PLAUTO E A AULULARIA
Mariza Mencalha de Souza (UFRJ)
Resumo:
Apresentação da
vida
e
obra
do comediógrafo
latino
Plauto.
Destaque
de
alguns
aspectos
da
comédia
Aululária,
sobretudo de
seus
personagens
e
enredo.Resumo
dos
atos
e
cenas
da
peça.
PALAVRAS-CHAVE: Plauto; Aululária; Euclião.
PLAUTO:
VIDA E
OBRA
Plauto nasceu
em Sársina, na Úmbria, provavelmente
em 254 a.C., e morreu
em 184 a.C.,
data esta apresentada
por
Cícero no Brutus (15, 60) e aceita
pela
maioria dos
especialistas
modernos
que se dedicaram ao
estudo da
vida e
obra do comediógrafo
latino. Provinha de
família modesta,
mas
não sabemos ao
certo se
era
livre
ou
escravo
liberto,
embora a
primeira
hipótese seja apontada
pela
crítica
como a
mais
plausível.
Sua
língua
materna
era o umbro, mesclado
talvez de
elementos célticos,
mas conhecia o
grego e
tinha
grande
domínio do
latim, adquirido,
para
alguns, na Úmbria latinizada e,
para
outros,
em Roma,
para
onde supõem
ter
ido
bem
jovem.
Chegando à
Urbe, ingressou, informa Aulo Gélio, numa
companhia
teatral, tornando-se
algum
tempo
depois
senhor de uma boa
fortuna, perdida no
comércio
marítimo e nas
viagens empreendidas
pelo
Mediterrâneo.
Arruinado, teve de
voltar a Roma e sujeitar-se ao
duro
trabalho de
moleiro,
para
garantir o
seu
sustento.
Entre
um
intervalo e
outro da
penosa
profissão, compôs as
comédias Saturio, Addictus e uma
terceira,
hoje
desconhecida. As
três
peças,
já revelando o
gênio do
poeta, fizeram
grande
sucesso e,
desde
então, permitiram a Plauto
refazer a
vida e
dar a
ela
um
novo
rumo.
A
partir daí, a
fama e a
popularidade do
dramaturgo viriam a
crescer
cada
vez
mais.
Isto é comprovado
não
só
pela
audiência
que tiveram
suas futuras
comédias
junto ao
público,
mas
também
pelo
próprio
fato de circularem e serem representadas
após
sua
morte
dezenas de
peças
com
seu
nome, tidas
mais
tarde
como apócrifas
ou duvidosas.
Era
um
total de 130
comédias.
Varrão,
todavia, analisando e comparando o
estilo e a
língua
empregados nessas
peças, chegou à
conclusão de
que
apenas vinte e uma delas eram plautinas.
Desse
grupo das
comédias autênticas, conhecidas
como Varronianae, chegaram
até
nós
alguns
fragmentos da Vidularia e as vinte
peças
seguintes: Amphitruo, Asinaria, Aulularia,
Bacchides, Captiui, Casina, Cistellaria, Curculio, Epidicus, Menaechmi, Mercator,
Miles gloriosus, Mostellaria,
Persa, Poenulus, Pseudolus, Rudens,
Stichus, Trinummus e Truculentus.
Nada existe de
seguro
quanto ao
ano de
representação dessas
obras.
Com
exceção do Stichus e do Pseudolus,
encenados,
respectivamente,
conforme
suas didascálias,
em 200 e 191 a.C., as
demais
peças possuem
datas aproximadas, algumas
ainda incertas e controversas, outras aceitas
sem
muita
polêmica e coincidentes
entre
si na
opinião de
vários
críticos.
Plauto estreou no
teatro
cômico, a
julgar
pela
data da
comédia
mais
antiga, fixada
em
torno de 215 a.C., aos quarenta
anos, e
somente o abandonou aos setenta,
quando,
por
volta de 185 a.C., levou ao
palco a Casina,
considerada
pela
crítica
como
sua
última
peça.
Nos
seus
prováveis trinta
anos de
carreira, Plauto dedicou-se
apenas à
comédia.
Seu
período de
maior
produção
literária ocorreu
por
volta de 204-194 a.C.,
portanto,
entre os
seus cinqüenta e sessenta
anos de
idade.
Antes de
abraçar a
profissão de comediógrafo, atuou
como
palhaço
em algumas
farsas atelanas e exerceu
alguns papéis
em
mimos,
experiência
que deixou profundas
marcas
em
seu
teatro.
Viveu de
sua
arte e
para
ela, exercendo, a
um
só
tempo, o
papel de
diretor de
companhia
teatral,
empresário,
ator,
autor e
editor das próprias
peças. Atuou
como
personagem
em algumas de
suas
comédias e dedicou-se
inteiramente à
composição da palliata,
gênero de
temas e
personagens
gregos.
A palliata de Plauto foi
grandemente elogiada
por
Varrão,
Cícero e Élio Estilão, e atravessou os
séculos, despertando o
interesse de comediógrafos e
estudiosos de várias
épocas.
APRESENTAÇÃO DA AULULARIA
Personagens
Os
personagens
que se envolvem
diretamente na
trama da
peça, contracenando
ou
não
com o
protagonista Euclião (gr. eû-kléos, boa
fama
ou eu-kleío,
aquele
que esconde), seguem
abaixo relacionados,
com
seus
nomes,
traços e papéis.
a) Licônides
(gr. Lykonídes, de lúkon eîdos,
semelhante ao
lobo): é o
jovem
galã da
peça. Aparece
somente no
final do
enredo,
para
confessar o
mal
que fizera a Fedra.
Apesar de
sua
personalidade
fraca e de
sua
estroinice, é
um
bom
rapaz.
b) Fedra (gr.
Phaîdra,
brilhante,
termo
associado,
sem
dúvida, à
beleza
física da
moça):
filha de Euclião.
Jovem engravidada
por Licônides na
festa de Ceres. Será prometida
em
casamento a Megadoro.
Só aparece na
peça
para
dar à
luz e
conhecer o
pai de
seu
filho. O
traço
mais
marcante de
seu
caráter é a religiosidade.
c) Estáfila (gr. staphyle,
cacho de
uva
madura,
denominação
que condiz
com
seu
gosto
pelo
vinho):
criada de
Euclião. Exerce na
peça o
papel de
confidente de
Fedra e compartilha do
drama da
moça
até o
fim. É
zombeteira,
porém dedicada
ao
seu
amo.
d) Congrião (gr.
góggrion, côngrio,
peixe
intruso,
imagem, possivelmente, aproveitada
por Plauto
para
destacar
esse
traço do
caráter de Congrião):
um dos
cozinheiros contratados
por Megadoro
para
preparar o
banquete de
suas
núpcias
com Fedra. É intrometido e tem
fama de
ladrão.
e) Megadoro (gr. méga dôron,
grande
dom,
generoso):
irmão de
Eunômia e
tio de
Licônides.
Velho
solteirão e
rico,
que se
notabiliza
pela
generosidade e
caráter
zombeteiro.
f) Eunômia (gr.
Eunomía, boa
ordem,
nome mítico de uma das
três
Horas
que controlavam as
estações do
ano e as
portas do
céu):
mãe de Licônides. Representa,
juntamente
com o
irmão,
um
legítimo
símbolo da “burguesia”
romana.
Suas
qualidades
mais
notáveis
são a
serenidade, a
discrição e o
bom
senso.
g) Estróbilo
(gr. Stróbilos, rodopiante
como
um
pião,
nome
que sugere o
estado
em
que fica
pelo
seu
hábito de
tomar
vinho): participa da
peça
como
escravo,
ora de Megadoro,
ora de Licônides. À
semelhança de Estáfila, é
também
zombeteiro e dedicado.
Enredo
A Aulularia (=
marmita) é
considerada uma
comédia de
intriga e de
caráter.
Como
comédia de
intriga,
apresenta duas
ações: uma
voltada
para as
peripécias e
confusões de
Euclião, surgidas
depois de
ele
haver encontrado, na
lareira de
sua
casa, uma
marmita
cheia de
ouro;
outra,
centrada na
história de
amor de
sua
filha, grávida
de Licônides, e
que será
pedida
em
casamento
por Megadoro,
sem
que
este e
seu
futuro
sogro saibam
da
gravidez da
moça.
Os
dois
enredos,
com
predominância do
primeiro,
são
independentes
um do
outro,
mas encontram-se
entrelaçados, uma
vez
que
seus
principais
incidentes, o
roubo da
marmita e a
confissão de Licônides,
vão se
combinar, no
fim da
história,
para
solucionar o
problema de Euclião, de
sua
filha e do
rapaz
que,
com a
ajuda da
mãe, levará o
tio a
desistir do
casamento.
Nesse
momento,
já
ciente do
drama dos
dois
jovens e da
desistência de Megadoro, Euclião concede Fedra
em
casamento a Licônides e dá ao
casal a
marmita recuperada.
Este
final
feliz, mostrando o
desprendimento do
protagonista,
não consta da Aulularia. É de autoria de
Codro Urceo,
um
latinista do
século XV,
que refez o
último
ato,
com
base
nos
argumentos, no
prólogo e no IV
fragmento da
peça, a
qual chegou
até
nós
com o referido
ato
incompleto, contendo
apenas
fragmentos de
sete
versos.
Como
comédia de
caráter, a
peça converge
para
um
outro
centro de
interesse: a
avareza de Euclião,
tema
em
torno do
qual gravitam as
preocupações e
temores do
velho
avarento,
bem
como
suas
manias e
suspeitas infundadas.
Aqui o
objetivo de Plauto é
outro:
pintar Euclião
como uma
figura
ridícula e
um
pobre
diabo
que ficou transtornado
com a
súbita
descoberta de
um
tesouro.
Modelos do
avarento
O
tema da
avareza
já havia sido
tratado
por Menandro nas
comédias Hydría, Epitrépontes,
Thesaurós e
talvez
em outras,
mas é
impossível
precisar
em
qual dessas
obras Plauto se inspirou
para
criar
seu
personagem,
visto
que Euclião possui
traços de
todos os
avarentos
presentes nessas
peças.
Além disso,
não está descartada
aqui a
hipótese de
ser a Aulularia
resultado da contaminatio,
processo a
que recorreram Plauto e
outros
cômicos
latinos
para
fundir duas
ou
mais
peças numa
só.
Cronologia
O
ano de
representação da Aulularia
também é incerto,
contudo os
estudiosos da
peça costumam datá-la
entre 195 e 186 a.C., fazendo-a
coincidir
com o
período de
maturidade
artística de Plauto.
Episódios tirados da
peça,
como as
desordens no
culto de Baco (v. 408), a
repressão ao
luxo das
mulheres (v. 503-504) e
outros, têm sido
freqüentemente comparados
com
referências históricas,
para
explicar
sua
cronologia.
Estrutura
Apesar de
ser
mais
rica
em
partes faladas e recitadas, a Aulularia é
constituída
também de
alguns
cantos
líricos, encontrados,
por
exemplo, no
diálogo
entre Eunômia e Megadoro (v. 120-160), no
monólogo de Congrião (v. 406-413) e,
sobretudo, na
célebre
cena
em
que Euclião
lamenta o
roubo de
sua
marmita (v. 713-726).
Influências
A
Aulularia serviu de
modelo a
diversos
escritores: a
um
autor
anônimo do
Baixo
Império
Romano inspirou a
composição do Querolus (séc. V d. C.); a
Gelli, a
peça La sporta (1543); a Molière, a
famosa
comédia L’avare (1667).
Entre
nós,
sua
influência
também se faz
notar na
obra O
santo e a
porca (1964) de
Ariano Suassuna, a
qual motivou o
estudo
comparativo
feito
pelo
Professor Paulo Roberto Guapiassú,
em
sua
Tese de
Doutorado, intitulada A
marmita e a
porca: a
presença plautiniana na
comédia nordestina (UFRJ, 1980).
Resumo da
obra
Após os
dois
argumentos, vem o
prólogo, no
qual o
deus
Lar se apresenta
como
protetor da
família de Euclião
desde o
tempo de
seu
avô, contando
como
este
lhe confiou
um
tesouro de
ouro e
por
que fez
com
que Euclião o reencontrasse.
Aqui, o
deus destaca,
sobretudo, a
avareza de Euclião.
Na
primeira
cena do
primeiro
ato, há
um
diálogo
entre Euclião, o
velho
avarento, e
sua
criada Estáfila. Euclião,
com
medo de
que Estáfila
saiba
que
ele possui uma
marmita
com
ouro, põe-se a agredi-la,
tanto
física
como
verbalmente, fazendo-lhe
terríveis
ameaças.
Em
seguida vem o
monólogo de Estáfila, centrado, de
um
lado, na
sua perplexidade
diante do
comportamento
insano de
seu
amo. De
outro,
em
sua
preocupação
por
não
saber
como
ocultar de Euclião a
gravidez e a iminência do
parto de
sua
filha Fedra.
Na
segunda (ou
terceira)
cena, fazendo-se
passar
por
homem
pobre, Euclião dirige-se à
cúria
para
buscar as
moedas de
prata
que
lhe foram reservadas.
Antes de
sair de
casa, o
velho
avarento constata
que
seu
ouro está
em
segurança.
Mas
ainda
assim, atormentado e
desconfiado, faz diversas
recomendações a Estáfila, advertindo-lhe
que
não permita a
entrada de
estranhos
em
casa,
durante
sua
ausência.
Na
primeira
cena do
segundo
ato, há
um
diálogo
entre
dois
irmãos: Megadoro e Eunômia. Preocupada
com o
irmão,
homem de
idade
madura, Eunômia aconselha-o a se
casar e a
ter
filhos.
Para
tanto, arranja-lhe uma
mulher
um
pouco
mais
velha
que
ele, possuidora,
porém, de
grande
dote. Megadoro,
contudo, recusa a
proposta da irmã, preferindo
contrair
matrimônio
com uma
mulher
pobre. Alegando
ser
suficientemente
rico e querendo
evitar os
inconvenientes
que traz o
casamento
com uma
mulher
rica, escolhe
para
esposa a
jovem
filha de Euclião,
vizinho tido
por
todos
como
homem
pobre e
avarento.
Na
segunda
cena, Euclião
volta da
cúria de
mãos vazias e decepcionado,
pois o
tão esperado
dinheiro
não
fora distribuído. No
caminho
para
casa,
encontra Megadoro,
que vem cumprimentá-lo. Desconfiando do
vizinho e fingindo-se de
pobre,
começa a se
lamentar da
sua
vida
miserável e do
fato de
ter uma
filha
sem
dote,
para a
qual afirma
não
conseguir
casamento. Megadoro
então se propõe a ajudá-lo, pedindo-lhe a
mão de Fedra.
Depois de
muita relutância,
embora
receoso
ainda de
que o
vizinho estivesse cobiçando
seu
tesouro, Euclião acaba
por aceitar-lhe a
proposta. Megadoro,
mais
que
depressa, dá
início aos
preparativos
para a
festa de
suas
núpcias.
Na
terceira
cena, Euclião resolve
ir ao
foro,
mas
antes de
sair, ordena à
sua
criada
que limpe
toda a
casa
para o
casamento da
filha
com Megadoro. Recomenda-lhe
também
manter
tudo trancado,
enquanto
ele estiver
ausente. Estáfila,
por
sua
vez,
surpresa
com a
rapidez do
casamento de Fedra, fica preocupada
com a possibilidade de a
gravidez da
moça
vir a
ser
descoberta
pelo
pai.
Na
quarta
cena,
após
fazer as
compras
com Megadoro, Estróbilo, atendendo às
ordens de
seu
amo,
reserva
metade da
comida,
um
magro
cordeiro,
um
cozinheiro (Congrião) e uma flautista (Elêusia)
para a
casa de Euclião.
Um dos
serviçais, Ântrax, fica espantado ao
saber
que o
velho Euclião
não gastou
sequer
um asse
com as
despesas
para a
festa de
casamento da
própria
filha. E a
partir desse
episódio, Estróbilo
passa a
contar uma
série de outras
histórias, ridicularizando o
comportamento
mesquinho de Euclião.
Na
quinta
cena, Estróbilo vai à
casa de Euclião e
deixa
com
sua
criada a
comida, o
cozinheiro e a flautista
que
lhe foram destinados
por Megadoro.
Na
sexta
cena, Pitódico,
chefe da
cozinha,
manda os
serviçais da
casa de Euclião
iniciar os
preparativos
para o
banquete de
casamento.
Depois,
volta à
casa de Megadoro
para
inspecionar o
serviço dos
outros
cozinheiros e põe-se a
imaginar
como vigiá-los
sem
grande
esforço.
Na
sétima
cena, Euclião vai ao
mercado
fazer
compras
para as
núpcias de
sua
filha,
mas
não traz
nada
consigo,
por
achar
tudo
muito
caro. Alegando
não
ter
dinheiro,
compra
apenas
um
grão de
incenso e uma
coroa de
flores. Aproximando-se de
casa,
nota
que a
porta está
aberta e
que há
barulho e
estranhos no
interior de
sua
residência. Fica
logo
sobressaltado, imaginando
que
invasores estão roubando
seu
ouro.
Apavorado, correndo de
um
lado
para o
outro, suplica a
ajuda de Apolo
e pede-lhe
que
dê
cabo dos
supostos
ladrões.
Na
oitava
cena, na
casa de
Megadoro, Ântrax distribui as
tarefas
entre Dromão e
Maquerião.
Logo
depois,
dirige-se à
casa de
Euclião
para
pedir uma
forma de
pão emprestada.
Lá, percebe
uma
grande
gritaria,
mas
não consegue
atinar
com o
que está
acontecendo.
Na
primeira
cena do
terceiro
ato, o
velho
avarento espanca
violentamente Congrião e
seus
companheiros
que se encontravam
em
sua
casa preparando o
banquete de
casamento. O
cozinheiro sai dali correndo,
açoitado
por Euclião.
Apavorado, pede a
ajuda de
todos
para
que o
livre de
tão humilhante
flagelo, prometendo
reagir
contra a
arbitrariedade do
velho.
Na
segunda
cena, num
longo
diálogo,
carregado de
ameaças e
insultos de
parte a
parte, Euclião acusa Congrião e
seus
companheiros de
haver invadido
sua
casa e vasculhado
seus
quartos. Congrião,
por
sua
vez,
procura se
defender, tentando convencê-lo de
sua
inocência e alegando
ter entrado
em
sua
casa na
condição de
cozinheiro e
não de
ladrão.
Na
terceira
cena,
receoso de
que pudessem
roubar
sua
marmita
com
ouro, Euclião resolve retirá-la de
casa e
passa a levá-la
consigo
por
toda
parte.
Por
fim,
já aliviado, acaba
por
consentir
que os
serviçais prossigam
em
seu
trabalho e sai
com
seu
tesouro escondido
sob as
vestes.
Na
quarta
cena, Euclião põe-se a
pensar no
mau
negócio
que empreendeu ao envolver-se
com Megadoro numa
aliança
que,
segundo
ele,
quase o levou a
perder o
ouro.
Na
quinta
cena, Megadoro põe-se a
refletir
sobre os
problemas e
conflitos existentes no
casamento realizado
com
mulheres portadoras de
dote.
Em
sua
opinião, se os
homens
ricos se casassem
com moças
pobres, desprovidas de
dote,
tais
problemas seriam amenizados e,
conseqüentemente, a
vida conjugal tornar-se-ia
mais
harmoniosa, e as
mulheres,
menos perdulárias.
Além disso, as esposas ficariam
mais submissas aos
seus
maridos e seriam
mais virtuosas. Daí
haver Megadoro escolhido
para
esposa a
filha de Euclião, o
qual
tudo ouve
sem
ser notado, aprovando fascinado a
parcimônia do
futuro
genro.
Na
sexta
cena, Megadoro chega-se
para Euclião e sugere-lhe apresentar-se
mais
elegante nas
núpcias de
sua
filha.
Este,
por
sua
vez,
tenta se
esquivar de
tal
proposta, alegando
ser
um
homem
pobre e de
origem modesta.
Após defender-se das
acusações
feitas
por Euclião, Megadoro o convida
para
tomar
vinho.
Desconfiado de
que
este pretende embebedá-lo
para roubar-lhe o
ouro, Euclião recusa o
convite, resolvendo
tomar
apenas
água.
Na
primeira
cena do
quarto
ato, Estróbilo descreve
como deve comportar-se o
bom
escravo
para
servir ao
seu
amo
com
eficiência,
rapidez e lealdade.
Por
isso, atendendo à
ordem de Licônides, resolve sentar-se
junto ao
altar
para inteirar-se do
que se
passa
entre o
tio Megadoro e Fedra.
Na
segunda
cena, Euclião resolve
esconder
sua
marmita no
templo da Boa
Fé, recomendando à deusa
guardar
segredo e
zelar
pela
segurança de
seu
ouro.
Contudo, parecendo
não
confiar
inteiramente na deusa,
ele se afasta de
seu
altar, suplicando-lhe
ainda
que
ela
lhe permita
retirar dali
seu
tesouro,
são e
salvo. Estróbilo,
que se
encontra
próximo do
local, ouve as
preces de Euclião e corre
logo
para o
interior do
templo,
em
busca do
ouro.
Na
terceira
cena,
mal sai do
templo, Euclião ouve
um
corvo
crocitar e
ciscar o
chão à
sua
esquerda. Tem o pressentimento
então de
que
seu
ouro corre
perigo. Tomado de
pavor, resolve
voltar ao
templo.
Na
quarta
cena, no
interior do
templo, Euclião depara-se
com Estróbilo e, suspeitando de
que
sua
marmita se
encontra
em
poder do
escravo,
passa a revistá-lo, exigindo
que
este a devolva. Põe-se
então a espancá-lo e a dirigir-lhe
ameaças e
insultos.
Depois de
constatar a
inocência do
escravo, Euclião resolve expulsá-lo dali. Supondo
haver
um
outro
suspeito a
quem imagina
ser
comparsa de Estróbilo,
ele sai
em
seu
encalço, ameaçando estrangulá-lo.
Na
quinta
cena, acompanhando os
movimentos de Euclião,
que
deixa o
templo levando a
marmita, Estróbilo, de
olho
em
seu
tesouro, promete preparar-lhe uma
armadilha.
Na
sexta
cena, decepcionado
com a
traição da Boa
Fé, Euclião
retira o
tesouro de
seu
templo
para escondê-lo no
bosque de Silvano,
certo de
que
agora, guardado
em
local
ermo e
inacessível,
ele estaria
mais
seguro. Estróbilo,
todavia, descobre o
novo
plano do
velho e,
radiante de
alegria,
chega
antes de Euclião às
imediações do
bosque,
para
observar, de
cima de uma
árvore,
onde o
ouro será escondido.
Na
sétima
cena, Licônides
conta à
sua
mãe
que desonrou,
sob o
efeito do
vinho, a
filha de Euclião.
Logo
que Eunômia ouve os
gritos das
dores do
parto da
moça, atendendo ao
pedido do
filho,
procura
seu
irmão Megadoro
para
conversar
com
ele
sobre o
assunto e pedir-lhe
que renuncie ao
casamento.
Enquanto
isso, o
rapaz põe-se a
procurar
pelo
seu
servo Estróbilo.
Não o encontrando, entra
para
saber o
desfecho de
sua
história.
Na
oitava
cena,
enfim,
com a
marmita na
mão e
orgulhoso de
si
mesmo, Estróbilo dá
pulos de
alegria, contando
em
detalhes
como conseguiu
realizar a
façanha de
surrupiar o
tesouro de Euclião.
Tão
logo percebe
que
este se
aproxima, sai
para
esconder o
ouro
em
sua
casa.
Na
nona
cena, Euclião entra
em
pânico
quando
finalmente dá
pela
falta de
sua
marmita e, desesperado, dirige-se à
platéia, na
esperança de
recuperar
seu
tesouro.
Contudo, notando
que
ali
ninguém sabe de
seu
paradeiro, perde a
vontade de
viver. Licônides
chega
em
seguida e, ignorando o
que se
passa, apavora-se
quando
vê Euclião
aflito, supondo
que o
velho
já sabe
que a
filha deu à
luz.
Na
décima
cena,
Licônides
procura
Euclião
para pedir-lhe
perdão
pela má
ação cometida. Julgando
que o
rapaz estava
falando do
roubo de
sua
marmita, e
não da
desonra da
filha, o
velho põe-se a
acusá-lo e a ameaçá-lo, exigindo-lhe
seu
tesouro de
volta.
Com
muito
custo,
Licônides consegue
provar
sua
inocência e
desfazer o
mal-entendido,
revelando-lhe
enfim a má
ação praticada e
pedindo-lhe a
filha
em
casamento. Sai
em
seguida à
procura de
seu
escravo
Estróbilo,
mas promete a
Euclião devolver-lhe a
marmita,
caso venha a
descobri-la.
Na
primeira
cena do
quinto
ato, Estróbilo vai
imediatamente
contar a Licônides
que furtou a
marmita de Euclião e pede-lhe
que o liberte. O
rapaz,
entretanto,
conforme prometeu ao
sogro, cumpre
sua
palavra, obrigando o
escravo a devolver-lhe o
ouro.
O
final da
peça perdeu-se, restando
apenas
fragmentos de
sete
versos.
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panelinha.
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