1. INTRODUÇÃO
A partir da análise dos dicionários de uso didático nas escolas de 1.o grau, em especial nas de 1.o segmento no Município do Rio de Janeiro, constatamos que nessas escolas ainda não há efetiva e profícua utilização de dicionários, como elementos propiciadores de ampliação vocabular e elucidadores de dúvidas a respeito da significação de palavras desconhecidas.
Nas últimas décadas, as ciências da linguagem têm-se desenvolvido bastante, mas a maioria dos nossos dicionários ainda apresenta estrutura interna tradicional e normalmente são escritos para leitores adultos. O professor de 1.o grau, geralmente, conta com o apoio do livro didático e o trabalho com o léxico passa a ser direcionado pelos autores de livros didáticos que, na maior parte das vezes, substituem os dicionários.
O jogo do "marketing" é o fator determinante para a adoção de dicionários. É unânime a preferência dos professores pelo Mini-Aurélio, devido à intensa divulgação de que é objeto a obra do eminente lexicógrafo.
Inexiste uma tradição brasileira na confecção de dicionários. Assim, os dicionários quando organizados, apresentam insipiência quanto aos critérios lexicológicos, lexicográficos e semânticos. Ora usam-se o método analítico, ora o método sintético. Em alguns verbetes encontra-se o que em lexicografia se chama de circularidade semântica, tal como: vencer = alcançar a vitória; pode-se encontrar também a explicação de palavra por palavra, sendo esta última também estranha ao aluno: retorquir = replicar.
Muitos professores adotam dicionários segundo critérios equivocados e o porte é o principal deles. Pequeno, médio e grande não correspondem obviamente ao grau de desenvolvimento lingüístico da criança, adolescente ou adulto. A escolha dos itens lexicais em cada uma das modalidades parece dar-se de maneira aleatória.
A lexicografia deve, portanto, preencher essa lacuna existente no seu escopo: a produção de dicionários indicados para o público infantil. Levar em conta o estágio cognitivo e a faixa etária do usuário torna-se imprescindível na medida em que, para o aluno do 1.o segmento, o léxico falado é o natural meio de expressão e o léxico escrito ainda lhe é estranho, não familiar. Os métodos de ampliação vocabular e estudo do léxico, nesta fase, devem visar ao prazer da descoberta e conseqüentemente, ao prazer de falar e escrever palavras novas.
O presente trabalho visa à indicação de léxicos a partir da ambiência cultural dos alunos do 1.o segmento do 1.o grau, do repertório doméstico, dos livros didáticos e dos livros extra-classe habitualmente indicados pelos professores. Dentre os dicionários que foram objeto de pesquisa, somente o Mini-Aurélio é de uso comum entre as escolas e muitas das palavras próprias da ambiência cultural da criança e constantes dos livros didáticos das áreas de estudo do 1.o segmento, não estão presentes no dicionário utilizado. O trabalho proposto é a comprovação de que urge a existência de uma lexicografia mais produtiva e funcional a partir do mundo do usuário receptivo e promissor que é o aluno do 1.o segmento, seja qual for o seu meio social.
Pretende também o trabalho desenvolvido oferecer uma orientação mais segura aos professores e aos usuários dos léxicos a serem propostos, cumprindo o objetivo de ir paulatinamente ampliando o vocabulário do aluno, levando-se em conta a aquisição de novos significados é feita de maneira gradativa. Assim, desfaz-se a falsa crença de que o vocabulário de nossas crianças é "pobre, deficiente"; ele é apenas diferente e a escola, como será avaliado posteriormente, reforça o estigma.
O trabalho realizado é original no que concerne à inexistência de léxicos organizados a partir do "mundo" do usuário. Não existem na bibliografia lexicográfica brasileira, dicionários que preencham essa lacuna. Não se trata de um registro de freqüência e não há extensivas listas de palavras supostamente pertencentes ao mundo dos usuários, tenta-se, porém, abranger o problema das falhas quanto ao trabalho com o léxico nas escolas de 1.a a 4.a séries através da análise dos manuais constantes dos livros didáticos, de questionários preenchidos por professores e da atividade realizada com os alunos após a leitura extra-classe.
Quanto à questão metodológica, foi feito um levantamento dos dicionários adotados e dos livros didáticos trabalhados pelos professores em três áreas de estudo pertinentes ao currículo do 1.o segmento do ensino do 1.o grau: Comunicação e Expressão, Integração Social e Ciências. O principal foco da pesquisa foi o tratamento dispensado pelo livro didático ao léxico. Foram examinados também livros extra-classe comumente sugeridos pelos professores. Cerca de 90 professores preencheram um questionário onde explicitaram o tipo de trabalho pedagógico que têm desenvolvido com o léxico. Houve, finalmente, o exame contrastivo dos dicionários com os livros de literatura infanto-juvenil.
A elaboração de um dicionário destinado ao público em questão não é tarefa simples: requer exaustiva pesquisa e real conhecimento da matéria e do usuário a que se destina.
Se as trocas entre a língua e o mundo são feitas essencialmente pelo léxico, cumpre que professores, autores de livros didáticos e lexicógrafos passem a perceber o aluno do 1.o segmento do 1.o grau como o ser ativo que pretende não só receber, mas também trocar experiências, informações e até mesmo palavras.
2. O LÉXICO
As trocas entre a língua e o mundo são feitas essencialmente pelo léxico. Os sistemas de categorização semântica variam de língua para língua, em função da ligação com a cultura. Tudo que existe na cultura, termo tomado no sentido antropológico, será fixado e veiculado pela língua. Assim, num determinado momento histórico da língua latina havia quatro palavras para designar tio/tia: avunculus, patruus, amita e matertera. A existência desses quatro itens lexicais se justificava por causa do código jurídico romano. Línguas modernas como o português (tio/tia), o francês (oncle/tante) e o inglês (uncle/aunt) abriram mão da diferenciação existente em latim.
Edward Sapir (1966) já afirmava que não se pode avaliar uma língua a partir do vocabulário que dela se extrai. Se uma língua possui mil palavras e seus falantes sentirem necessidade de criar outras, usarão dos mesmos recursos: empréstimos, neologismos ou construções de metáforas. Reveste-se o léxico, então, de caráter semiótico inerente à sua função de construir e reconstruir continuamente um sistema de mundo através da língua. De maneira geral, o léxico é o conjunto de unidades codificadas significantes ou signos. O signo lingüístico formado por um significante sensível e por um significado abstrato associado ao elo arbitrário da convenção, remete o significante ao significado. A denotação é determinante na evocação dos objetos do mundo, tornando-os presentes à consciência não tendo tais objetos, muitas das vezes, existência real e verificável, mas sim uma existência sócio-cultural. A denotação provê independência e mobilidade ao signo lingüístico que destarte, pode ser empregado sozinho com um sentido. Além disso, o signo da língua tem o poder de remeter não somente a um objeto, mas a uma classe de objetos. O signo possui, pelo menos, um núcleo de sentido que é ao mesmo tempo determinado e estável e aquilo a que o signo remete não varia de um contexto para outro.
A palavra lexical representa melhor o signo lingüístico ótimo, como bem o diz Rey Debove (1973), e diferentemente da palavra gramatical ela é semanticamente independente da situação e da enunciação. O sentido da palavra lexical, como já foi mencionado anteriormente, está plenamente codificado e as circunstâncias de seu emprego quase não a modificam, senão para enriquecê-la provisoriamente com uma referência particular. O conjunto das unidades submetidas às regras de gramática de uma língua constituem o léxico dessa língua. Os dois, gramática e léxico, tornam possível a codificação (produção) e a decodificação (compreensão das frases dessa língua).
O léxico apresenta amplitude capaz de compor um sistema de mundo, ele é o domínio da língua menos especificamente lingüístico e se reporta ao universo referencial, físico e cultural em que se situa o homem. Como afirma Hegel, a palavra, só o conceito da qual recebe seu estatuto de indivíduo no universo mental, essa palavra acrescenta sua realidade própria ao conceito, ao mesmo tempo, o conceito encontra na palavra uma fixação e limites. Para exprimir e estruturar seu pensamento, o indivíduo utiliza a palavra lexical, mas o dizível nem sempre se pode exprimir por uma palavra única: é necessário um grande número de palavras diversamente combinadas. A partir desse ponto, torna-se necessário abordar a questão sintagmática. Os sintagmas funcionam como uma perífrase que tem valor de palavra, mas que não está codificada como a lexia. A perífrase é arbitrária, cada pessoa é livre para construir sua perífrase como quiser. Entende-se, portanto, que a palavra lexical pertence a um conjunto infinito, sem dúvida em expansão, em evolução semântica e sócio-cultural. Tanto no plano real como no imaginário, a nominalização é importante e fornece a seres imaginários existência concreta. Para ilustrar valho-me do exemplo de Rey-Debove: a mulher com cauda de peixe que tem nome de sereia, tem para nós muito mais "realidade" que a mulher com cabeça de ave que não tem nome nenhum. A palavra lexical, inegavelmente, lega existência às idéias, conceitos ou coisas que necessitam de existência para funcionarem como intermediadores, explicadores ou organizadores do mundo. É de fácil constatação a força da palavra no que concerne à sua capacidade de provocar mudanças num mundo tão antagônico como o nosso.
O substantivo é a mais representativa das palavras lexicais, pois é fundamental em todo e qualquer tipo de enunciação. Mesmo quando dizemos: -Vem!, subentende-se existência do substantivo apelativo. O falante desde a mais tenra idade, expressa-se por substantivos e eles constituem, por assim dizer, a base lexical de uma língua. Eles nos permitem organizar o mundo construindo classes de objetos, de fatos, de pessoas etc., e é por essa classe que o léxico tende a escapar do sistema da língua. A palavra lexical, representada principalmente pelo substantivo, une o sistema imanente duma língua a tudo o que não é ele: ao mundo e às outras línguas e escapa parcialmente às leis da gramática e até à semiótica lingüística. Essa fundamental classe de palavra tem o privilégio de ser o "recepcionista" da língua e tudo na linguagem pode ser transformado em substantivo. Isso advém do fato de exprimir o nome, "o objeto de que se fala" e também do fato de se poder falar tudo. Com o avanço das técnicas e o progresso das ciências, surge a necessidade de dar nome ao que é criado e quando as coisas novas vêm do estrangeiro, elas já têm um nome e mesmo que a língua aceite tal empréstimo, a palavra pode ser incorporada e sujeitar-se às regras gramaticais da língua que a tomou. Em xerox houve o aparecimento de derivados.
Palavras técnicas são mais resistentes ao aportuguesamento, embora o Novo Aurélio registre copidesque e copirraite, palavras inglesas já adaptadas ao sistema fonético do português.
2.1. ESTUDO DO LÉXICO: ABORDAGEM PRAGMÁTICA
O léxico de uma língua está em permanente estado de ampliação e o campo das trocas reais ou possíveis é um estado de língua de curta duração. A duração máxima duma sincronia prática é a que pode projetar-se na memória (transformação do tempo histórico vivido em experiência presente), isto é, a duração duma vida humana. Novas palavras podem surgir para suprir as chamadas casas vazias vocabulares que representam objetos culturais igualmente novos. Este seria o caminho da neologia. Por outro lado, dado o caráter polissêmico do léxico, um item lexical pode receber expansões de significados.
É impossível adquirir competência lexical ótima na medida que os campos lexicais e semânticos apresentam diferenças e significações de difícil delimitação. As unidades lexicais estão em constante renovação e dentro da imensa massa lexical, encontram-se palavras restritas à determinada classe de indivíduos; são os idioletos, que contêm como componentes lexicais os vocabulários individuais. Cada indivíduo tem seu próprio vocabulário que pode ser ativo ou passivo. A quantidade de palavras conhecidas, como também a natureza das mesmas ‘que singularizam o vocabulário. Os idioletos, todavia, têm como grande parte de palavras em comum e esse fator garante a comunicação e a realidade do léxico.
O aluno que a escola de 1.o grau recebe tem uma forma especial de ver a cultura e o seu vocabulário é uma prova disso. Seja qual for o seu nível sócio-cultural, ele pode apelar para o seu sentimento lingüístico e perceber a adequação ou não do seu léxico às diversas situações de aprendizagem. Através da leitura o indivíduo consome o léxico e este pode tornar-se mais variado a partir desse contato, dependendo essa relação do escopo ideológico, que deve ter como conseqüência natural a escrita, tendo a escrita a possibilidade de manifestar o sentido da palavra e empregá-la dando a perceber que as palavras não têm significado transcendental, elas vêm do discurso ou mundo das essências, ou da história, ou da própria forma natural delas. Discursar, dizer, não é apenas informar, comunicar ou inculcar (como pretende o discurso autoritário da instituição escolar), é também reconhecer pelo afrontamento ideológico. Tomar a palavra é um ato dentro das relações de um grupo social. As palavras buscam sentido e voz no discurso pedagógico, porque há, em relação à escola, uma seleção que decide de antemão quem faz parte dela e quem não faz, quem está em condições de se apropriar desse discurso e quem não está. Há, entretanto, um outro processo interno, que não é da simples seleção, mas o do esmagamento do outro.
Perceber que o estado lexical pode ser profícuo e ampliar o texto que cada indivíduo traz dentro de si, para que o mesmo seja capaz de produzir outros textos e não apenas re-produzir, deveria ocorrer com os mestres que se propõem a inovar em pedagogia da língua portuguesa. Contudo, o estudo lexical tem-se resumido a simples "lições de vocabulário" e o dicionário, obra lexicográfica de imenso valor cultural, ainda é mal conhecido e utilizado inadequadamente.
Ao tecer o próprio discurso, o falante sente vibrar a força e magnetismo das palavras, instrumentos do sentido e conseqüentemente, da expressão. O aluno que deseja escrever necessita de subsídios básicos que melhorem a sua escritura, o sentido de certas palavras que lê ou que ouve, deveria ser esclarecido através do dicionário, mas os dicionários não resolvem a maioria das questões relativas às dúvidas dos alunos, porque não existem dicionários elaborados a partir do universo e das necessidades do usuário referido anteriormente, os dicionários existentes são tipo-padrão em miniatura. Constata-se com certa clareza que os chamados dicionários infantis constituem mais um apelo do "marketing" editorial do que uma efetiva contribuição para o aumento do vocabulário dos falantes.
2.2. DICIONÁRIO E DEFINIÇÃO LEXICOGRÁFICA
É dentro do momento histórico da evolução da língua e dentro de uma determinada norma cultural que se enquadra o tesouro vocabular de uma língua. Jean Dubois afirma que essa norma não é definida apenas pela aceitabilidade de todos os termos e de todas as frases contidas no dicionário, mas também por aquela dos enunciados engendrados pelo modelo sócio-cultural. Os termos não remetem apenas às palavras da língua, eles não são somente objetos da metalíngua lingüística, eles remetem também a enunciados culturais, a uma visão de mundo. (...) o dicionário visa tornar-se norma explícita da cultura da comunidade. A sanção lexicográfica se identifica com a sanção pedagógica: aquele que emprega termos não contidos no "tesouro" comum, destoa da norma lexical acordada socialmente.
Para os falantes brasileiros, a função normativa tem sido exercida e monopolizada pelo Aurélio. Remetendo o dicionário, tanto à língua quanto à cultura, constitui esse instrumento cultural o mais importante consulente dos falantes do idioma e deve ele dirimir dúvidas inequivocamente. A entrada léxica nem sempre é definida adequadamente e tal fato torna a tarefa lexicográfica improdutiva. No que concerne aos dicionários destinados ao público mais jovem das escolas de 1.o grau, verifica-se que o repertório lexical e a tipologia
dos mesmos, nem sempre convêm ao usuário. Um dicionário elaborado para o tipo de usuário referido deve atender às dúvidas do consulente sobre a sintaxe (regência preposicional, combinações possíveis), deve informar também sobre o(s) sentido(s) das palavras ou sintagmas lexicalizados, deve analisar a forma do vocábulo-entrada e informar o paradigma, se for o caso e por fim levar em conta a questão da variação vocabular.
Esse "corpus" representativo da língua falada escrita fornecerá as abonações dos significados, dos usos e das construções das palavras-entrada do dicionário. O banco de dados deve, necessariamente, incluir todas as variantes escritas da língua. Este arquivo constaria de textos literários, jornalísticos, textos específicos de livros de Ciências, Estudos Sociais ou Matemática, textos constantes de leituras extra-classe.
Não é de maneira uniforme que as palavras se dispõem no léxico e alguma têm mais do que outras a oportunidade de serem empregadas com freqüência. Só assume real valor a palavra aceita, retomada e repetida, sendo a soma de seus empregos tão importante quanto a sua diversidade de sentidos. Ao aluno deve ser permitido saber que as palavras mais freqüentes são as de formação popular e que as mesmas são suscetíveis do maior número de significados. Ao inverso do vocabulário freqüente, o vocabulário disponível é constituído de palavras de freqüência fraca e pouco estável, mas usuais e úteis que estão à disposição do locutor. Juntando-se o vocabulário freqüente com o vocabulário disponível, temos o vocabulário necessário.
O dicionarista deve também dar relevância aos sintagmas lexicalizados e o sentimento lingüístico desse especialista, ou mesmo de falantes não especialistas, também podem auxiliar na inserção de sintagmas portadores de forte tendência à lexicalização. As expressões idiomáticas são de imensa força semântica enriquecendo o trabalho com o léxico e resgatando o elemento popular, próprio e espontâneo que subjaz à língua. A definição do léxico é de extrema dificuldade porque a significação não é estável e fácil de se delimitar. Há mecanismos sócio-culturais que interagem sobre o vocabulário, ampliando-o, restringindo-o e alterando-o para que possa designar noções e objetos novos, existindo também possibilidades e latitudes do sistema lingüístico que numa perspectiva diacrônica (observando a trajetória histórica da palavra) ou sincrônica (dando conta da repartição de um conteúdo semântico numa multiplicidade de palavras desenhando as redes das relações dessas palavras). O sentido de uma palavra não é legível senão através das malhas da estrutura.
Os contextos é que servem para abonar os significados, as construções e os usos a serem registrados. Os contextos ideais são os que melhor explicitam o sentido, uso ou construção que se quer descrever, os que efetivamente representam uma boa linguagem e os que documentam os diferentes registros lingüísticos, os vários níveis de linguagem.
A definição da palavra-entrada, em termos objetivos, deve ser a paráfrase dessa palavra, equivalente a ela semanticamente. A paráfrase deve ser redigida em linguagem simples e formulada utilizando-se palavras freqüentes na língua, principalmente quando se trata de dicionários destinados a crianças ou adolescentes, a seleção deve ser feita em trabalhos pedagógicos e em listas de freqüência a serem elaboradas por lexicógrafos. A definição lógica, como sempre, aplica-se à classe dos substantivos, podendo às vezes, ocorrer o mesmo com os verbos, mas as demais classes de palavras não admitem tal tipo de definição. A definição lexicográfica e a definição lógica tendem a identificar de modo inequívoco o objeto definido de tal modo que ele contraste, por um lado, radicalmente, com todos os outros objetos suscetíveis de definição. Distinguindo a unidade léxica através da enumeração dos seus traços semânticos mais importantes, a definição deixa de ser lógica e se apresenta meramente lexicográfica.
2.3. DEFINIÇÃO LEXICOGRÁFICA E SEMÂNTICA: POLISSEMIA, SINONÍMIA, ANTONÍMIA E HOMONÍMIA
Os signos lingüísticos mais freqüentes são, por via de regra, os mais polissêmicos. Atualmente, os dicionaristas gradam os significados com base na sua maior freqüência de uso, isto é, dos sentidos mais comuns aos menos freqüentes. O sentido mais geral e não marcado deve figurar em 1.o lugar. Em segundo lugar, os sentidos mais especializados são marcados. A seguir, em terceiro lugar, tem-se os sentidos técnicos e em quarto lugar indicam-se os valores semânticos nas variedades lingüísticas mais restritas (regionalismos). Em quinto e último lugar, são registrados os sentidos obsoletos (caso dos dicionários de grande porte).
O lexicógrafo que se propõe a elaborar um dicionário para um público mais jovem, deve analisar cuidadosa e criteriosamente o leque de significados da palavra polissêmica e captar os traços semânticos que distinguem os vários sentidos de um vocábulo. Como é de se supor, os valores semânticos concretos ou primários antecedem os significados metafóricos. A noção de polissemia é essencialmente sincrônica e como tal, corresponde a uma necessidade imprescindível para o bem funcionamento da língua. Através da polissemia a lei da economia lingüística é estabelecida: o mesmo signo é reaproveitado várias vezes fazendo variar o significado. Quando ao aluno é dado o "poder" de realizar comutações e avaliar como uma palavra pode carregar-se de vários sentidos, há uma crescimento lingüístico inigualável e vários fatores estruturais concorrem para que o sentido de uma palavra seja percebido. O contexto imediato é que vai delimitar o sentido do signo e é ele o fixador de sentido resolvendo a ambigüidade. É inerente ao estudo do léxico a questão polissêmica, pois o fato de captar os sentidos e resolver as ambigüidades, observando os processos derivação imprópria, metáfora e metonímia, instrumentaliza o aluno a utilizar de maneira mais consciente e eficaz o léxico da sua língua, caminhando além das complexas relações lexicais e além da tradicional estrutura de sua língua, chegando a uma leitura de tipo novo, a que chamam Émile Genouvrier e Jean Peytard de "rede das relações semio-lexicais", quando o poeta reestrutura no léxico geral seu próprio vocabulário e as palavras assumem um sentido novo graças a essa reestruturação, carregam-se semanticamente e conotam.
Para que o falante perceba a conotação é necessário que todas as possibilidades de sentido do signo lingüístico tenham sido avaliadas. Essa é uma das principais falhas dos dicionários editados para o público escolar: os graus de polissemia de diversas palavras não são avaliados com a adequada atenção.
Já a sinonímia é definida como a equivalência entre palavras diferentes. Não existem sinônimos, em virtude da riqueza e flexibilidade da língua nos seus diversos matizes de usos afetivos, sociais, técnicos e científicos. Às vezes as palavras são comutáveis, apenas em níveis de língua diferentes e traduzem as diferentes atitudes afetivas do locutor. O locutor pode sentir uma equivalência realizada com variantes devido ora ao contexto social, ora aos níveis de língua. A sinonímia tem limites e por ocasião do estudo do vocabulário, esses limites precisam ser traçados. É muito importante que os dicionários forneçam sinônimos para que o usuário conheça as relações semânticas e amplie a sua competência vocabular.
Ao lexicógrafo cabe situar a palavra-entrada dentro da rede de significações de que ela faz parte explicando simultaneamente o valor dos demais componentes do mesmo campo léxico. A estratégia do contraste tem enorme efeito esclarecedor e distintivo para a mente humana. A riqueza semântica verificada a partir da significação próxima de sinônimos, antônimos e parônimos, é matéria que merece atenção e reflexão pedagógica, pois o uso lingüístico desses elementos, estabelece especificações que enriquecem o conteúdo lexical dos falantes.
A explicitação da antonímia é de expressiva utilidade em um verbete. Um grande número de palavras do léxico têm estrutura binária formando pares contrários. O significado pode ser eficazmente elucidado se a palavra for situada duplamente no campo semântico de que faz parte ou opondo-se ao campo semântico do(s) seu(s) contrário(s). O contraste faz com que o significado seja claramente percebido.
Os parônimos, palavras de forma parecida, ou ainda os cognatos da mesma família de palavras, também auxiliam na compreensão da palavra-entrada consultada. Como exemplifica Maria Tereza Bidermann( ): quando consultamos emigrante somos remetidos a imigrante, em flagrante se remete a fragrante. As peculiaridades lingüísticas são de grande valia para efeito-contraste que elucida o sentido das palavras de maneira mais proveitosa.
Tanto no fenômeno da homonímia quanto no da polissemia, o locutor depara com um só significante e vários significados. No caso da polissemia, várias acepções são atribuídas a uma palavra única e no caso da homonímia, palavras que têm a mesma forma fônica (homofonia) e às vezes a mesma forma gráfica (homografia) se distinguem pelo sentido. A convergência homofônica e a divergência semântica são fenômenos distintos que se reportam à evolução da forma de duas palavras para o mesmo significante (a partir de etimologias diferentes) e uma cisão semântica no significado de uma palavra única. No caso da convergência homofônica, palavras como sessão, seção e cessão têm com causa da homofonia homonímica, a evolução fonética que fez evoluir a palavra desde a forma latina até a forma portuguesa.
A divergência semântica é, por outro lado, fenômeno associado ao fato de as várias acepções para a palavra terem como origem uma palavra única. É interessante perceber que os múltiplos empregos da mesma palavra ao longo do tempo fazem como que as noções transmitidas por essa palavra sejam tão distintas que a mesma cobertura fônica, como afirma Genouvrier, parece pertencer a duas ou mais palavras como é o caso de paquete (grande navio a vapor) e paquete (menstruação).
Os homônimos têm caráter ambíguo e complexo. O dicionarista ao definir palavras homônimas deve ter em mente que a complexidade ortográfica torna a leitura menos ambígua, exercendo papel lingüístico importante e que somente os elementos contextuais resolvem a homonímia. Talvez o mais complexo problema para os lexicógrafos seja o dos homônimos porque remete à questão etimológica, visto que os homônimos eram comumente distintos através de entradas diferentes no dicionário. Pode ser esta a maneira mais coerente de se definir uma palavra que apresente o fenômeno homonímico e a abonação dos homônimos deve ser feita clara e precisamente.
A prática leva a crer que é extremamente difícil a tarefa lexicográfica de percorrer os campos lexicais e semânticos em sua multiplicidade e diversidade, ampliando o léxico individual do aluno quantitativa e qualitativamente. O leque de opções que se abriria a partir desse trabalho seria imenso, todavia apresenta entraves pedagógicos e não há dicionários que preencham essa lacuna.
Entendemos por campos lexicais os conjuntos de palavras que a língua agrupa ou inventa para designar os diferentes aspectos ou diferentes traços semânticos de uma técnica, de um objeto, de noção. Há, por exemplo, o campo lexical do sistema financeiro, da aviação. O vocabulário, reflexo do léxico num enunciado, melhora quantitativamente e atualiza-se quando os campos lexicais são examinados, tomando-se por base a experiência do aluno e sua situação sócio-cultural. O campo lexical reúne em torno de uma noção todas as palavras que permitam definir-lhe a extensão e a compreensão.
Já o estudo do vocabulário relacionando os campos semânticos é de extrema riqueza qualitativa. Definimos os campos semânticos pelo conjunto de empregos de uma palavra (ou sintagma ou lexia) onde e pelos quais a palavra adquire uma carga semântica específica). Para delimitar-lhes empregos, faz-se o levantamento de todos os contextos imediatos que a palavra recebe num conjunto lexical dado. Destarte, as questões de polissemia, sinonímia, antonímia podem ser trabalhadas com minúcia e atenção, isto é, explorando os campos semânticos o aluno distingue os matizes de uma palavra e ao mesmo tempo multiplica os usos dela. Instaura-se nesse ponto outra polêmica de base pedagógica: a interdisciplinaridade, elemento que poderia atuar no sentido de enriquecer o universo vocabular dos alunos e tomar o estudo do léxico como matéria de todas as disciplinas, logo de real interesse para alunos e professores.
Textos orais e escritos, portadores de múltiplo repertório lexical, devem ser trazidos e analisados lado a lado dentro da sala de aula, comparados e vivenciados. Geralmente o que acontece em nossas escolas, como afirma Marilena Chauí, é sermos obrigados a nos despir de tudo que é vida lá fora ao atravessarmos a soleira da porta da escola.
3. ABORDAGEM LEXICAL EM EXERCÍCIOS ESCOLARES, LIVROS DIDÁTICOS E PARADIDÁTICOS NO 1.O SEGMENTO DO 1.O GRAU
Sendo a presente monografia da real necessidade de se aprimorar o trabalho com o léxico em nossas escolas de ensino básico, notadamente as públicas municipais, professores e alunos foram requisitados a participar com importantes informações. Através de questionários aplicados a professores do 1.o segmento de ensino e até mesmo a professores de colégios particulares, ficou constatado que é unânime a preferência pelo minidicionário de Aurélio B. de Holanda devido à intensa divulgação de que é objeto. Entretanto 54% dos professores afirmaram já haver encontrado palavras difíceis em desacordo com a faixa de seus alunos. O exercício menos freqüente, portanto, é a tradicional verificação das palavras sublinhadas do texto no dicionário. O exercício menos freqüente, somente 9 professores afirmam aplicar esse tipo de exercício, é o que consiste na listagem de palavras que pertençam à mesma área do conhecimento. Houve um significativo número de abstrações evidenciando desinteresse dos professores ante o trabalho pedagógico como o léxico.
A partir de leituras extra-classe, verificou-se o mau uso que os falantes fazem do dicionário desde as primeiras séries escolares. Os alunos tiveram inúmeras dificuldades dentre as quais podemos destacar o desconhecimento da forma como as palavras vêm registradas no dicionário. O trabalho com o dicionário não foi funcional, parece ter havido autômata consulta ao dicionário, sem que o significado nebuloso fosse esclarecido.
Ex: Raro - de que a pouco não abundante. Obs.: Constatamos que abundante é tão desconhecido quanto raro.
Cansado - exaustão, fadiga.
Ruínas - restos de edifícios desmoronados.
Ironiza - não tem o significado desta palavra no dicionário.
Os professores, de maneira geral, não lançam mão de leitura extra-classe e quando elas acontecem, têm como objetivo principal exercícios escritos, questionários ou listagem de palavras desconhecidas.
Quanto à abordagem lexicográfica nos livros didáticos dirigidos ao segmento de ensino em questão, nas três áreas de estudo a seguir respectivamente (comunicação e expressão, estudos sociais e ciências), constata-se a existência de exercícios pouco criativos e que não levam efetivamente à melhoria da competência vocabular dos alunos. Muitas vezes o manual apresenta teorias lingüísticas modernas e interessantes, mas o livro não corresponde à expectativa, ou seja, à prática não precede a teoria. Foram analisados 12 livros didáticos de Comunicação e Expressão e apesar de a maioria apresentar glossários, demonstram preocupação com as formas dicionarizadas e nem tampouco remetem ao dicionário.
Quanto aos livros de Estudos Sociais e Ciências a situação não é diferente, ou melhor, é mais difícil. Raramente estes livros apresentam glossários, tornando o ensino dessas áreas de estudo mecânico e massante. No que diz respeito às matérias mencionadas, o estudo de campos semânticos, campos lexicais e mesmos a remissão a termos cognatos seriam de extrema utilidade. Ao estudar por exemplo as Capitanias Hereditárias, o glossário seria de extrema utilidade, estimulando a reflexão e a ampliação do vocabulário. Tal trabalho provavelmente reduziria as dificuldades para o entendimento de termos próprios de Ciências, História e Geografia no 2.o segmento do 1.o grau de ensino. O léxico tem caráter polissêmico, recebendo expansões de significados e apresentações em permanente estado de ampliação. Objetos culturais novos requerem palavras novas e deve ser escopo do livro didático, aliado ao dicionário, que por sinal é insubstituído, a constante ebulição por que passa o léxico de uma língua, procurando transmitir ao aluno essa idéia dinâmica e procurando levá-lo também a efetiva construção de conceitos.
4. PROPOSTA DE LEXICOGRAFIA PRODUTIVA
O livro didático que melhor enfoca a palavra, abordando a questão lexicográfica é A palavra é sua de Celso Pedro Luft. Neste livro, mesmo sendo ele destinado a alunos de 5.a série, o enfoque lexical é plenamente apropriado a alunos do 1.o segmento. Nele o estudo do vocabulário ocupa um espaço maior que nos congêneres. Apresenta seções que tratam da palavra no contexto intensivamente e nunca isoladamente, onde o aluno poderá perceber o significado único, a força específica e a sonoridade exclusiva de cada palavra. Talvez pelo fato de ser dicionarista, Celso Luft criou em seu livro didático a seção. A palavra dicionário e através desta seção que aparece em alguns capítulos do livro, ele informa sobre aspectos constitutivos dos dicionários e sobre termos associados ao dicionário, primordialmente procura não levar o jovem consulente a se interessar pela consulta do dicionário.
Até mesmo a abordagem gramatical é relegada a segundo plano e quando ela acontece há a preocupação constante em contextualizá-la, sendo ressaltados também aspecto semânticos.
Todas as iniciativas empreendidas para que sejam resolvidos os problemas relativos ao trabalho pedagógico com o léxico que, como já se avaliou anteriormente, alicerça o conhecimento e todas as informações veiculadas na escola, são de fundamental interesse para aqueles que se dispõem a inovar e melhorar o ensino da língua materna. No sentido de transformar o trabalho lexicográfico em produtivo e por assim dizer efetivo, devem confluir cientistas da língua, professores e autores de livros didáticos, para que se conceba a questão sob enfoques psicológicos, sociológicos e antropológicos, enfatizando procedimentos metodológicos e pedagógicos para orientar a organização de dicionários para crianças.
5. CONCLUSÃO
Goldmann, em a Criação Cultural na Sociedade Moderna, 1972, aborda os bloqueios existentes na transmissão da informação nas diferentes instituições educacionais. Quando não se tem clareza do que pode estar dificultando a comunicação por intermédio de palavras, ou seja, através de textos, reuniões, aulas expositivas ou outras formas de comunicação verbal ou escrita, deve-se tentar detectar as causas e as peculiaridades do problema em todos os seus níveis, até encaminhar soluções.
No tocante à ineficácia do trabalho lexicográfico no primeiro segmento do 1.o grau, é flagrante a necessidade de se conhecer melhor os alunos aos quais o trabalho se destina e urge que se descubra meios eficazes de transmissão das informações à respeito das palavras, seus significados e sentidos. À medida que a palavra for trabalhada como elemento imprescindível e propulsor da comunicação verbal, os dicionários passarão a ter utilidade efetiva dentro das salas de aula.
Goldmann preocupa-se em discutir as possibilidades de transmissão de informação afirmando que é importante para aquele que quer intervir na vida social, saber quais são, num dado estado, numa data situação, as informações que se podem transmitir, as que passam sofrendo deformações mais ou menos importantes e aquelas que não podem passar. Quanto a esse problema, Goldmann apresenta quatro instrumentos de análise diferentes.
Em primeiro lugar, freqüentemente uma informação não passa por falta de informação prévia. Palavras simples, supostamente pertencentes ao léxico individual dos alunos, são arroladas pelos próprios usuários dentre as palavras de sentido nebuloso. Professores nas diversas disciplinas e matérias queixam-se da pobreza vocabular dos alunos, mas soluções não são sequer sugeridas para esse problema.
Um segundo instrumento de análise é o da estrutura psíquica do indivíduo que não deixa passar determinadas informações porque não houve transformação da consciência sobre um plano puramente psicológico, fora de qualquer mudança social. Inúmeros professores apresentam-se impermeáveis a qualquer proposta de mudança e resistem freqüentemente a argumentos contrários à crença de que criança pobre tem vocabulário pobre e diferente, não aprendendo o léxico que a escola lhe quer impor porque é inferior.
O terceiro instrumento de análise é sociológico. É aquele em que um grupo social particular de indivíduos dada a estrutura de sua consciência real, resultante do seu passado e de múltiplos acontecimentos que atuam sobre ela, resiste à passagem de certas informações.
Professores também resistem em aceitar os problemas relativos à questão lexicográfica nas escolas públicas como passíveis de solução ou como efetivamente relevantes. Além disso, não buscam reciclagem, desacreditam nas mudanças e não crêem mais na função social da escola. Decerto a responsabilidade pelo fracasso da escola deve ser atribuída aos mecanismos governamentais que tão poucas possibilidades e chances de mudanças reservam à educação. A postura dos professores é um reflexo desse fato.
Finalmente, Goldmann apresenta o que Marx chamou de limites de consciência possível, que é o caso em que para obter a transmissão, o grupo enquanto grupo deve desaparecer ou transformar-se a ponto de perder as suas características sociais essenciais. A transmissão de algumas informações é incompatível com as características fundamentais de um determinado grupo social. Todo grupo conhece de maneira adequada a realidade, porém seu conhecimento não pode ir senão até o limite máximo compatível com a sua existência. Só ultrapassa esse limite se for conseguida a transformação da estrutura do grupo, exatamente como nos casos dos obstáculos individuais, as informações só podem passar se se transformar a estrutura psíquica do indivíduo.
A maioria das escolas se constituem e funcionam de forma hierarquizada e autoritária. Assim sendo, as propostas teórico-metodológicas que implicam relações democráticas podem não ser sequer entendidas ou entendidas de maneira deturpada. Para que a atuação dos professores junto aos alunos que iniciam suas incursões pelo léxico da língua portuguesa seja produtiva, é necessário que a escola reavalie a pedagogia do ensino do Português e venha a intervir na desanimadora realidade do trabalho como o léxico, mormente em nossas escolas públicas.
6. RECAPITULAÇÕES SUMÁRIAS
6.1. RESUMO
O presente trabalho pretende orientar professores, lexicógrafos e profissionais que se ocupam de ciências da linguagem, no que concerne a uma abordagem mais eficiente e produtiva do léxico nas escolas públicas municipais de 1.o segmento do 1.o grau.
Por meio da análise de livros didáticos, de questionários aplicados a professores de 1.a a 4.a séries e do contraste de livros extra-classe com os dicionários adotados em sala de aula, puderam ser avaliados os antagonismos e descaminhos que permeiam o ensino do léxico da língua portuguesa nas escolas públicas.
6.2. ABSTRACT
The aim of the presente work is to show the inadequate treatment dispensed to the lexicon of the portuguese language either in didatic books or in the pedagogical work developed in the public schools of "1.o segmento do 1.o grau do município do Rio de Janeiro".
Although the sciences of language have been developed, most of our dictionaries are directed to grown-ups. Effective and good dictionaries for students who are still initiating in the learning of written language don’t exist at all.
The present work is to indicate the necessity of a new pedagogical treatment for the lexicon in our elementary schools and to show that in order to provide children with an effective and productive learning of their own language it’s necessary that all professionals involved in the transmission of information about language or through the language begin to worry seriously about this subject.
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Obs.: A parte prática do trabalho foi elaborada com o auxílio de vários livros didáticos nas áreas de Comunicação e Expressão e Estudos Sociais e Ciências, assim como de outros livros extra-classe.