PARTICULARIDADES LINGÜÍSTICAS
NO PORTUGUÊS DE ANGOLA

Anete Mariza Torres Di Gregorio (UERJ e UNIG)

 

RESUMO

(Re)pensar sobre os laços histórico-culturais e lingüísticos que unem os países lusófonos é a razão mais abrangente da reflexão aqui apresentada. Seleciono um recorte específico, traçando a linha tronco de minhas considerações: eixo Portugal-Brasil, para que posteriormente possa desmembrar as conexões entre Portugal-Angola e Angola-Brasil. Só assim, a meu ver, viabiliza-se o alcance do objetivo da pesquisa: ressaltar as particularidades lingüísticas no Português de Angola. A proposta inicial é discutir, não puramente a questão terminológica, mas as possíveis implicações que podem advir da escolha de uma nomenclatura para classificar o português do Brasil e, por conseguinte, o português de Angola. Para tal, sigo a trilha de Celso Cunha, cujas idéias lúcidas são expostas em diversas obras acerca de o assunto. Na segunda parte, esboço algumas peculiaridades lingüísticas no Português de Angola. Todavia, é importante lembrar que de qualquer comparação só se podem extrair conclusões válidas, se feita em termos relacionáveis. Por isso, estabeleci como parâmetro de estudo, exclusivamente, a linguagem jornalística empregada nesses países. O jornal forneceu-me a possibilidade de trabalhar dois aspectos: o da norma culta (usada nas diversas seções) e o da norma popular (vislumbrada em crônicas permeadas por gírias). Dessa forma, flagro a língua em ebulição no ano de 1999, revelando a fotografia lingüística de Angola na passagem do século XX ao XXI.

PALAVRAS-CHAVE: dialetologia; português de Angola; linguagem jornalística.

 

O ingresso crescente de estudantes angolanos em Universidades Brasileiras impõe a todos os professores, em especial aos professores de Língua Portuguesa, um novo desafio: (re)pensar sobre os laços histórico-culturais e lingüísticos que unem os países lusófonos.

No presente artigo, a linha tronco de minhas considerações será o eixo Portugal-Brasil, para que posteriormente possa desmembrar as conexões entre Portugal-Angola e Angola-Brasil. Só assim, a meu ver, viabiliza-se o alcance do objetivo do estudo: ressaltar as particularidades lingüísticas no Português de Angola.

A proposta inicial é discutir, não puramente a questão terminológica, mas as possíveis implicações que podem advir da escolha de uma nomenclatura para classificar o português do Brasil e, por conseguinte, o português de Angola.

Ao se tomar por base a dialetologia hispânica, o emprego do termo dialeto para designar o espanhol e o português americano em seu estado atual torna-se impróprio, sem apoio científico. Segundo o lingüista russo Gueorgi Stepanov, o termo dialeto evoca a “idéia de dependência (mais unilateral que recíproca) entre o dialeto, modalidade lingüística tida como inferior, e o idioma nacional concebido sempre como a síntese superior.”(CUNHA, 1985: 64)

Quanto ao português e ao espanhol, é incontestável a existência de uma comunidade lingüística ibero-americana. Ao mesmo tempo, é inegável que as modalidades americanas do português e do espanhol, que elaboram suas próprias normas, até no campo da expressão literária, devem qualificar-se como objetos sociolingüísticos especiais, em certo sentido autônomos, coexistindo nas fronteiras da citada comunidade lingüística, sólida e dinâmica em seu processo evolutivo.

Stepanov dá o nome de variante nacional a esse novo objeto sociolingüístico – subsistema de um arqui-sistema. Para ele, “a diferença básica do valor metodológico entre o dialeto e a variante nacional consiste em distintos modos de funcionamento social: o primeiro (o dialeto) é utilizável só por uma parte da comunidade humana no seio de uma nação; a segunda (a variante) é um instrumento usado pela nação inteira.” (CUNHA, 1985: 65)

Sob este ponto de vista, as peculiaridades da variante peninsular em confronto com as peculiaridades lingüísticas americanas (americanismos) permitem também classificar-se como “desvios” (iberismos), já que todas as variantes são paritárias.

Stepanov afirma-nos ainda que “o prestígio da protovariante peninsular condiciona uma situação especial entre as variantes paritárias e leva ao dualismo das normas utilizáveis e à realização assimétrica delas na variante americana”. (CUNHA, 1985: 66)

Era esta também a visão de Celso Cunha referente à primeira distinção que as variantes européia e americana do português apresentam em sua forma culta: em Portugal, vigora uma norma relativamente estável; enquanto ocorre, no Brasil, a dualidade ou a assimetria de normas, provocando a oscilação constante do português culto americano.

Para concluir a primeira parte deste artigo, quero deixar claro o porquê da escolha pela expressão variante nacional.

Conforme Celso Cunha, penso que “nenhuma das modalidades nacionais do português pode nem deve ser considerada “falar dialetal” ou “patois” em relação ao português europeu, ou a qualquer forma de língua tomada por modelo”. (CUNHA, 1985: 56)

Torna-se, portanto, imperativa a necessidade de legitimar-se o convívio de várias normas lingüísticas para que se tornem mais estreitos os laços com as comunidades que têm o português como primeira ou segunda língua. Não há hierarquia de normas, constata-se, apenas, relações de igualdade ou de diferença.

Logo, sem nenhum juízo de valor, a norma pode variar no interior de uma comunidade idiomática, seja de um ponto de vista diatópico (português de Portugal, português do Brasil, português de Angola), seja de um ponto de vista diastrático (linguagem culta, linguagem média, linguagem popular), seja, finalmente, de um ponto de vista diafásico (linguagem poética, linguagem da prosa). Tudo isso sem alterar a coesão do sistema, que faz a unidade fundamental da língua. Sistema e norma são coisas distintas. O que varia é a norma.

Levando-se em conta essas possibilidades e não obstante as variantes nacionais portuguesa, brasileira, angolana e outras, assim como o grande número de dialetos, pode-se afirmar que a língua portuguesa constitui uma unidade, estruturada num sistema gramatical e num vocabulário básico comuns e cristalizada por uma tradição escrita plurissecular.

Passo agora à segunda parte, em que tentarei esboçar algumas particularidades lingüísticas no português de Angola.

A recolha do exemplário aqui apresentado foi realizada no único jornal diário angolano –Jornal de Angola (setembro e outubro de 1999) – o que me permitiu ver a fotografia lingüística desse momento como reflexo da sociedade do final da década de 90, flagrar a língua em ebulição na passagem do século XX ao XXI. E, sobretudo, sentir as diferenças e os traços comuns entre as três variantes nacionais da língua portuguesa: a de Portugal, a do Brasil e, singularmente, a de Angola. É fundamental informar que, para a definição de sentidos das gírias arroladas, contei com a colaboração graciosa de estudantes angolanos vindos de seu país no ano em questão.

Ao contrastar essas modalidades nacionais do idioma português, não pretendo trazer à baila as discussões sobre os diversos conceitos de brasileirismo e, por extensão, de angolismo.

Viso a salientar, principalmente, que a criação de uma forma idiomática ou a especialização semântica de outra não se fazem ao acaso, mas com um interesse direcionado: fazer valer a sua personalidade. No caso específico, a sua personalidade de angolano.

Esta é também a reivindicação brasileira desde José de Alencar, exacerbada pelo movimento modernista de 1922, que incitava a preferência sempre por palavras e construções vivas do português do Brasil a outras, mortas e gélidas, depositadas nos dicionários e nos compêndios gramaticais. Os modernistas exigiam uma elasticidade maior da expressão, sintaxe mais livre, menos sujeita às normas severas do português europeu. Alguns avanços já foram feitos, assiste-se hoje à aceitação de um maior liberalismo gramatical, mas, infelizmente, presencia-se ainda uma série de preconceitos lingüísticos.

Espero, ardentemente, que após a recente conquista de uma pátria política (apenas três décadas de independência), os escritores angolanos construam uma pátria cultural sólida, delineando suas marcas lingüísticas a fim de que se faça conhecer melhor em toda a comunidade lusófona.

Angola – nome derivado de NGOLA, sede do reino dos NGOLA – é um país da África Austral, com um território de 1.246.700 km2 e cerca de 13,4 milhões de habitantes. Adota a língua portuguesa como oficial, mas, como língua materna, o português não é a primeira língua desse país. Predominam na população as línguas nativas africanas, que servem de instrumento de comunicação nas múltiplas situações correntes da vida, entre elas: kimbundu, umbundu, kuanhama, cokwe, kikoongo, herero. (CAMPOS, 1998: 23).

O português, portanto, sendo a língua oficial é utilizado na administração, no ensino, na imprensa, bem como para a sua comunicação com o exterior, em relações diplomáticas ou comerciais. Logo, seus usuários aprenderam-no na escola, adquirindo nova competência lingüística e um desempenho, na língua escrita, próximo do de um nativo de Portugal.

Ratifico que são os traços comuns e as diferenças entre o português de Portugal, o português de Angola e o português do Brasil observáveis na língua escrita, que me cumpre apresentar.

Todavia, é importante lembrar que de qualquer comparação só se podem extrair conclusões válidas, se feita com termos relacionáveis. Por isso, estabeleci como parâmetro de estudo, exclusivamente, a linguagem jornalística empregada nesses países.

O jornal forneceu-me a possibilidade de trabalhar duas questões: a da norma culta (usada nas diversas seções) e a da norma popular (vislumbrada em crônicas permeadas por gírias).

Em relação à norma popular, focalizarei a gíria, na concepção de Amadeu Amaral: “é a linguagem popular no seu cunho mais expressivo e é também a linguagem nova, na sua fase mais rudimentar. A gíria é uma onda que vai e volta renovada”. (RECTOR, p. 39)

No que diz respeito à morfologia e à sintaxe, comprova-se uma série de identidades entre o português de Portugal e o de Angola, contrastando com a modalidade brasileira.

Cito algumas dentre elas:

a) Em Portugal-Angola encontra-se normalmente o registro do mais-que-perfeito simples com o seu sentido temporal, ao passo que no Brasil tende a fixar-se a preferência pelo uso do mais-que-perfeito composto:

“Quando ouvira falar do Luís Fernando, bem no começo dos idos de oitenta, ...”

 

b) O emprego da mesóclise no futuro é corrente no português europeu e no português angolano, o que não se verifica no português brasileiro:

“De 8 a 10 realizar-se-á a Feira de Música no Campo de jogos Manuel Berenguel...”

Mas, observa-se na variante nacional de Angola, ainda que timidamente, a interferência da norma usual brasileira: colocação em próclise no futuro. Destaco o exemplo:

“... enquanto os políticos se desdobrarão, com certeza, em maratónicas sessões de discursos... ”

 

c) Uso de estar a + infinitivo, em Portugal-Angola, e que no Brasil é substituído por estar + gerúndio:

“Os investigadores que estão a trabalhar no desenvolvimento dos futuros pilotos electrónicos asseguram que as rotas automatizadas serão mais seguras e eficazes.”

 

d) Portugal-Angola empregam os pronomes possessivos com artigo em casos em que Brasil não o faz:

“...dados adequados para analisar, validar e determinar as suas prioridades económicas e sociais. ”

 

e) O português de Portugal bem como o português de Angola mantêm, no código do tratamento, o uso de tu (te) informalmente e vós (vos) em situação formal:

Tu já escrevestes sobre isso.”

“Escolhemos esta peculiar maneira de saudar-vos neste momento e neste local, em homenagem ao homem de cultura que foi o poeta Agostinho Neto.”

Neste aspecto, ambas as modalidades nacionais distanciam-se, acentuadamente, da atual norma brasileira, que excluiu essas duas fórmulas.

 

f) Em Portugal-Angola empregam-se (para complicar a sintaxe do tratamento) si-consigo em circunstâncias que, no Brasil, utiliza-se você ou o senhor:

“Temos para si todo o tipo de eletrodomésticos.”

 

g) Tanto a variante nacional de Portugal quanto a variante nacional de Angola já não constroem com o pronome átono em próclise enunciados do tipo:

“Os participantes debruçaram-se, também, sobre a “caracterização das actuais actividades de emergência”...”

A variante nacional do Brasil, no entanto, continua construindo com o pronome átono em próclise, elaboração normal no português europeu clássico.

Cabe-me registrar que, embora com baixíssima freqüência, detectou-se no uso angolano o mesmo traço conservador utilizado no Brasil, no que concerne à colocação do pronome átono, conforme o exemplo:

“Se Noventa Palavras o distinguem como cronista antológico...”

Seria mesmo um caso de conservadorismo ou um sintoma de contaminação lingüística da variante nacional brasileira? Afinal, como já foi dito, intensifica-se o intercâmbio cultural entre Angola e Brasil.

 

h) Quando o pronome é complemento de um infinitivo, de um gerúndio ou de um particípio, no português brasileiro vem freqüentemente ligado a eles, enquanto em Portugal-Angola une-se sistematicamente ao verbo auxiliar:

“ Os testes vão-se centrando sobretudo nos transportes urbanos automáticos.”

Encerrando as comparações que estabelecem as identidades lingüísticas entre Portugal e Angola em oposição ao Brasil, compete-me mostrar, excepcionalmente, uma semelhança entre o português de Angola e o do Brasil, em contraste com o de Portugal.

É o caso do verbo ASSISTIR na acepção de “estar presente”, “presenciar”, cuja construção preferencial é realizada, hoje, considerando tal verbo como transitivo direto e não mais como transitivo indireto regido pela preposição a, segundo a tradição gramatical:

Assistiram o acto , o governador provincial de Benguela...”

Após o levantamento dos traços comuns entre as variantes nacionais do português europeu, do português angolano e do português brasileiro, interessa-me, agora, apontar as diferenças. Restrinjo-me, entretanto, a documentar exclusivamente as distinções entre a língua portuguesa de Angola e a do Brasil, devido à especificidade do trabalho.

Constata-se, na sintaxe, as seguintes:

a) O verbo VISAR no sentido de “ter em vista”, “ter por objetivo”, “pretender” é encontrado, no Brasil, sendo utilizado tanto como transitivo indireto – mantendo o rigor da língua culta – quanto como transitivo direto. Angola, no entanto, usa como transitivo direto, construção característica da língua coloquial:

“... a estratégia visa encontrar...”

 

b) O verbo PARAR na acepção de “fixar-se”, no Brasil, é regido pela preposição em. Ao passo que em Angola é regido pela preposição a:

“Ontem, todas as atenções foram parar à sede nacional dos correios.”

 

Quanto ao léxico, constata-se que o português de Angola possui um vocabulário que ora se distancia do de Portugal ora da variante nacional brasileira. Mas, especialmente, há também palavras e expressões particulares no português angolano.

Apresento, abaixo, três listas:

a) A primeira de termos comuns à variante nacional angolana e à variante nacional brasileira, mas com acepções diferentes na variante nacional portuguesa.

Palavras: “banda”(gíria) – zona local; em Portugal: a outra banda o outro lado do Tejo (em relação àquele onde está Lisboa); no Brasil, o uso é idêntico ao de Angola. Muamba – (do Kimbundu mu’hamba, ‘carga’)1. Espécie de canastra para transporte. 2. Furto de mercadorias de navios ancorados e de armazéns da alfândega. 3. Contrabando (gíria). 4. Espécie de ensopado de carne de vaca, galinha ou peixe que leva azeite-de-dendê. Em Portugal, termo usado apenas na quarta acepção; no Brasil, na terceira. Birita (gíria) – cachaça, por extensão, qualquer bebida alcoólica (não se encontrou essa palavra no “Dicionário Contrastivo Luso-Brasileiro”, logo não se pode afirmar nada a respeito de seu uso em Portugal. No Brasil, o sentido é o mesmo do de Angola. Zona (gíria) – região que se caracteriza por certas particularidades (de população e atividades econômico-sociais de exploração “amorosa”). Em Portugal: noite, estômago, na linguagem informal; no Brasil, o termo é também utilizado como em Angola.

 

b) A segunda de uma palavra com significação idêntica em Portugal e Angola, porém com sentido diferente no Brasil; e, duas expressões com formas idênticas em Portugal-Angola e diversa no Brasil.

Palavra: gamar (linguagem informal) – roubar, furtar subrepticiamente sem ser pressentido; no Brasil, vidrar.

Expressões: carta de condução – carteira de motorista; estudante bolseiro – estudante bolsista.

 

c) Por último, palavras e expressões da língua portuguesa em Angola, pertencentes à linguagem informal e, em sua maioria, à linguagem popular – particularmente, as gírias angolanas.

Palavras: maboque – fruto tropical típico de Angola; muadié (gíria) – amante, parceiro; bebucho (gíria): “meu fofo”, forma carinhosa de tratamento; pena de pato – escriturário, funcionário público; maka – problema; desbobinar (gíria) – falar intempestivamente, despejando com raiva segredos íntimos; imbamba (gíria) – tralha, coisa insignificante; alambamento – dote; gira-mulher (gíria) – homem desavergonhado, imoral; Hiace – Van (transporte); ruca (gíria) – carro; cumbú (gíria) – dinheiro; kota – pessoa de respeito, adulto; ndengue – criança; balande (gíria) – casa; mbuite (gíria) – cacete, porrete; kíbua (gíria) – zoação diante de uma queda; baçula (gíria) – queda; boelo (gíria) – burro; jinguba – amendoim; kapuka (cachaça); maluvo, variante de maluvu – bebida fermentada, própria de Angola, extraída da seiva de palmeiras ou de plantas similares; kazukuta (gíria que estava em desuso e reaparece agora) – confusão; Tuga (gíria) – Portugal; kimbangula – carregador de sacolas por qualquer trocado; caular (gíria) – comprar.

Expressões: ter em carteira – ter em arquivo; espaço que madeia – espaço vago; fazer dever – fazer uma carta para pedido de namoro firme, caracterizando compromisso de casamento futuro (costume mantido em certas regiões de Angola por algumas famílias tradicionais); grifar feio – vestir-se bem, com roupas de marca; quarenta e picos de idade – quarenta e tantos anos de idade; “pernão” a granel (gíria) – perna bem delineada na medida certa; espetar uma prega (gíria) – dar uma rasteira; por portas e travessas – ouvir de terceiros, boato; carro-cross – (gíria) – corrida de automóveis.

Diante do exposto, compete-me lembrar que se as últimas pesquisas registram significativas particularidades que aproximam o português falado em Angola do uso oral brasileiro, tal fato não ocorre na língua escrita. Este estudo permite-me declarar que, na língua escrita, o português angolano distancia-se mais da variante nacional do Brasil, seguindo, preferencialmente, a norma do português europeu.

Acho essencial, entretanto, confirmar que é através do léxico, constituído também de palavras originárias das línguas nativas africanas e, particularmente, da criação de gírias, que é demarcada a fronteira lingüística de Angola. Diferenças são desejáveis e sempre haverá. O que importa é que essas variabilidades venham a ser mais conhecidas pelos usuários da mesma língua de cultura. E, para isso, deve-se ter o concurso das Universidades como promotoras do intercâmbio de professores e alunos, a fim de que se possa partilhar os conhecimentos histórico-culturais e lingüísticos de todos os territórios de língua portuguesa.

As línguas de cultura têm variantes, variações e variedades, mas é preciso que se lute para que elas não extrapolem aquele matiz ideal preconizado por Jorge Luís Borges – “um matiz que seja bastante discreto para não entorpecer a circulação total do idioma e bastante nítido para que nele ouçamos a pátria”. (CUNHA, 1972: 85)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPOS, Bernardo. Kiela, Um jogo de origem africana. [Angola]: Elo, 1998.

CUNHA, Celso. A questão da norma culta brasileira. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985.

––––––. Língua portuguesa e realidade brasileira. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1972.

RECTOR, Mônica. A linguagem da juventude. Petrópolis: Vozes, [s/d.?].

VILLAR, Mauro. Dicionário contrastivo luso-brasileiro. Rio de Janeiro: Guanabara, 1989.