CONTRIBUIÇÃO ÁRABE NA FORMAÇÃO DO PORTUGUÊS

José Pereira da Silva 

1. INTRODUÇÃO

Foi importantíssimo a influência dos árabes na formação das modernas nações ibéricas ou delas provenientes.

A invasão e a dominação sarracena na Península Ibérica durante oito séculos, assim como a sua contribuição no desenvolvimento lingüístico lusofônico, será analisada resumidamente.

A importância dos moçárabes, como um encravamento racional e social entre os hispano-mouros, levará em conta o fato de terem eles enfrentado a dominação muçulmana, influenciando os seus dominadores e sofrendo a dominação muçulmana, influenciando, assim como o fato de terem proporcionado uma evolução natural do neo-latim lusitano, equilibrando as influências, ora dos árabes e berberes que vinham do Sul, ora dos galegos e asturianos que vinham do Norte.

As diversas formas e os diversos caminhos pelos quais os lusitanos receberam a contribuição árabe em seu léxico, tanto quanto as épocas em que isto aconteceu, serão vistas.

Só no último capítulo, no entanto, apresentaremos o vocabulário com quase toda a contribuição árabe conhecida, que passa de 1.100 termos, incluindo-se algumas variantes.

Nesse capítulo, observamos que só registramos os vocábulos dos quais se conhece o significado e que se registram em, pelo menos uns três dicionários consultados, que são dos melhores e mais atualizados que existem em nosso idioma.

Após o vocábulo de entrada no verbete, acrescenta-se a variante ou as variantes (caso existam), seguida da classe gramatical.  Depois vem o significado ou sinônimo e a indicação da fonte bibliográfica das informações.

Em alguns casos, é indicada a página da CMV e de SSN, logo após a respectiva abreviação.  Só em casos especiais.

O trabalho está bastante limitado quanto ao tema, visto que não conhecemos um método prático e eficaz para distinguir os vocábulos árabes daqueles que já constituíram empréstimos anteriores à língua arábica.  Outrossim, não é fácil estabelecer, com absoluta segurança, o caminho percorrido por um vocábulo árabe até o momento atual, em português.  Deste modo, limitamo-nos a documentar a contribuição árabe, sem grandes preocupações com a época e o meio pelo qual aqui chegou.

Pelo menos, garantimos que a contribuição árabe em nosso léxico é bem maior do que o que registramos, tendo sido quase toda a contribuição anterior ao século XIII, vindo depois os termos técnicos que nos chegaram indiretamente.

2. OS ÁRABES NA PENÍNSULA IBÉRICA

A Península Ibérica foi invadida pelos muçulmanos berberes e árabes, definitivamente, em 711.  Os berberes, comandados por Tárique, chegaram à frente e conseguiram sufocar todas as pequenas resistências dos hispano-godos, que estavam muito enfraquecidos militar e politicamente.  Ainda no mesmo ano ou no início do ano seguinte, um grande reforço muçulmano, comandado pelo general Musa, constituído de soldados árabes, veio garantir a conquista Tárique.

Na primeira década, o que é natural, houve muita repressão dos vencedores, com o que firmariam a sua autoridade de dominadores sobre os cristãos da península.  Mas logo a seguir a vida de todos voltara a um ritmo normal.

Visando os impostos que engordariam os tesouros dos califas, impostos cobrados dos cristãos e judeus para que pudessem praticar livremente a sua religião, a tolerância religiosa se estendeu a uma tolerância generalizada, com o que puderam conservar as suas próprias leis, seus usos e costumes, sua língua; tinham os seus próprios juízes, fiscais de costumes e cobradores de impostos; participavam da escolha de seus governantes municipais, e até a hierarquia eclesiástica era respeitada pelos muçulmanos.

Por chegarem à frente, porém. os berberes se achavam e com razão com maiores direitos do que os árabes.  No entanto, foram empurrados para o interior da península, tendo de enfrentar constantemente os cristãos inconformados que se refugiaram ao Norte, além de ficarem com terras mais pobres.

Aliás, desde o início, desde que Tárique e Musa as encontraram no território ibérico, as relações entre os mouros berberes e os mouros árabes estiveram constantemente mal.  As desavenças entre as duas facções dominantes jamais permitiram um longo período de paz entre os dominadores árabes.

Era tamanho o ódio reinante entre essas duas facções muçulmanas que fazia esquecerem o ódio comum que ambas professavam contra os cristãos.

Estes, ao contrário, constituíam um grupo coeso e compacto.  Magoados por estarem subjugados a seus inimigos de crença, mas esperançosos na reconquista que seus irmãos de fé preparavam nas Astúrias, os moçárabes constituíam um poderoso encravamento racial e social dentro da Espanha muçulmana.

Em relação a seus dominantes, as diferenças eram nítidas e marcantes. Mas, em relação aos cristãos inconformados que fugiram para as montanhas das Astúrias para reorganizarem a resistência, a unidade de crença e o passado comum eram elementos suficientes para neutralizar as pequenas divergências.

Os moçárabes foram muito arabizados em algumas regiões, como em Santarém, Évora, Mértola, Lisboa, Alcácer, Cacela, Ossómoda e Silves.  Noutras regiões sofreram influências mínimas e, em compensação, os cristãos tiveram mais influências sobre os árabes do que estes sobre aqueles.

Esta interpretação de costumes era constante, mas, os inter-casamentos de mulheres cristãs ou moçárabes com homens árabes ou muçulmanos foi o mais importante processo de fusão das raças e dos costumes durante a dominação sarracena na Península Ibérica.  Como os filhos sofrem mais intensamente as influências da mãe, com quem aprendam a língua e os costumes mais elementares, os descendentes desses inter-casamentos aprendiam o romanço moçárabe e a religião cristã, além de se afeiçoarem à luta dos vencidos.

Como é natural, também os moçárabes sofrerem influências dos sarracenos, apesar de seu conservadorismo e ser apego às tradições.

A tal respeito, diz Oliveira Martins:

A arabização dos cristãos não se traduz apenas nos hábitos exteriores: chegavam a perder o conhecimento da língua pátria, trocada pela árabe até ao ponto de os bispos reconhecerem a necessidade de mandar traduzir as Escrituras na língua do Corão.

O romanço dos moçárabes apresentava inúmeros traços do árabe, seja no vocabulário, seja na pronúncia, mesmo entre aqueles que não cultivavam a língua dos muçulmanos.

Como os mouros, em geral, não se interessavam em aprender a língua dos cristãos, estes, muitas vezes, sentiam-se obrigados a falar a língua de seus dominantes.

Por serem os mouros muito superiores intelectualmente aos cristãos, os moçárabes acabaram por adotar inúmeras palavras de civilização dos árabes ou por eles divulgadas juntamente com as ciências, artes e técnicas greco-arábicas.  Afinal de contas, não poderia deixar de ser importante a contribuição dos árabes, pois foram oito séculos de permanente e muito íntimo contato entre as duas línguas e as duas civilizações.

Apesar de tudo, é importante ressaltar que, embora muito superiores, os árabes não criaram situações artificiais em que os peninsulares fossem obrigados a usar a sua língua.  E é por isso que a formação dos diversos idiomas ou dialetos ibéricos foi espontânea.  A maior ou menor importância atual dos diversos dialetos é conseqüência de fatos sócio-culturais e políticos posteriores, com maior ou menor desenvolvimento das diversas literaturas regionais ou nacionais, que afetam diretamente o desenvolvimento do dialeto em que as divulgam.

O repovoamento da região entre o Douro e o Minho, no final do século IX, e a conquista definitiva de Coimbra, em 1064, foram dois momentos importantíssimos na formação lingüística dos portugueses.  Principalmente nestas duas épocas, embora isto tivesse acontecido diversas vezes em menor escala e em outras regiões, os moçárabes estiveram em íntimo e intenso contato com os galegos e asturianos, produzindo um nivelamento da falar dos cristãos do Norte com o falar dos cristãos do Sul, nivelamento ente que se fez pela média criada nesta interação, com possível maioria de moçárabes.

Deste modo, apesar da enorme contribuição que recebemos da língua árabe, o seu predomínio não prejudicou a evolução de neo-latim, que se deu intensamente no Norte, mas acanhadamente no Sul, voltando à média após a reconquista, ou desde que ela começou.

É mesmo bastante provável que o romanço moçárabe não tivesse sido tão diferente do galego-português, como se costuma imaginar.  Basta que observemos esta estrofe, que foi transcrita por Serafim da Silva Neto, e que representa a lírica dos moçárabes, datada de 1040:

Vai-se meu corachon de mib

ai, Rab, si se me tornarás?

Tan mal meu doler li-l-habib!

Enfermo yed, quando sunarád?

Conforme opinião de Menéndez Pidal é até possível que tenha havido influência direta da lírica moçarábica na lírica galego-portuguesa que se desenvolveu a partir do século seguinte à documentação moçarábica conhecida.

3 - CARACTERÍSTICAS DA CONSTRUÇÃO ÁRABE.

Conhecidas as qualidades fonéticas dos elementos árabes que entraram para o nosso idioma, a grande maioria deles é descoberta por dedução, ficando por conta da pesquisa bibliográfica apenas a documentação desta procedência em textos antigo ou a sua abonação nos dicionários etimológicos.

Juntamente com as contribuições das línguas indígenas brasileiras e das línguas africanas dos negros que vieram como escravos para o Brasil-colônia, tais elementos arábicos dão ao português o seu caráter peculiar entre as demais línguas românicas, inclusive entre as ibero-românicas.

Talvez seja a maior contribuição não-latina de nosso vocabulário, com mais de mil vocábulos, que entraram para o português em épocas e de maneiras muito diferentes.

Numerosos passaram por diversos países e foram acolhidos em nossos dicionários com a sua forma já bastante alterada em ralação a sua origem.  Outros, de origem não-arábica, foram adotados primeiramente por esse povo como vocábulos de civilização e divulgados no Oriente com as ciências, artes e técnicas greco-românicas, só chegando mais tarde ao português.

Desses arabismos tardios, posteriores ao século XII ou XIII, um grande número chegou-nos através do francês e do italiano, ou então, do turco, do persa e do concâni.

Em geral, é bom lembrar, todos os arabismos que entraram para o francês já haviam passado pelas línguas ibéricas, pelo menos em sua fase arcaica.  Mas o mesmo não acontece em pelo menos em sua fase arcaica.  Mas o mesmo não acontece em relação ao italiano, pois estes receberam influência direta dos sarracenos, quando estes dominaram a Sicília.

Ao contrário do que acontece com as línguas ibero-românicas, os arabismos franceses e italianos não subsistiram no falar comum, mas apenas em livros de erudição.

Em português, não só no vocabulário erudito ou de emprego meramente histórico, mas também no vocabulário do dia-a-dia de seus falantes de hoje, é abundante e notável o emprego de arabismos.

Subsistem arabismos, em português, nos nomes de lugares e acidentes geográficos, na geografia e na agricultura, no comércio e na indústria, na arquitetura, na música e na astronomia, na matemática e na química, na botânica e na medicina, no vestuário, nos misteres populares e nas ocupações domésticas, etc.

Com raras exceções, todos são substantivos.  Inclusive alguns derivados, que se formam com sufixos vernáculos, como: adeleiro, albufeira, alcaçaria, alfridária, algarvio, algaravia, algibeira, algaravia, almirante, arsenal, azeitona, azulejo, almargem, borragem, fezanzal, galingal, marroquino, mesquinho, mocarraria, tafueira, tafularia, tafuraria, etc.

Entre as palavras gramaticais somente uma sobreviveu.  Se é que não têm razão os latinistas: atá ou ataa, que se tornou até.

Entre as interjeições, apenas três: oxalá, arre e rua.  Oxalá quer dizer "queira Deus" ou "se Deus quiser"; arre serve para indicar cólera ou enfado, sendo empregada especialmente para incitar as bestas a andarem; rua é usada exata e exclusivamente para expulsar alguém do recinto em que se encontra.

Algumas  características dos vocábulos de origem arábica são facilmente observáveis, como veremos a seguir.

Algumas, por exemplo, possuem X- inicial, como é o caso de: xá, xadrez, xairel, xaque, xaque-mate, xará, xareta, xarifa, xaroco, xarofa, xarope, xarque, xáuter, xaveco, xávega, xeique, xeque, xequemate, xerife, xiíta, etc.

Outros começam com enx-, como os seguintes: enxaca, enxadrez, enxaqueca, enxara, enxaravia, enxarope, enxarrafa, enxávena, enxeco, enxedrez, enxerca, enxoval, enxovedo, enxovia, etc.

Este grupo influiu nos representantes de numerosos termos latinos que principiam com ex-, como as seguintes, entre outros: enxame, enxuto, enxugar, enxada, enxó, enxaguar, enxúndia e enxofre, assim como as formas arcaicas enxemplo e enxempro.

Um bom número se caracteriza pela terminação.  Entre estas estão as palavras que terminam em í tônico: aleli, alfaqui, alizari, arabi, aravi, azaqui, bafari, borni, candi, carmesi, faqui, garabi, granadi, guadameci, haji, hajdi, houri, huri, javali, maçari, maravedi, marroqui, meceri, mozmodi, mucuími, muculumi, mucuruí, muçurumi, mufti, muladi, nabi, nabri, rafidi, sufi, tabi, vali, etc.

Muitas vezes este sufixo é transformado em il ou em im.

Os seguintes casos correspondem aos que transformam o sufixo í tônico em il: adail, aguazil, alacil, alguazil, alvazil, aguazil, anafil, anil, arrabil, candil, caitil, cordovil, granadil, guadamecil, manchil, mandil, maravedil, marroquil, etc.

Entre os que mudam í  em im, na última sílaba, encontram-se: alabardim, alecrim, alfenim, alfolim, alfonim, alfonsim, anexim, baldaquim, benjoim, borzeguim, cansim, carmesim, celamim, cequim, cetim, gergelim, guadamecim, haquim, jasmim, marfim, marroquim, mastedim, mastidim, mexelim, mirabolim, miramolim, muçurumim, muslim, muezim, talim, etc.

Além desses, ainda existem os casos das palavras que terminam em sílabas como -afe, -afre, -efe ou -aque, que não são usadas em final de palavras latinas. Entre estas, citemos: alcadafe, alfafe, anafafe, almocafre, alarefe, alcadefe, arzanefe, arzarnefe, arzenefe, azarnefe, magarefe, achaque, alfaque, almadraque, almanaque, atabque, tabaque.

Um número muito grande dos vocábulos que herdamos dos árabes começa com as sílabas al-, que é o artigo árabe, único e invariável em gênero e número.

Para que o leitor não che enfadonho demais a leitura, não arrolaremos aqui todos esses vocábulos, que são mais de 270, além de algumas dezenas de formas variantes, remetendo-o para o capítulo seguinte, onde poderá consultar o vocabulário e seu significado, além de algumas raras observações etimológicas.

Este mesmo artigo, tantas vezes repetido, ainda pode ser encontrado fundido aos nomes a que precede, reduzido simplesmente à vogal a.

Este fato acontece com mais freqüência diante de consoantes sibilantes, como nestes casos que destacamos: açacaia, açafata, açafate, açafrão, acelga, acém, acepipe, acéquia, achaque, acica, acicate, acitara, acoite, açorda, açotéia, açougue, açúcar, açucena, açude, assassino, axímex, axorca, azáfama, azagaia, azambujo, azar, azeite, azeitona, azêmola, azenha, azeviche, aziar, azimute, azinhaga, azinhavre, azougue, azul, azulejo, azumbre, etc.

Além das consoantes sibilantes, também as consoantes dentais, as nasais e as vibrantes costumam acarretar a queda de l do artigo árabe, reduzindo-o ao mero a.

Antes das dentais, encontramos os seguintes casos: adail, adarga, adarme,  adarve, adelo, adiafa, adobe, adua, adufa, adufe, atabal, atabaque, atafal, atafona, atalaia, ataúde, etc.

Antes de nasais, podemos mostrar os seguintes casos: amálgama, anaciado, anadel, anafa, anafafe, anáfaga, anafaia, anáfega, anafil, anaxir, andaime, andaluz, anexim, anil, anta, anúdava, anúduva, etc.

Antes de vibrantes, existem, entre outros, os vocábulos seguintes: arrabalde, arrabil, arraia, arraial, arraião, arrais, arrátel, arrebique, arrecada, arrécova, arrefém, arriaz, arrife, arroba, arrobe, arroz.

Muitas palavras que entraram no português através do árabe provém de línguas conhecidas, como o latim e o grego, por exemplo.  Outras, mesmo já sendo conhecidas pelos ibero-romanos, sofreram a influência árabe, alterando-se foneticamente, principalmente em seu início.

Entre as palavras latinas que sofreram esse tipo de influência, podemos exemplificar com: almoço, de admorsus; alerce, de larice; exedréia, de saturéia; açúcar, de sacchar, etc.

Entre as palavras de origem grega, pertencem a esta categoria, entre outras: alquimia, de chemeia; alixir, de xeron; triaga, de theriaca; temoço, de thermós; arroz; de oryza; alveitar, de hipp-iatros.

Para que os estudiosos possam tirar maior proveito deste trabalho, caso se interessem pelo assunto, veja-se o capítulo seguinte, em que se encontram mais de mil vocábulos que constituem contribuição árabe, sucinta informação quanto ao significado e etimologia, além de indicação bibliográfica de cada vocábulo.

4- CONCLUSÃO

Analisada a história da invasão e da dominação muçulmana em território luso-espanhol do século VIII ao século XV, observado que realmente houve uma grande contribuição lingüística desse povo aos falantes de língua portuguesa e documentados 959 termos, fora as variantes e fora os termos insuficientemente justificados pelos filólogos e etimólogos (em vocabulário excluído desta publicação por causa da limitação necessária de espaço), resta-nos uma fácil conclusão: é muito grande a contribuição árabe na formação do léxico da língua portuguesa.

Entre os vocábulos afastados por insuficiência de informações ou por informações contraditórias, estão todos os topônimos e antropônimos, que constituiriam algumas centenas de vocábulos, certamente.  Mas não é só.  Muito não entraram, simplesmente, porque não consultamos uma bibliografia suficientemente ampla para atingi-los, nem tivemos tempo de compulsar com mais calma os três dicionários usados.  Além disso, ainda afastamos os seguintes termos: alabão, alambor, alarefe, alberche, alcabideque, alerce, alfafe, alfarraz, aljustrel, almacave, almíbar, almocaté, almofazar, almoster, alpantesma, alplan, alporão, alquicel, anaxir, arrematar, arrieiro, azarnafe, belota, betelgeuze, caçarete, ciclatão, curca, curcuma, elefante, fasquia, fatá, gaziva, guedre, hárume, huçá, imalar, inama, mafamude, manzel, mibá, regalo, rigueifa, rematar, sequino, tercena, troupe, uçá, vadio, vega, chá-mate, zaguão, zalama, zurame, além de alguns outros; como os objetivos pátrios, por exemplo.

Tal número de arabismos é tão importante e notável numa língua que seria impossível um bate-papo informal de alguns minutos sem a presença de algum ou alguns deles.

É claro que os chamados "vocábulos de civilização" constituem um grande número desses termos.  Mas não pára aí a contribuição árabe.  Os arabismos estão profundamente infiltrados na linguagem popular de todos os recantos de Portugal e do Brasil.  Principalmente de Portugal, é claro.

Apesar das naturais limitações já expostas na introdução, estamos certo de estarmos contribuindo com mais um tijolinho na construção da Filologia Portuguesa.  Certamente é um tijolinho torto e defeituoso, mas, com certeza, aproveitável.

E isto já compensa as horas consumidas.

Gostaríamos de receber contribuições para o aperfeiçoamento deste trabalhinho.  Estamos contando com o Caro Leitor.

5- BIBLIOGRAFIA

CUNHA, Antônio Geraldo da; Assistentes: Cláudio Mello Sobrinho et alii.  Dicionário etimológico nova fronteira da língua portuguesa.  [Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982].  XXIX + 839 p.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda; Assistentes: Margarida dos Anjos et alii. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 1.a ed. (10a impressão). (Rio de Janeiro): Nova Fronteira (s. d.), XIX + 1499 p.

MACHADO, José Pedro. Dicionário etimológico da língua portuguesa; com a mais antiga documentação escrita e conhecida de muitos dos vocábulos estudados. 3.a ed. (Lisboa): Horizonte (1977), 5 v.

MARTINS, Oliveira. História da civilização ibérica. (s. l.). Europa-América (s. d.). 230 p.

SILVA NETO, Serafim da. História da língua portuguesa. 3.a ed. Rio de Janeiro: Presença; Brasília; Instituto Nacional do Livro, 1979. 672 p.

VASCONCELOS, Carolina Michaëlis de. Lições de filologia portuguesa; segundo as preleções feitas aos cursos de 1911/12 e 1912/13; seguidas das “Lições práticas de português arcaico”. (Lisboa): Martins Fontes (s. d.). 441 p.

 

6. NOTAS

i. MARTINS, O., (s. d.), p. 90 et SILVA NETO, S., (1979), p. 333-4.

ii. Op. cit., p. 90-92.

iii. SILVA NETO, S., (1979), p. 334.

iv. MARTINS, O., (s. d.), p. 103.

v. SILVA NETO, S., (1979), p. 339.

vi. Op. cit., p. 341.

vii. VASCONCELOS, C. M., (s. d.), p. 301.

viii. Op. cit., p. 305.