O CATALÃO E SUA CONTRIBUIÇÃO AO LÉXICO PORTUGUÊS

Alfredo Maceira Rodríguez

1. INTRODUÇÃO

1.1. O  catalão

1.1.1. Origem

Há discussões quanto à origem do catalão. Meyer-Lübkei considera o catalão um dialeto do provençal, introduzido na Península Ibérica em meados do séc. VIII. De forma um pouco diferente, Grieraii tenta demonstrar que o catalão se afasta dos demais idiomas ibero-românicos, situando-se próximo ao grupo dos galo-românicos, embora o considere uma língua independente e não um dialeto do provençal, apesar de suas muitas semelhanças e de ter sido o provençal a língua dos trovadores provençais da Catalunha, continuando por muito tempo a escola que se originou e floresceu no sul da França. Surgiu um grande debate sobre a origem e formação do catalão, uns tentando classificá-lo entre as línguas ou dialetos galo-românicos, como Meyer-Lübke e Griera; outros querendo provar sua filiação ao grupo ibero-românico, entre este Menéndez Pidal e seu discípulo Amado Alonso. Posteriormente A. Badía resume toda a discussão em sua Gramática histórica catalana e T. H. Maurer, após uma análise comparativa do catalão e do provençal, conclui:

Espero que estas páginas sejam suficientes para mostrar o erro de se tomar o catalão como simples dialeto do provençal, ou mesmo dialeto fundamentalmente galo-românico, pois que ele tem feições muitas vezes transparentemente ibéricas. Visto também que se desvia freqüentemente do grupo peninsular, aproximando-se incontestavelmente das línguas transpirenaicas, creio ser mais razoável e acorde com os fatos não forçar a sua inclusão em qualquer dos dois grupos, reconhecendo o seu caráter de zona lingüística intermediária entre os dois grupos dialetais românicos mais claramente definidos e opostos.iii

 1.1.2. Algumas características

FONÉTICAiv

Relacionamos apenas as características fonéticas do catalão que consideramos mais importantes.

SÍMBOLOS FONÉTICOS

Os símbolos fonéticos utilizados são representados, sempre que possível, por letras do alfabeto latino, somente alguns são diferentes, porém todos estão definidos. Os fonemas fonológicos aparecem entre //, enquanto os fonéticos foram colocados entre [ ].

VOCALISMO

Existem sete fonemas vocálicos fonológicos em catalão, embora existam outras realizações fonéticas, devido à influência de fonemas vizinhos, à pronúncia relaxada que ocorre em determinados dialetos etc.

Os fonemas vocálicos pertencem às séries palatal ou anterior, velar ou posterior e central.

Vejamos sucintamente as três séries do triângulo vocálico catalão, na sua maior parte coincidente com o das demais línguas românicas.

Vogais palatais ou anteriores: /i/, /e/ (fechado) e /?/ (aberto).

Existem apenas esses três fonemas fonológicos vocálicos da série palatal no catalão, embora existam diversas realizações fonéticas em várias áreas do domínio. As mais destacadas são:

/i/ - (graf. i)

O /i/ possui articulação normal quando é tônico, mas pode ter pronúncia relaxada quando está em posição átona. Nos ditongos decrescentes realiza-se como semivogal.

Não existe no catalão comum a realização do /i/ como semiconsoante palatal, a não ser em alguns dialetos.

/e/ - (graf. e)

O fonema vocálico /e/ fechado catalão é mais fechado do que seu equivalente castelhano. No catalão ocidental ainda é mais fechado. Em algumas zonas dialetais pronuncia-se muito relaxado, como o [a] átono de final de palavra. Em determinadas áreas do catalão oriental encontra-se o [a] átono final confundindo-se com a pronúncia do [e] átono.

/?/ - (graf. e). O /?/ aberto do catalão é mais aberto no catalão ocidental do que no oriental. No dialeto das Baleares é mais aberto do que no catalão comum.

Vogal central: /a/ (graf. a)

 Fonologicamente só há um fonema vocálico central, porém foneticamente este fonema pode apresentar diversas realizações, importantes na caracterização do vocalismo catalã.

1) [a] de abertura média (graf. a), muito palatalizado, próximo do /?/. Corresponde,  em geral, ao [a] precedido de [k]: cap.

2) [a] palatal (graf. a). Realiza-se normalmente quando precede fonema consonantal palatal: badall, canya.

3) [a] médio (graf. a) Corresponde à pronúncia do /a/ normal, quando não sofre interferência de fonemas vizinhos. É o fonema mais aberto da língua: casa, barba, cantat.

4) Ainda podem ocorrer outras realizações do /a/. Entre elas a do [a] velarizado, depois de fonema consonantal velar, e a do [a] relaxado, devido à influência de fonemas vizinhos ou a alterações dialetais.

[?] - [a] neutro (graf. a, e).

É uma realização fonética das que mais caracterizam o vocalismo catalão. Ocorre regularmente nos dialetos orientais. Na escrita representa-se por a ou e. Sua representação fonética é [?]. Não se pode denominar vogal átona porque em certos casos recebe o acento tônico. Discute-se se este [a] neutro pode ser considerado fonema.v

Vogais velares: /?/ (aberto), /o/ (fechado) e /u/.

/?/ - (graf. o)

A abertura deste fonema nas Baleares é maior do que no catalão comum. Por outro lado, pronuncia-se mais relaxado em várias áreas do catalão dialetal, onde representa a pronúncia do [a] átono final dos femininos. Neste caso sua ortografia é a. Em alguns dialetos aparece um [o] médio que engloba o /?/ aberto e o /o/ fechado.

Fonema vocálico aberto relaxado. Em catalão dialetal encontra-se em diversas zonas, como pronúncia do [a] átono final dos femininos.

[o] - (graf. o, a)

Fonema vocálico [o] médio relaxado. Em catalão dialetal qualquer tipo de [o] com pronúncia relaxada conservará o timbre de [o], mesmo fraco. Encontra-se esta realização em lugar de [a] em algumas áreas.

/o/ - (graf. o)

Tem a pronúncia normal do /o/ fechado. É mais fechado do que o /o/ do espanhol. No catalão ocidental este [o] é pronunciado com fechamento maior do que no catalão comum.

[u] - (graf. o)

Fonema vocálico  [u] aberto. Aparece em lugar do [o] fechado em algumas áreas dialetais do catalão. A rigor é uma [o] com excesso de fechamento.

/u/ - (graf. u, o)

Fonema vocálico velar normal. Têm articulação normal o /u/ tônico em quase todo o domínio. O catalão ocidental e o dialeto baleárico distinguem [u] átona de [o] átona. A pronúncia relaxada do [u] pode ocorrer em posição átona.

[u]  - (graf. u, o)

Fonema vocálico velar relaxado. Pode ocorrer em qualquer caso de [u] átona. É comum na conversação rápida.

[u] semivogal. - Ocorre nos ditongos decrescentes au, eu, iu, ou: causa, veure, xiula, coure.

Os ditongos e tritongos do catalão coincidem geralmente com os do português e espanhol.

CONSONANTISMO

Existem no catalão 22 fonemas fonológicos consonantais, que relacionamos a seguir, com suas principais realizações fonéticas:

Fonemas bilabiais: /p/, /b/ e /m/

/p/ - (graf. p, b)

Fonema bilabial oclusivo surdo. Apresenta articulação normal: pare, tapa, prim, cap, adob. Ocorrem vários casos de assimilação à consoante seguinte: cap bou, cap moll, adoptar.

/b/ - (graf. b, v)

Fonema bilabial oclusivo sonoro. Articula-se normalmente em posição inicial absoluta ou precedido de [m] ou [n]: boca, vina, un bon vi.

Pronuncia-se como fricativo sonoro quando não está em posição inicial absoluta ou não vem depois de consoante nasal: acabar, la boca, la via, més blanc.

/m/ - (graf. m, n)

Fonema bilabial nasal sonoro. Sua articulação normal é de /m/: manera, mirador. Pronuncia-se /n/ diante de fonema consonantal bilabial: convidar, un bon violi. O /m/ também se pode encontrar geminado: immens.

Fonemas labiodentais: /f/ e /v/

/f/ - (graf. f)

Fonema labiodental fricativo surdo. Apresenta a articulação normal do /f/,  mas em final de palavra ou seguido de fonema consonantal sonoro ou vogal, sonoriza-se e converte-se em [v].

/v/ - (graf. v, f)

Fonema labiodental fricativo sonoro. Só ocorre dialetalmente. Em catalão comum pode ocorrer devido à sonorização do [f].

[m] - (graf. m, n)

Fonema labiodental nasal sonoro. Deve-se à assimilação de um fonema consonantal nasal ao fonema labiodental  seguinte [f], em catalão comum. Em catalão dialetal também pode ocorrer antes de [v]: enfilar, àmfora, canvi (dialetal).

[f] - (graf. p, t, c, f  + f)

Fonema labiodental africado surdo. É  pronunciado da assimilação dos fonemas oclusivos surdos [p] e [t], seguidos de [f]: cap forat, tot fosc.

De uma assimilação paralela pode ocorrer o fonema labiodental africado [v], antes do labiodental sonoro: cap verd, tot ve, caduf vessat.

Fonemas dentais: /t/ e /d/

[?] - (graf. z, c esp.)

O fonema interdental fricativo surdo [?] do espanhol, grafado z (zapato). Não existe em catalão, mas usam-se em palavras de origem espanhola, porém no domínio do catalão é geralmente substituído por /s/.

/t/ - (graf. t, d)

Fonema dental oclusivo surdo. Tem articulação normal, mas há vários casos de assimilação antes de alguns fonemas consonantais. Também há casos em que ocorre articulação africada: tot plé, tot bé, tot meu, atmòsfera.

[n] - (graf. n, m)

Fonema dental nasal sonoro. Em contato com uma consoante dental seguinte, o fonema alveolar /n/ cede seu ponto de articulação ao fonema vizinho e dentaliza-se: pintura, entendre.

[l] - (graf. l)

Fonema dental lateral sonoro. Seguido de um fonema dental, o alveolar /l/ dentaliza-se: alta, falda, mal de cap.

[s] - (graf. s)

Fonema dental fricativo surdo. O fonema [s] implosivo, em final de sílaba, seguido de /t/, articula-se como dental: festa, pasturar. Em posição final absoluta do grupo st, o t  geralmente não se articula (agost), a não ser que seja seguido de vogal: agost agradable.

[z] - (graf. s)

Fonema dental fricativo sonoro. O /z/  implosivo sonoro em final de sílaba, seguido de /d/, assimila-se ao fonema seguinte, deixando de ser alveolar para realizar-se como dental sonoro: desdibuixar, tres dies.

Fonemas alveolares: /s/, /z/, /n/, /l/, /r/ e /R/.

/s/ - (graf. s, ss, ç, c)

Fonema alveolar fricativo surdo. Este fonema catalão, como o equivalente castelhano, é ápico-alveolar. Em posição final, seguido de fonema consonantal sonoro, sonoriza-se em [z]. Precedido de fonema palatal [n], o [s] palataliza-se.

/z/ - (graf. s, z)

Fonema alveolar fricativo sonoro. Sua articulação é ápico-alveolar, como o /s/ surdo. Corresponde normalmente ao s intervocálico e a z ortográfico: casa, calze, zero.

Existe ainda um fonema alveolar africado surdo, correspondente ao fricativo surdo /s/: tots, gats, potser, e outro africado sonoro, correspondente ao fricativo sonoro /z/: dotze, gatzara, cap zero.

/n/ - (graf. n, m)

Fonema alveolar nasal sonoro. Sua articulação é normal em qualquer posição, mas pode vir geminado ou perder sua articulação alveolar por assimilação a um fonema vizinho, dando lugar ao [n] labiodental, dental, pré-palatal e velar. O [n] seguido de [m] assimila seu ponto de articulação ao fonema bilabial: ben nou, fent nosa.

/l/ - (graf. l)

Fonema alveolar nasal sonoro. Sua articulação é alveolar,  mas o efeito que produz o /l/ catalão é de um som velar. Em alguns casos perde sua articulação alveolar para assimilar-se a fonemas vizinhos, podendo dar origem a [l] dental e pré-palatal: lassitud, fil. Pode ocorrer geminada, quando assimila um fonema oclusivo anterior: atlas, tot l’acte.

/r/ - (graf. r)

Fonema alveolar vibrante simples sonoro. Possui uma única vibração. A articulação normal é oclusiva, mas existe um [r] fricativo na conversação, em posição intervocálica: cara, branca, curt.

/R/ - (graf. r, rr)

Fonema alveolar vibrante múltiplo. Consta de mais de uma vibração (geralmente seis ou sete): arribar, resar, enredar, colrat, israelita.

Fonemas consonantais palatais: /?/, / f/, /y/, /?/ e /?/

/?/ - (graf. ix, x)

Fonema pré-palatal fricativo surdo: eixam, faixa, feix pesat.

Ocasionalmente,  é substituído em catalão dialetal por uma articulação bastante africada. Este fonema permite diversas outras realizações fonéticas.

/f/ - (graf. j, g)

Fonema pré-palatal fricativo sonoro: ajudar, rajar, fageda. Em posição inicial absoluta o fonema é normalmente fricativo, mas em dialetos pode estar substituído pelo africado correspondente.

[?] - (graf. tx, ig, g, s)

Fonema pré-palatal africado surdo. É uma variedade africada correspondente ao fricativo  surdo. Aparece como intervocálico e final: butcaxa, cotxe, rebuig. Normalmente não se encontra em posição inicial absoluta. Quando o fonema fricativo vem precedido de oclusivo, converte-se em africado: cap xoc.

[f] - (graf. tg, tj, j, g)

Fonema pré-palatal africado sonoro. Variedade africada que corresponde ao fricativo sonoro. Aparece normalmente em posição intervocálica: homenatge, adjunt. Quase não se encontra em posição inicial absoluta.

[n] - (graf. n)

Fonema pré-palatal nasal sonoro. Em contato com um fonema consonantal palatal seguinte, o alveolar /n/ torna-se pré-palatal: panxa, àngel.

[l] - (graf. l)

Fonema pré-palatal lateral sonoro. Em contato com um fonema palatal seguinte, o alveolar /l/ palataliza-se: el llamp, el gendre.

/y/ - (graf. i)

Fonema médio palatal fricativo sonoro. Articulação normal do [i] consonantal em posição intervocálica: noia, deia. Em posição inicial absoluta, o [i] é normalmente fricativo. A ênfase articulatória pode converter o [i] fricativo no africado correspondente. Temos, assim, um fonema médio palatal africado sonoro: jo, ja.

Em Maiorca, ocorrem outros fonemas médio palatais:

a) médio palatal oclusivo surdo, correspondente ao velar: [k]: cambra, crec.

b) médio palatal oclusivo sonoro: articulação maiorquina do fonema velar [g]: gana, vingué.

c) médio palatal fricativo sonoro: outra articulação maiorquina do fonema velar [g]. Caracteriza a pronúncia do [g] em posição não inicial: nem precedida de fonema nasal ou oclusivo: agafar, purga.

/?/ (graf. ny)

Fonema médio palatal nasal sonoro. Articulação normal do [?] palatal: nyayno, canya, munyir, empeny.

/?/ - (graf. ll)

Fonema médio palatal lateral sonoro. Articulação normal do [l] palatal,  grafado ll; llauna, lluna, ballar, senzill. Este fonema pode ser geminado no interior da palavra ou por fonética sintática: espatlla, cap llam.

Fonemas consonantais velares: /k/, /g/, /w/.

/k/ - (graf. c, qu)

Fonema velar oclusivo surdo: casa, curar, amic. Além de sua articulação normal, este fonema apresenta vários casos de assimilação ao fonema consonantal seguinte. A assimilação pode resumir-se à sonorização do fonema seguinte ou pode ocorrer uma articulação africada. Seguido de nasal, o [k] nasaliza-se, convertendo-se em nasal velar [n].

/g/ - (graf. g, gu)

Fonema velar oclusivo sonoro: gos, guerra, tingués. A articulação é normal em posição inicial absoluta, precedido de nasal ou depois de qualquer outro fonema oclusivo, mesmo assimilado. Seguido de nasal, o [g] nasaliza-se em [n].

[g] - (graf. g, gu)

Fonema velar fricativo sonoro. Articulação normal em posição não inicial absoluta nem seguido de fonema consonantal nasal nem oclusivo: amagar, espiga, la guerra.

[n] - (gra. n, m)

Fonema velar nasal sonoro. Articulação normal do [n] seguido de fonema consonantal velar: s’enfanga, són gossos.

[l] - (graf. i)

Fonema velar lateral sonoro. Considera-se velar a articulação implosiva precedida de vogais da série central [a] e suas variantes ou das vogais velares [o], [u]: malalt, alba, el noi, culpa.

[w] - (graf. u)

Fonema bilabiovelar fricativo sonoro. Articula-se como consoante intervocálico, mais fechado que o [u] semivogal e semiconsoante: cauen, diuen, deu arribar, bou e vaca.

[x] - (graf. j, g)

Ocorre ainda no domínio do catalão,  o fonema [x] do espanhol: velar fricativo surdo, que, embora não pertencendo à língua, está bastante difundido na língua comum. Corresponde à grafia j do castelhano: lejia, jefe. A adaptação popular realiza-se como velar oclusivo surdo.

CARACTERÍSTICAS FONÉTICAS E MORFOLÓGICAS

Podemos observar que a fonética do catalão corresponde, na maioria dos casos, à do português, ao menos no nível fonológico, pois no fonético as realizações são muito variadas. Destaca-se a mudança de alguns fonemas átonos em final de palavra, seu enfraquecimento e até desaparecimento, daí a quase total ausência de vogais em final de palavra, com exceção do a: tactum > tret; factum > fet; tussim > tos; tempus > temps, corpus > corps > cos; mas, terram > terra; tegulam > teula, porém, quando à vogal final precede um grupo de consoantes que precisa articular-se como plosivo, mantém-se a vogal final, chamada vogal de apoio: patre > pare, latro > lladre, hosp(i)te > hoste, ferru > ferro, bracchiu > braç, pl. braços.

O catalão oriental não distingue entre [a] e [e] átonos confluindo ambos no chamado a neutro [?]. Também não faz distinção entre [o] e [u] átonos, confluindo ambos em [u]. No catalão oriental, o [e] longo latino pronuncia-se [?] aberto, enquanto no ocidental pronuncia-se fechado.

Com relação aos fonemas consonantais, podemos notar algumas realizações diferentes dos outros dois romances ibéricos. Entre elas:

a) o l latino (port. lh) é palatalizado e grafado ll como em espanhol: lumen > llum; leporem > llebre;

b) mb > m, em posição intervocálica: lumbum > llom, plumbum > plom; palumba > paloma;

c) perda do -n final: canem > ca; pinum  > pi; linum > li; plenum > ple; leonem > lleó; caminum > cami; rationem > raó, mas mantém a nasal nos plurais: cans, pins, lleons, camins. Neste caso, como em outros, o catalão aproxima-se do provençal.

d) pl-, fl-, cl-  sem palatalizar. Aqui, o catalão diferencia-se do espanhol e do português e muito mais do francês, do qual não adota muitas peculiaridades inovadoras. A ausência de palatalização destes grupos também se verifica em outros dialetos peninsulares como o aragonês e o moçárabe.

e) os plurais dos nomes em a final mudam esse a para e: casa > cases, mula > mules. Os nomes terminados em consoante recebem simplesmente o s: pan > pans, man > mans, car > cars, pont > ponts, alt > alts, verd > verds. Nos grupos de duas consoantes finais, a segunda consoante não é pronunciada: verds [b?rs].

    1.1.3. Domínio do catalão

O catalão situa-se, em sua maior parte, dentro do Estado Espanhol. De acordo com a Constituição de 1978, as comunidades autônomas têm o direito de usar oficialmente sua própria língua, paralelamente ao espanhol, língua oficial do Estado. As comunidades de língua catalã fazem amplo uso de seu vocábulo, apesar da grande pressão do espanhol, devido à sua longa convivência histórica, vizinhança e projeção universal. Ao domínio catalão no Estado Espanhol pertencem:

1) A Comunidade Autônoma da Catalunha (Catalunya), com exceção de uma pequena área situada ao norte dos Pireneus, denominada vale de Aran, domínio do gascão;

2) O antigo Reino de Valência, hoje comunidade autônoma (País Valenciano), principalmente sua faixa litorânea, porque na fronteira oriental desta comunidade existem amplas zonas que não pertencem a este domínio;

3) A comunidade autônoma formada pelas Ilhas Baleares;

4) Uma faixa territorial na fronteira ocidental, pertencente politicamente à Comunidade Autônoma de Aragão.

Fora do território espanhol, pertencem ao domínio do catalão o Principado de Andorra, o Departamento do Rossilhão ou Pireneus Orientais, no sul da França e a pequena localidade de Algero na ilha da Sardenha.

O domínio do catalão compreende mais de seis milhões de habitantesvi, na sua maioria - mais de cinco milhões - no território do Estado Espanhol.

    1.14. Dialetos e subdialetos

O domínio do catalão é repartido em duas grandes áreas que apresentam algumas diferenças dialetais: a oriental e a ocidental.

Ao catalão oriental pertencem o dialeto central (a maior parte da província de Gerona, quase toda a província de Barcelona e o NE de Lérida na Catalunha); o baleárico (nas Baleares); o rossilhonês (no Rossilhão e em outras localidades do sul da França e NE da província de Léridas) e o alguerês (na localidade de Alguero, na Sardenha).

Dentro destes dialetos existem vários subdialetos, entre os quais se destacam os seguintes:

a) no central: o barcelonês, o salat, o terraconense e o xipella.

b) no balear: o maiorquino, (que inclui o manacorino), o minorquino e o ibicenco.

O catalão ocidental compreende o leridano, (no Principado de Andorra; em quase toda a província de Lérida e parte de Tarragona - ambas da Catalunha -; e norte da província de Castellón de La Plana, em Valência); além de uma estreita faixa ao leste de Aragão. O valenciano compreende quase toda a Comunidade Autônoma de Valência, menos o norte da província de Castellón.

Dentro do leridano merecem menção os subdialetos: andorrano, palharês, ribagorzano e tortosino e no valenciano o castelhonense, o epitxat e o alicantino.

 

2. COLABORAÇÃO DO CATALÃO  AO LÉXICO DO PORTUGUÊS

    2.1. LÉXICO DE ORIGEM CATALÃ

Embora o catalão e o português não estejam em contato em nenhuma área geográfica nem tenham estado em qualquer período histórico, sabemos que o catalão serviu como língua-ponte entre os dialetos ao norte dos Pireneus e os da Península Ibérica. Na Idade Média foi grande a afluência de peregrinos da Catalunha e de além dos Pireneus a Santiago de Compostela pelo Caminho de Santiago, que atravessava todo o norte da Península. Muitos termos da lírica provençal, comuns ao catalão e ao provençal (ou lemosim), penetraram naquela época no galego-português e na literatura trovadoresca que ali se desenvolveu, permanecendo na língua. Existem inclusive teorias sobre contato mais direto pelo norte da Península, devido à semelhança dos dialetos daquelas regiões:

Por el momento, sin embargo, y a pesar de las objeciones de Sanchìs Ouarner y de Colón, es posible adherirse a la tesis fundamental de Menéndez Pidal, según la cual una cadena de dialectos del Norte, que poseen sobre una tradición que se prolonga hasta época preromana, pero que, sin embargo, a partir del punto en que los múltiples límites heredados se confunden en un haz, fue la Reconquista la que determinó dominios lingüísticos, conservándose no obstante durante esta proceso en medida que aún puede precisarse mejor, y gracias a la población mozárabe, elementos preromanos o, en todo caso, elementos heredados, que se mezclaron con las lenguas procedentes del Norte.vii

No português de hoje deparamo-nos com diversos vocábulos originários dessa língua, introduzidos nela diretamente ou através de outra, geralmente o espanhol. É freqüente a ocorrência de termos que apresentam dúvida quanto à sua origem catalã, provençal ou de outras línguas medievais do sul da França, do frâncicoviii, etc., devido ao longo período de contato e ao uso comum na literatura trovadoresca.

Com este trabalho pretendemos catalogar e analisar, ainda que sucintamente, esses termos, valendo-nos das obras de referência disponíveis.

    2.2. EXECUÇÃO DO TRABALHO

Utilizamos vários dicionários gerais da língua portuguesa, entre eles o Aurélio, na atualidade o mais completo e atualizado do gênero. Os termos indicados como provenientes do catalão, foram conferidos em outros dicionários conceituados, entre eles o etimológico espanhol de Joan Corominas, lexicógrafo nativo do catalão e profundo conhecedor dessa língua. Quando paira dúvida quanto à origem de alguma entrada lexical assinalamo-la com ‘?’ e, quando necessário, esclarecemo-la em nota. Só nos ocupamos dos empréstimos do catalão ao português, mesmo dos que foram introduzidos através de outra língua. Não consideramos os derivados desses termos porque, na sua maior parte, se originaram no português.

 

ABREVIATURAS

adj. = adjetivo

ant. = antigo

arc. = arcaico

Astr. = Astronomia

atr. = através

BA = Bahia

bras. = brasileirismo

cat. = catalão

Const. = Nav.  Construção Naval

esp. = espanhol

f. = feminino

fig. = figurado

frân. = frâncico

gír. = gíria

gr. = grego

graf. = grafia

 int. = intransitivo

lat. = latim

m. = masculino

Mar. = Marinharia

MG = Minas Gerais

por ext. = por extensão

prov. = provençal

s. = substantivo

S. = Sul

t. d. = transitivo direto

t. i. = transitivo indireto

Tip. = Tipografia

v. = verbo

var. = variante

 

3. VOCÁBULOS PORTUGUESES DE ORIGEM CATALÃ

AMAINAR. [cat. amainar ?] V. t. d. Colher a vela; abarandar, acalmar, abrandar, tranqüilizar. V. int. abrandar(-se), serenar(-se).

ARRIAR. [cat. arriar] V. t. d. Abaixar, descer; colocar, deitar no chão, depor armas, render-se. Mar.  Deixar correr (pouco a pouco) um cabo que agüenta um peso. V. int. Cair ou vergar sob peso, arriar-se, perder as forças, desanimar, afrouxar. Bras. Gír. Ficar intensamente apaixonado por alguém.

BACIO. [cat. baci.] S. m. Urinol.

BAIXEL. [cat. baixel.] S. m. Ant. Barco ou navio.

BAIXELA. [cat. vaixella, do lat. vascella, fr. vaisselle.] S. f. Conjunto de utensílios utilizados no serviço da mesa ou no culto divino.

BALSO. [cat. balç] S. m. Mar. Alça que se dá no chicote ou no seio do cabo para içar uma pessoa ou objeto.

BELDADE. [cat.  beltad,  da linguagem trovadoresca.] S. f. Beleza;  mulher bela, formosa.

BOSQUEJAR. [cat. bosquejar, atr. do esp.] Fazer bosquejo de, delinear. Descrever a traços largos.

BRANDAL. [cat. brandal ?] S. m. Mar. Cada um dos cabos que agüentam os mastaréus. Cada um dos cabos que agüentam os mastros.

CALAFETAR. [cat. calafetar, at. do esp. ant. calafetar.] V. t. d. Vedar com estopa alcatroada. Tapar, vedar.

CAPARROSA. [cat. caparrós.] S. f.  designação vulgar de vários sulfatos.

CAPACETE. [cat. cabasset.] S. m.  Armadura oval para a cabeça; peça côncova que cobre a caldeira do alambique; capitel.

CATIMPLORA, CANTIMPLORA. [cat. cantimplora ‘chora’.] S. f.  Vaso de metal para resfriar canta i plora, ‘canta e água’.

CAPICUA [cat. cap-i-cuaix ‘cabeça e cauda’] S. f. Grupo de algarismos que, lidos da esquerda para a direita ou vice-versa, dão o mesmo resultado. No jogo do dominó, a pedra que pode finalizar o jogo de um ou de outro lado.

CONVITE. [cat. convit.] S. m.  Ato de convidar, convocação. Por ext. Mensagem oral ou escrita em que se formaliza este ato.

CORANDEL, CORONDEL. [cat. corondell, atr. do esp. corondel.] S. m. Tip. Parte da composição em medida mais estreita que a página.

DONZEL. [cat. donzell.] Adj. Puro, ingênuo.  S. m. Na Idade Média, moço que ainda não era armado cavaleiro.

DOSSEL. [cat. dosser.] S. m. Armação ornamental saliente, forrada e franjada, que enfeita altar, trono, leito etc.; sobrecéu.

DISFARÇAR. [cat. desfressar.] V. t. d.  Encobrir, tapar, ocultar. Reprimir, conter; dissimular, mascarar. V. t. d. e int. Vestir de modo que não se conheça.

ESCORCIONEIRA. [cat. escurçonera, talvez pelo esp. escorzonera.] S. f. Bras. RJ e RS. Certa erva da família das compostas.

ESMALTE. [cat. ou prov. ant. esmalt, do frân. smelt.] S. m.  Substância transparente, colorida com óxidos metálicos, aplicável em estado líquido. Fig. Esplendor, brilho, realce.

ESMERIL. [cat. esmeril, do gr. bizantino smeri.] S. m.  Variedade compacta de coríndon que contém óxido de ferro. Pedra de amolar.

ESPARAVEL. [cat. esparaver, do frân. *sparwâri ‘gavião’.] S. m.  Rede de pescar. Franja de chapéu-do-sol ou cortinado. Sobrecéu do leito, desempenadeira.

ESPELTA. [cat. espelta.] S. f. Espécie de trigo de qualidade inferior.

FAINA. [cat. ant. faena.] Mar. Atividade ou trabalho a que concorre grande parte da população.

FAIXA. [cat. faxa, do lat. fascia.] S. f.  Tira de tecido ou couro, fita, atadura.

FOGUETE. [cat. coet.] S. m. Engenho pirotécnico que estoura no ar em festa etc. Motor usado em projetis, mísseis, espaçonaves etc. Astr. Veículo espacial que utiliza a propulsão a reação. Bras. Tip. Sinal usado na revisão de provas. Bras. Indivíduo expedito, ativo.

GAFA. [cat. ou prov. gafa.] S. f. Ant. Gancho com que se puxava a corda da besta para armá-la.

GUANTE. [cat. guant, do frân. * want.] S. m.  Luva de ferro na armadura antiga.

METAL. [cat. e esp. metal, do gr. métallon, pelo lat. metallu.] S. m. Designação comum aos elementos químicos eletropositivos, em geral sólidos, brilhantes e bons condutores de calor e eletricidade.

MOLHE. [cat. moll.] S. m. Estrutura marítima enraizada em terra e que pode servir de quebra-mar, guia corrente os acostável.

NAU. [cat. nau, do lat. nave.] S. f.  Antigo navio redondo, com encastelamentos na popa e na proa. Poét. Qualquer embarcação.

ORATE. [cat. orat ‘louco’, atr. do esp. orate.] S. m.  Louco, doido, maluco, idiota.

ORGULHO. [cat. orgull, do frân. *urgoli  ‘excelência’] S. m.  Conceito elevado que alguém faz de si mesmo. Amor-próprio. Idéia exagerada de nosso mérito.

PAIOL. [forma dialetal do cat. em vez de pallol.] S. m. Depósito de pólvora e outros petrechos de guerra. Const. Nav.  Qualquer compartimento des-tinado à guarda ou armazenamento de materiais ou gêneros. Bras. Armazém para depósito de gêneros de lavoura. Bras. MG  e SP. Depósito de milho ou outros cereais. BA. Monte de cascalho.

PAPEL. [cat. paper, do gr. pápyrus, pelo lat. papyru.] S. m.  Pasta de matéria fibrosa de origem vegetal.

MOSCATEL. [cat. moscatell, talvez pelo esp. moscatel.] Adj. Variedade de uva muito apreciada.

PERNO. [cat. pern.] S. m.  Pequeno eixo cilíndrico de vários mecanismos.

PINCEL. [cat. pincell, pelo arc. pinzel]. S. m. Objeto constituído de um tubo de pelos para espalhar tinta etc. Fig.  A pintura. Fig.  O pintor.

POLACA. [cat. pollaca.] S. f.  Mar. Vela que, em caso de mau tempo, enverga um estai. Antigo navio a vela.

PÓLVORA. [cat. polvora, atr. do esp. pólvora.] S. f.  Mistura ou composto químico explosivo, utilizado como carga de propulsão ou de arrebatamento em projetis, minas etc.

PONTEL. [cat. puntill, pelo esp. puntal.] S. m. Haste com que se segura o vidro quando se caldeia.

PREBOSTE. [cat. prebost  ‘preposto’ (do soberano).] S. m.  Antigo magistrado de justiça militar. Designação comum a diversos antigos funcionários reais e senhoriais.

PREPAU. [cat. perpal.] Const. Nav. S. m. Tabuão preso horizontalmente às escoteiras,  junto ao mastro.

PROIZ. [cat. prois.] S. m. Ant. Mar. Cada um dos cabos com que se amarravam as embarcações à terra.

RETRETE. [cat. retret ‘lugar retirado’, var. retreta.] S. f. Latrina.

RUBI.  [cat. rubi, do baixo lat. rubino.] S. m.  Variedade de coríndon de cor vermelha muito viva. Poét. Cor muito vermelha.

SARDANA. [cat. sardana] S. f.  Dança de roda popular da Catalunha.

SOCAIRO. [cat.  socaire.] S. m. Mar. Parte de um cabo que, depois de dar a volta a um cabrestante é agüentada com a mão e soltada de acordo com as necessidades. Abrigo natural.

SOÇOBRAR. [cat. sotsobrar, atr. do esp. zozobrar.] V. int. Virar a embarcação. V. t. d.  Fazer naufragar, afundar. Revolver. Agitar, perturbar, desvairar.

SOLAU. [cat. solau ?] S. m. Antigo romance em verso, geralmente acompanhado de música.

SOTA. [cat. e esp. sota.] S. f. Dama do baralho.

TRABUCO. [cat. trabuc, atr. do esp. trabuco.] S. m. Antiga máquina de guerra com que se atiravam pedras; balestra. Bras. Fig. Charuto grande.

VELUDO. [cat. vellut, esp. velludo, do lat. villudu.] S. m. Tecido coberto de pelos cerrados, curtos e presos pelos fios da tela. Por ext. Objeto ou superfície macia.

VINAGRE. [cat. vinagre.] S. m.  Produto oriundo da transformação do ácido acético do álcool pela fermentação. Fig. Coisa acre.

 

4. CONCLUSÃO

O catalão é uma língua românica cuja origem foi muito discutida. Acreditou-se que fosse um dialeto do provençal, mas constatou-se que era uma língua independente, originária do latim como as demais línguas neolatinas. Depois a discussão desviou-se para a sua classificação: galor-romance ou ibero-romance? A conclusão que parece ser definitiva acredita que é uma língua-ponte com características de ambos os grupos lingüísticos. Desenvolveu-se em um território fronteiriço em ambos os lados dos Pireneus, alternando a influência de um e outro lado. No sul da França teve lugar nos séculos XI e XII uma literatura lírica trovadoresca conhecida como provençal. Esta literatura expandiu-se à Catalunha e nos séculos que se seguiram foi ali amplamente cultivada numa língua de compromisso chamada lemosimx. Posteriormente empregou-se já o catalão.

Catalunha uniu-se a Aragão e o novo reino partiu para aventuras milirares pelo Mediterrâneo, conquistando as principais ilhas desse mar e o sul da Itália. O catalão foi levado a essas possessões, estendendo assim muito o seu domínio. O que ficou neste domínio nos dias de hoje situa-se, na sua maior parte no Estado espanhol, do qual a Catalunha, Valência e Baleares são comunidades, onde predomina o catalão, expande-se também a uma faixa fronteiriça da comunidade de Aragão e fora do Estado espanhol abrange o Rossilhão na França, o Principado de Andorra, entre a França e a Espanha, e a pequena localidade de Alguero, na ilha da Sardenha. É a língua nativa de uns seis milhões de habitantes, a grande maioria no Estado espanhol.

O catalão possui diversos dialetos, sendo os mais característicos os que dividem o domínio na Península em duas faixas verticais: o oriental e o ocidental. Dentro destes há vários outros dialetos e subdialetos que geralmente têm como centro irradiador uma cidade importante e recebem a denominação da região geográfica correspondente. Atualmente, devido ao crescente cultivo da língua e à penetração dos modernos meios de comunicação, é provável uma aproximação dos dialetos, ao menos na língua escrita, em torno do catalão de Barcelona.

O catalão contriubuiu com cerca de 50 palavras ao léxico do português, algumas delas introduzidas através de outras línguas como o espanhol ou o francês. Algumas pertencem ao repertório comum do francês e do provençal e do catalão.

5. RECAPITULAÇÕES SUMÁRIAS

5.1. RESUMO

O catalão é uma língua românica independente, com características dos romances do território francês, principalmente do provençal, e dos romances ibéricos. É considerado uma ponte entre estes dois grupos de romances.

É a língua nativa de três comunidades autônomas do Estado Espanhol (Catalunha, Valência e Baleares), do Principado de Andorra, do Departamento do Rossilhão, no Sul da França e da localidade de Alguero, na Sardenha.

Calcula-se que existam cerca de seis milhões de falantes do catalão.

O domínio do catalão divide-se em duas grandes áreas dialetais (oriental e ocidental), que compreendem outros dialetos e subdialetos. O principal centro irradiador do catalão é a cidade de Barcelona. Atualmente intensifica-se o uso do catalão devido à autonomia que obtiveram as antigas regiões históricas no Estado espanhol.

O catalão também deu sua contribuição ao léxico do português.

5.2. ABSTRACT

Catalan is an independent Romanic language with features from both Romance languages of French territory and those of the Iberian Peninsula. It is considered a bridge between both language groups.

It is the native language of three autonomous communities in the Spanish State (Catalonia, Valencia and the Balearic islands), besides the principality of Andorra the department of Rousillon in the South of France and the town of Alguero in Sardinia.

It is estimated that there ara about six million of Catalan speakers.

The Catalan domain is divided into two dialectic areas (oriental and occidental), subdivided into other dialects and subdialects. The main Catalan irradiant center is the city of Barcelona. Nowadays the usage of Catalan is intensified due to the autonomy gotten by the historical regions in the Spanish State.

Catalan also contributed to Portuguese lexicon.

 

6.  BIBLIOGRAFIA

 

BADÍA MARGARIT, Antonio. Gramática histórica catalana. Barcelona: Noguer, 1931.

BALDINGER, Kurt. La formación de los dominios lingüísticos en la Peninsula Ibérica.  Vers. esp. Emilio Lledó y Monserrat Macau. Madrid: Gredos, 1972.

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DICIONÁRIO CONTEMPORÂNEO da Língua Portuguesa. Feito sobre o palno de F. J. Caldas Aulete. 3. ed. actual. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1948. 2. v.

ENTWISTLE, William J. Las lenguas de España: catalán, vasco y gallego-portugués. Madrid: Istmo, 1969.

MACHADO, José Pedro de. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1987. 5. v.

MAURER Jr., Theodoro Henrique. O catalão, o ibero-romance e o provençal. Separata de Filosofia, Ciências e Letras, no. 12, 1949.

 

7. NOTAS

i. BALDINGER, K., (1977), p. 125.

ii. Op. cit., p. 126.

iii. MAURER, T. H., (1949), p. 41.

iv. Na fonética seguimos Badía Margarit, Gramática histórica     catalana.

v. BADÍA MARGARIT, A., (1951), p. 93.

vi. Projeção sobre os cinco milhões citados por Badía Margarit, A. Gramática..., p. 61.

vii. BALDINGER, K., (1972), p. 158.

viii. Língua do alto alemão responsável por grande estrato de elementos germânicos no francês.

ix. Origem de capicua só em Corominas.

x. Lemosin: dialeto do provençal, da região  de  Limoges, famosa por  seus trovadores. Foi sinônimo de catalão.