: se é menos poderoso, perdoa-lhe a ele, se é mais poderoso, perdoa-te a ti.” (p. 324)

(20) “Mudou-se Deus? Mudou-se Moisés? Ou são os mesmos? Os mesmos são, não se mudaram: mas estes são os ódios de Deus, e estes os amores dos homens.” (p. 337)

Em (18) há repetição com variação flexional das orações “Faça-se o céu” e “Faça-se a terra”, com força retórica resultante dessas reafirmações (“e fez-se o céu”, “e fez-se a terra”) acentuada pelo paralelismo sintático com função coesiva seqüencial.

Em (19), algo semelhante ocorre, só que aqui o refrão "Ama a teu inimigo", repetido dezessete vezes, num martelar constante, intercalado pela inserção de orações causais veiculadoras de poderosos recursos persuasivos, resulta num efeito retórico ímpar, além de responder pela coesão seqüencial que amarra os elementos constituintes do texto.

Em (20), todavia, a repetição em X tem função contrastiva, de destaque e de intensificação, por reafirmar a noção expressa na oração “São os mesmos”, repetindo-a invertendo os seus termos (“Os mesmos são”).

Quanto à REPETIÇÃO ESTRUTURAL manifestada através do paralelismo sintático, este é um recurso reiterativo preponderante no sermão estudado, vindo quase sempre associado com outros tipos de repetição, como pudemos verificar nos casos comentados até aqui, aos quais acrescentamos os seguintes:

(21) “Salta o coração, bate o peito, murcham-se as cores, chamejam os olhos, desfazem-se os dentes, escuma a boca, morde-se a língua, arde a cólera, ferve o sangue, fumegam os espíritos; os pés, as mãos, os braços, tudo é ira, tudo fogo, tudo veneno.” (p. 314)

(22) “Nem Saul havia de aborrecer a Davi se não fora mais valente; nem Abimaleque a Isaque, se não fora mais rico; nem os Sátrapas a Daniel, se não fora mais sábio.” (p. 317)

(23) “Se nasce o seu sol, para todos nasce; se desce a sua chuva, para todos desce.” (p. 338)

Em (21), o paralelismo resultante da recorrência da mesma estrutura sintática das dez orações iniciais (Salta o coração, bate o peito, murcham-se as cores, chamejam os olhos, desfazem-se os dentes, escuma a boca, morde-se a língua, arde a cólera, ferve o sangue, fumegam os espíritos) preenchidas com itens lexicais diferentes seguido de outro paralelismo resultante do desdobramento de um termo da última oração da série (fumegam os espíritos; os pés; as mãos; os braços) e do paralelismo das três orações finais do período (tudo é ira, tudo fogo, tudo veneno), responde pela coesão e pela expansão do texto, ad infinitum, teoricamente falando, sem falar na força argumentativa sem igual que tal recurso proporciona. Outrossim, a dinamicidade expressa pelos verbos das orações paralelas, reforçada pelo paralelismo sintático, resulta numa extraordinária construção poética.

Quanto aos outros casos, ressaltamos o efeito contrastivo em (22) e a intensificação pela insistência da mesma noção, além da repetição de itens lexicais (nasce, desce), em (23).

Vale observar que o abuso do paralelismo em Vieira pode dar a impressão de um certo artificialismo retórico mas, segundo MARTINS (1989: 181), "não se pode negar que ele constitui um processo de ordenação harmonioso, elegante e claro das idéias".

Finalmente, voltando as nossas atenções para a REPETIÇÃO SEMÂNTICA, vejamos como ela acontece, respectivamente, na parassinonímia e na paráfrase:

(24) “Infinitas são as razões e motivos que o Senhor pudera dar para persuadir o que mandava. Ama a teu inimigo (pudera dizer) para que ele também te ame; porque não há modo, nem meio, nem diligência, nem feitiço mais eficaz para ser amado, que amar.” (p. 324)

(25) “Que melhor é para os homens, e mais útil, Deus irado, que o homem propício; Deus com ódio; que o homem com amor.” (p. 337)

Em (24) há recorrência de sentido mediante itens lexicais distintos (modo, meio, diligência, feitiço) mas veiculadores de conteúdos semânticos análogos com efeito intensivo e persuasivo, resultante da reafirmação de uma mesma noção com o propósito de se fixar, na mente do receptor da mensagem evangélica, um princípio para ser seguido pelos fiéis; enquanto que, em (25), a1go semelhante acontece, com destaque para o efeito contrastivo da paráfrase (Deus com ódio; que o homem com amor).

Conclusão

Do exposto, não resta dúvida de que a repetição é um recurso lingüístico riquíssimo e muito útil para a expressão não só dos nossos pensamentos como também dos nossos sentimentos, não se constituindo, portanto, num defeito de expressão oral ou escrita, como pode parecer para alguns desavisados usuários da língua, se devidamente empregada.

Textualmente falando, ficou patente através dos vários mecanismos repetitivos estudados que, além da função formulativa, a repetição tem função coesiva incontestável, em termos de facilitar a decodificação da mensagem implícita num texto ao amarrar os elementos lingüísticos presentes na superfície textual, conforme verificamos no sermão do Pe. Antônio Vieira.

Por outro lado, discursivamente falando, a repetição vai se revelar como um recurso bastante eficaz para, comovendo e emocionando, persuadir, mediante efeitos variadíssimos conseguidos com o emprego de inúmeros processos repetitivos, alguns deles bastante eficazes na configuração de isotopias intensivas. É nesse ponto que a repetição se conflui com a intensificação, se considerarmos que em muitos casos a repetição funciona como recurso amplificador, reforçador, intensificador e modulador da linguagem, que vai variar a depender do estado emotivo do emissor, da sua intenção, e, até mesmo, do seu estilo, o que nos leva a concluir que a repetição tem mais a ver com o estilo ou com a subjetividade dos falantes do que com a gramática, com a Lógica e com a língua como uma realidade abstrata, independente dos seus usuários.

Também não podemos deixar de reconhecer que Vieira, ao usar a repetição, soube colocá-la a serviço de um gênio literário para o qual a argumentação é de fundamental importância, e saiu-se muito bem, não só por ter sido original, ao realizar construções de notável beleza artística; mas, principalmente, por ter descoberto na repetição uma estratégia lingüística poderosíssima para a fixação da mensagem salvífica do Evangelho no coração dos seus ouvintes, uma vez que o martelar constante de uma idéia, conceito ou noção, tem o efeito de penetrar fundo em nossas almas a ponto de, mesmo após ter ouvido a mensagem sermonística, as palavras do pregador continuarem ecoando em nossas consciências.

Em razão do que acabamos de afirmar é que se pode entender a preferência de Vieira pela anáfora (e pelo paralelismo como recurso reforçador da repetição anafórica) em que primeiro se lança um conceito e depois repete-o, cadenciadamente, após intervalos regulares, de forma a que esse conceito cale fundo na alma dos ouvintes, reverberando como um eco.

Finalmente, a pesquisa realizada nos conduziu ainda à certeza de que a repetição é muito mais abrangente do que se possa imaginar em termos de não se limitar apenas à reiteração de itens lexicais, por haver também repetições semânticas e estruturais, dentre outras modalidades de repetição, além de nos ter levado a reconhecer a existência de uma variada gama de funções repetitivas.

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