ORTOGRAFIA DO PORTUGUÊS NA PRÁTICA
COM FONÉTICA E FONOLOGIA
José Pereira da Silva (UERJ)
HENRIQUES, Claudio Cezar. Fonética, fonologia e ortografia: estudos fono-ortográficos do português. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. (Coleção “Português na Prática”)
Claudio Cezar Henriques é professor, filólogo e escritor, com exercício no magistério desde 1972. É titular de Língua Portuguesa na UERJ, leciona no Colégio Pedro II e na UNESA, mas já atuou também em diversos outros colégios e cursos e é autor de diversos livros.
Colegas como Reinaldo Pimenta, autor de Português Urgente, como Maria Emília Barcellos da Silva e José Lemos Monteiro são alguns dos que já teceram elogios a esse trabalho, conforme citarei a seguir.
Escreve Reinaldo Pimenta:
Acabaram as desculpas.
A partir desta obra, estudante nenhum poderá alegar que Fonética, Fonologia e Ortografia são matérias chatas, complexas ou inúteis. A longa experiência do autor no magistério o credenciou a produzir este livro, brindando o leitor com uma linguagem clara e uma abordagem privilegiadamente funcional. Mais que os cânones teóricos, aqui o que explica e ilumina é a prática, o idioma nosso de cada dia.
Acabaram-se as desculpas.
Escreve Maria Emília Barcellos da Silva, Professora da UFRJ e da UERJ e integrante do quadro permanente da Academia Brasileira de Filologia:
A tônica deste livro, tanto nos estudos fonológicos como nos temas sobre ortografia, é a teoria comedida e a prática exacerbada – aquela a serviço desta. Tal prescrição se concretiza por meio da organização de exercícios de fixação, sempre que possível calcados em ocorrências da língua em uso colhidas nos flagrantes do cotidiano divulgados na mídia, nas letras das canções populares tanto brasileiras quanto portuguesas, recursos estrategicamente articulados com a finalidade de apresentar e discutir as normas que matizam a fala do homem comum, reconhecidamente o verdadeiro “construtor” do idioma por que se expressa.
Escreve José Lemos Monteiro, sócio correspondente da Academia Brasileira de Filologia e autor profícuo e professor de quase todas as universidades do Ceará:
Pelo seu caráter prático e consistente apoio teórico, Fonética,fonologia e Ortografia tende a tornar-se indispensável aos alunos dos Cursos de Letras e aos estudiosos de nossa língua em geral. O estilo leve que se traduz numa linguagem clara, a distribuição bem seqüenciada dos assuntos tratados e os oportunos exercícios de fixação com certeza facilitam a aprendizagem de seus conteúdos.
Na primeira parte do volume (p. 3 a 42) são apresentados os suportes teóricos de Fonética e de Fonologia para a prática de Ortografia, e ocupa a maior parte do volume (p. 45-118), que inclui sua descrição e sua história, assim como discute alguns de seus problemas e questões relacionadas a seu ensino.
Sem a pretensão de esgotar o assunto, pois o livro tem objetivos bem práticos, Claudio trata da terminologia básica de Fonética e Fonologia em apenas 11 tópicos, em que escreve sobre “Forma”, “Dupla articulação da linguagem”, “Fonação”, “Fonética e fonologia”, “Pertinência e comutação”, “Fonema”, “Alofone”, “Arquifonema e debordamento”, “Grafia”, “Letra e grafema” e “Palavra fonológica e palavra ortográfica”. Trata do “Alfabeto fonético”, apresenta a “Classificação dos fonemas do português”, os “Encontros vocálicos, dígrafos e encontros consonantais” e as questões relativas a “Norma e uso”, disponibilizando sempre boas páginas de exercícios depois de cada capítulo.
Na segunda parte, em que trata da Ortografia, a matéria está apresentada em seis capítulos, seguidos de um sétimo com textos suplementares e de um apêndice com uma seleção de questões de fonética, fonologia e ortografia extraídas dos seis exames de Letras do “Exame Nacional de Cursos – Letras”.
Entre as regras da ortografia da língua portuguesa, um dos problemas mais complicados é a acentuação gráfica, que tem um grande número de regras e um número ainda maior de exceções.
Claudio identifica um fato bastante perceptível a quem observa com atenção a nossa acentuação gráfica, simplificando a questão nos dois primeiros parágrafos do capítulo (p. 53):
As regras de acentuação se baseiam em critérios bastante práticos, que se fundamentam na verificação do quantitativo existente no léxico da língua de cada um dos grupos de tonicidade, com os objetivos de: 1) acentuar o menor número possível de palavras; 2) empregar o acento com a finalidade de garantir uma única pronúncia para a palavra.
Assim, como o menor contingente de palavras portuguesas é de PROPAROXÍTONAS, a regra determina que todas sejam acentuadas. A seguir, opondo-se os outros dois contingentes, a regra examina quais as terminações com menor incidência entre as OXÍTONAS e as PAROXÍTONAS e determina o emprego de acento nos grupos minoritários. Por fim, como as questões envolvendo ditongos e hiatos não ficam resolvidas pelas regras básicas, novamente se recorre às ocorrências desses encontros vocálicos para se determinar o emprego de acento nos grupos de menor freqüência. Isso explica, por exemplo, por que nos ditongos abertos a regra só menciona ÉI, ÉU e ÓI, que têm menor ocorrência do que seus correspondentes fechados: não há em português o ditongo aberto ÓU (existe a pronúncia brasileira [w], mas a grafia é com L: sol [sw]).
Verificando que os trabalhos do Professor Francisco Dequi (2002 e 2005)[1] não são relacionados na bibliografia desta obra, perguntei a seu autor se não os conhecia e ele confessou que, de fato, não conhece tais livros.
Isto, mais uma vez me convenceu de que a verdade é reveladora por si mesma, independentemente do ponto de vista do investigador. Assim como o professor gaúcho, preocupado com a metodologia do ensino da língua portuguesa, depreendeu regras tão simples para o ensino da acentuação gráfica, o nosso Claudio chegou a reflexão idêntica, convergindo para soluções semelhantes, que poderão resultar em importante progresso neste particular, nas próximas edições dos respectivos trabalhos.[1] DEQUI, Francisco. Português fono-orto-morfo. 5ª ed. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais, 2002 e Neopedagogia da gramática. Canoas: Centro de Estudos Sintagramaticais, 2005.