METALINGUAGEM FESCENINA DE GREGÓRIO DE MATTOS E GUERRA

Ruy Magalhães de Araujo (UFRJ)

 

Este trabalho representa uma garimpagem na produção literária atribuída ao grande poeta de nosso barroco Gregório de Mattos e Guerra, onde nos detivemos, de modo especial, nas poesias fesceninas, isto é, naquelas em que o autor mais enfatizou os termos e as expressões licenciosas, eróticas, obscenas e escatológicas.

Nesses filões, deparamo-nos com os nomes de algumas musas, às quais o poeta dedicou igualmente grande parte de seu talento. Por serem personagens importantes, achamos por bem mencioná-las. 

A palavra fescenina teve sua origem na cidade da antiga Itália chamada  Fescênia, de onde provieram poesias impregnadas de licenciosidade ou obscenidade.

A denominação metalinguagem para determinados termos e expressões justifica-se porque os mesmos, embora tenham a sua significação denotativa, foram usados por Gregório de Mattos com a intenção de ajustarem-se a certos contextos. É o caso, por exemplo, de "cagueiro", "colhões", no texto "culhões", "fanchono" "foder", "puta", etc.

 

Arranha–caralho

Expr. Chul. Provavelmente, coito mal feito, dolorido, por causa da anatomia estreita dos órgãos sexuais da parceira.

“Sois puta de entranha dura, /

e ainda que amiga do alho /

sois uma arranha–caralho” 

(JA, Op. cit., vol. II, p. 845)

Ataca

S. F. Espécie de cordão, fita, nastro de unir, prender, apertar; correia, cadarço. ççTripa fina de porco. Fig. No texto, o pênis.

“quem me lograr há de ter boa ataca,

(JA. Op. cit., vol. I, p. 591)

 Besbelho

S. m. Chul. O ânus.

“e seu besbelho.”

(JÁ, Id. ib., p. 846)

Bisarma

[Do fr. Ant. wisarme, ‘quisarme’.] S. m. Arma de guerra, formada de uma alabarda grande em que a meia–lua possui um bico na parte oposta ao gume. || Fig. Pessoa ou coisa de grandeza descomunal ou acima do normal. No texto, fig. chul. alusão ao pênis de um frade, que havia copulado quatro vezes.

“tinha ele limpado o cano /

quatro vezes da bisarma,”

(JA, Id., ib., p. 855)

 Cagarrosa

S. f. Chul. Provavelmente, que muito defeca.

“Tendes um mal, que sois mui cagarrosa

(JÁ, Op.cit. vol. II, p. 860)

Cagueiro

S. m. Chul. O ânus. Fig. Abertura parecida com a boca de um vaso sanitário.

“Com a boca de cagueiro de alcatruz.”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 662)

Capitão caralho

Expr. Chul. Subentenda-se o pênis no ato da cópula.

“quando o capitão caralho /

mandou disparar então /

ao bombardeiro culhão,”

(JMW, Id., p. 283)

Caralho de culhões

Expr. Chul. Subentenda–se o pênis com os testículos.

“é caralho de culhões,

(JMW, Op. cit., p. 281)

Cará lho mando

Expr. Chul. Jocosamente, formou–se um palavrão, que emerge de uma leitura atenta.

“Dize a Betica que quando /

buscava, que lhe mandar, /

um só cará pude achar, /

que por ser cará lho mando.”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 735)

Cipó

S. m. [Var. de icipó<tupi isi’pó.] Bras. Designação vulgar às plantas sarmentosas ou trepadeiras que prendem das árvores e nelas se enlaçam. || Gír. Chicote, chibata, vara. No texto, fig., chul. subentenda–se o pênis.

“amante mais que um cipó

(JA, Id., ib., p. 864)

Círio

[Do lat. cereus.] S. m. Vela grande de cera. ||Procissão que se desloca de um lugar para o outro portando um círio. No texto, fig. chul. o pênis.

círio, quando se acende,"

(JMW, Op. cit., p. 279)

S. m. Chul. Subentenda–se o ânus.

“Nem pelo podre o teu

(JA, Op. cit., vol. II, p. 951)

Cobra enroscada

Expr. Fig. Chul. Subentenda–se o pênis, por metonímia.

“é como cobra enroscada /

que em aquecendo se estende:”

(JMW, Op. cit., p. 278)

Cona

[Do lat: connus.] S. f. Chul. As partes pudendas da mulher; cono.

“Ora vedes os pederes de uma cona,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1044)

Conana

S. f. Provavelmente, neologismo do poeta, referindo-se à palavra cona. Também  se registra vocábulo como s. m. Pleb. Homem mulherengo, femeeiro; maricas.

“Amor me leve a cachoeira honrada /

onde a vermelha enxuta de pentelho /

toda aconana traz polvorizada.”

(JA, Id., ib., p. 1045)

Conde de paus

Expr. Chul. Fig. Subentenda-se homossexual passivo, com referência ao governador Antônio Luíz Gonçalves da Câmara Coutinho.

“fosse ele o Conde de paus.”

(JA, Id., ib., p. 1079)

Conicharem-se

V. Conichar (?) Chul. Neologismo formado com o s. cona.

“Donde vem conicharem-se todos”

(JA, Id., ib., p. 1228)

José Miguel Wisnik registra:

“Donde vem conixarem-se todas”

(JMW, Op. cit., p. 125)

Conigibundas

S. f. Chul. Latinório criado pelo autor, embasando-se em cona e bunda, também palavras chul. e que formam um trocadilho intencional.

“As conigibundas do tal generiz.”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1228)

Conigibus era

Expr. chul. Outro latinório com o s. cona.

“Catarina conigibus era

(JA, Id. ib., p. 1228.

Cono

S.m. Chul. V. cona. Subentenda-se: a vulva, a vagina.

"Tudo chamais por seu nome

tão propriamente, tão clara,

que ao cono lhe chamais cono,

chamais carallho à caralha.

(JA, Op. cit., vol. I, p. 437)

Criado nas cavernas

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"direi, porque não me esqueça,

que é criado nas cavernas,

e que somente entre as pernas

gosta de ter a cabeça".

(JMW, Op. cit., p. 280)

Cu

S. m. [Do lat. culus,- i]. Chul. o ânus.

"Dizem, que o vosso cu, Cota,

assopra sem zombaria,

que parece artilharia,

quando vem chegando a frota:

(JA, Op. cit., vol. I, p. 443)

  Damo

S. m. Subentenda-se amante, namorado.

“É meu Damo tanto meu,”

(JA, Id. ib., p. 933)

Dá leite como um danado

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"dá leite como um danado,

a quem o quer ordenhar."

(JMW, Op. cit., p. 280)

Demo do priapo

Expr. Subentenda-se demônio de pênis.

“Não vêem o grande despejo,

com que o demo do priapo

saiu pelo roto trapo,

qual faminto percevejo?”

(JA, Id., ib., p. 1026)

De peles vestido

Expr. fig. chul. com relação ao pênis.

"anda de peles vistido,

curtidas já sem cabelo."

(JMW, Op. cit., p. 279)

  É pau para tamboril

Expr. fig. chul. com relação ao pênis.

"é pau para tamboril,

bate os couros lindamente."

(JMW, Op. cit., p. 278)

Escumar o vaso

Expr. Subentenda-se tornar a vagina molhada com carícias libidinosas, excitantes. Também, ejacular esperma dentro da vagina.

“que nesse apertado caso /

vos hei de escumar o vaso

(JMW, Op. cit., p. 285)

Excessos malditos

Expr. Alusão à promiscuidade e aos abusos sexuais verificados por ocasião das festividades que se realizavam na Bahia durante o século XVII, onde havia “danças licenciosas ao som de violas e tambores, e onde de mesclavam monges e índios, negros e mulheres, nobres e o próprio vice-rei.” (Spina, in JMW)

“outros excelsos maldidos

(JMW, Op. cit., p. 82)

Eva das putas

Expr. Chul. Maneira com que o poeta dirigiu-se a uma antiga e conhecida prostituta.

“tão velha puta és, que ser podias /

Eva das putas, mãe das putarias

(JA, Op. cit., vol. II, p. 877)

Fermento de levedar

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"que traz envolto nas costas

fermento de leveda."

(JMW, Op. cit., p. 279)

Foder

[Do lat. *futere, de futuere] Chul. V. t. i. e int. O mesmo que copular. ||Bras. P. Sair-se muito mal em qualquer iniciativa ou intento. ||Não fazer caso, não dar importância. ||Levar o diabo, danar-se. No texto, com a 1ª acepção.

"De dois ff se compõe

esta cidade a meu ver

um furtar, outro foder".

(JA, Op. cit., vol. I, p. 38)

Fodinchão

S. m. Chul. Subentenda-se fornicador, mulherengo, femeeiro.

“vos fazem mais fodinhchão”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 268)

Foguete busca-cono

Expr. chul. referente a um foguete do tipo busca-pé, que se alojou e estourou entre as pernas de uma dama, numa noite de São João.

“tivestes por vosso abono

um foguete busca-cono,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1001)

Forro minha cona

Expr. chul. Subentenda-se protejo minha intimidade.

“Tão fino ladrão /

que até a filha alheia /

com ser cananéia /

furta à mãe putona:

forro minha cona

(JA, Op. cit. vol. I, p. 363)

Fr. Fodaz

Expr. chul. Subentenda-se frei mulherengo, fornicador, copulador.

“reverendo Fr. Fodaz,”

(JA, Id., ib., p. 267)

Fr. Porraz

Expr. chul. Subenda-se frei pecador, devasso.

“Frei Porraz por caridade,”

(JA, Id., ib., p. 256)

Franjido

Adj. m. Subentenda-se franzido, fig. chul. o ânus.

“E nunca o caldo sentira /

sair-lhe pelo franjido,

(JA, Op. cit. vol. II, p. 996)

Frei Burro de Lançamento

Expr. Fig. chul. Subentenda-se frei copulador, femeeiro, configurando-se cavalo de lançamento, i. e., garanhão colocado entre as éguas e destinado a cobri-las.

“Frei Burro de Lançamento,”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 251)

Frei Foderibus

Expr. chul. Latinório obsceno. O mesmo que frei copulador, femeeiro.

“se converteu frei Foderibus

(JA, Id., ib., p. 255)

Frei Jalapa

Expr. sarc. Alusão a um frade que sofrera desarranjo intestinal (sabendo-se que a jalapa é um agente purgativo).

“mas lembro-te Frei Jalapa, /

que por cagar no sagrado

o cu tens excomungado, “

(JA, Id. ib., p. 254)

Frei Pirtigo

Expr. sarc. e chul. Subentenda-se comprido, varapau, i. e., o pênis.

“Frei Pirtigo, que o centeio”

(JA, Id., ib., p. 251)

Frisão da Bahia

Expr. sarc. alusiva a um clérigo muito forte, corpulento, que lembrava o cavalo frisão, de raça frísia ou originário da Frísia.

“o Frisão da Bahia,”

(JA, Id., ib., p. 227)

Furão

[Do lat. tardio furone.] S. m. Bras. Pequeno mamífero, da família dos mustalídeos (Putorius furo, L). Sin. cachorrinho-do-mato. Adj.m. Diz-se do indivíduo metediço, intrometido, curioso, bisbilhoreiro. || Bras. Cavador, diligente; expedito, desembaraçado. No texto, fig. chul. o pênis.

“É semelhante ao furão,”

(JMW, Op. cit., p. 277)

  Gata janeira

Expr. Subentenda-se gata no cio.

(JA, Op. cit., vol. II, p. 915)

Grande mergulhador

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

grande mergulhador,

e jamais perdeu o nado,

(JMW, Op. cit., p. 278)

Greta

S. f. O mesmo que fenda. No texto, fig. chul. entrada das partes pudendas da mulher.

“eu também por me fartar /

quero esta pica trilhar /

numa greta, e noutra greta.”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 845)

Guarita do cricalhão

Expr. Provavelmente, esconderijo de prostitutas.

“Aquartelaram-se então /

com seu capitão caralho /

todos no quartel do alho, /

guarita do cricalhão.”

(JMW, Op. cit., p. 283)

  Jelu

S.f. Apelido de uma das mulatas amigas do poeta.

“Triste Jelu sem ventura”

(JA, Ib., ib., p. 859)

  Lampreão com talo

Expr. Provavelmente, fig. chul. o pênis em ereção.

(JA, Op. cit., vol. II, p. 894)

  Macotinha

S. f. Apelido de uma mulata amiga do poeta.

Macotinha, e a Pelica”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 986)

Mãe Monda

S. f. Apelido afetivo dado a Clara Dias.

“adeus a outra Mãe Monda, /

que se chama Clara Dias.”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1035)

Mais longo, que roliço

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

mais longo, que roliço

de condição mui travessa,

(JMW, Op. cit., p. 280)

Mal da fodengaria

Expr. Subentenda-se dano produzido pelo excesso de fornicação, de devassidão.

“ao mal da fodengaria

(JA, Op. cit., vol. II, p. 953)

Mal maridada

Subentenda-se malcasada.

“hoje é a malridada

(JA, Id., ib., p. 984)

Mangonas

[De mangona+ar.] V. mangonar, intr. Ter mangona; vadiar; ter preguiça; estar ocioso. || Gír. ant. Fornicar. Também se registra a f. mangonear e a var. mangoar. No texto, subentenda-se amancebar-se.

“Com Susana te mangonas,”

(JA, Id., ib., p. 1125)

Maria João

S. f. Nome de uma crioula, cortejada pelo poeta.

“Sofrei-me Maria João,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 844)

Maria Viegas

S. f. Nome de uma negra, a quem o poeta satirizava.

“Dize-me, Maria Viegas”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 439)

Maribonda

S. f. Apelido de uma mulata, conhecida do poeta.

Maribonda, minha ingrata”

(JA, Id. ib., p. 478)

Marinícolas

S. m. Apelido sarc. atribuído a Nicolau de Oliveira, provedor da Casa da Moeda, em Lisboa. Apesar de sua má fama, era protegido d’El-Rei D. Pedro II, de Portugal.

Marinícolas todos os dias”

(JMW, Op. cit., p. 119)

Marzapo

S. m. Lus. O pênis.

“sendo a doença o marzapo /

do Franciscano insolente:”

(JA, Id., ib., p. 262)

Meretricano

Adj. m. Relativo a meretrício?

“De sangue vil, humor meretricano,”

(JA, Id., ib., p. 610)

Metendo a cavilha

Expr. O mesmo que bater a cavilha. No texto, fig. chul. Fornicar.

“de lhe ir metendo a cavilha

(JA, Id., ib., p. 294)

Mijasse na escorva

Loc. pop. Mijar na escorva, i. e., esfriar os ânimos; iludir o propósito; “escorva”: subentenda-se porção de pólvora.

“que vos mijasse na escorva.”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 939)

Mingota

S. f. Apelido de uma meretriz.

“a Mingota do Negreiros,”

(JA, Id., ib., p. 1168)

Mixelo

S. m. Subentenda-se michela, s. f. pop. meretriz.

Michelo hoje de chispo,”

(JA, Op. cit., p. 220)

  Nabo

S. m. Fig. chul. Subentenda-se o pênis.

“o branco era o escornado, /

por ter pouco, e brando nabo;”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 845)

Negra Xarifa

Expr. Subentenda-se negra muçulmamna, i. e., que professa o islamismo.

“por uma negra Xarifa

(JA, Op. cit., vol. II, p. 994)

  Olha

S. f. Subentenda-se, chul. vagina.

“minha carne em vossa olha,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 899)

Ora curto, ora comprido

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"é coisa engraçada vê-lo

ora curto, ora comprido,"

(JMW, Op. cit., p. 278)

Para comer está pronto

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"Tem uma contínua fome,

e sempre para comer

está pronto , é de crer

que em qualquer das horas come:

(JMW, Op. cit., p. 280)

Parece uma banana

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"É bem feito pelas costas,

que parece uma banana,

com que as mulheres engana

trazendo-as bem descompostas:

(JMW, Op. cit., p. 280)

Parrameiro

[Do fr. paramer.] S. m. Lus. Gír. As partes pudendas da mulher. ||Pão de milho. No texto, com a 1ª acepção.

“É também conveniente, /

que não tenha o parrameiro /

a nota de ser trazeiro, /

e que seja um tanto quente:”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 964)

Partezaina

S. f. Subentenda-se partesana e também, consoante Frei Domings Vieira, “Partasana , (do francês partuisaine.) Espécie de alabarda, de ferro mais longo, e mais largo”. ( )

No texto, fig. chul. pênis avantajado.

“e assim que vaso tão gordo, /

tão grande, e com tal bocaina /

busque maior partezaina,”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 440)

Passarinha

S. f. O mesmo que baço. ||Casta de zeitonas. ||Bras. Gír. As partes pudendas da mulher. ||Bras. Expr. Bater a passsarinha: morrer, sofrer grande emoção. ||Bater a passarinha a alguém: ter um desejo e um palpite a respeito de alguma conversa (mais us. em frases negativas). No texto, com a 3ª acepção.

“lhe sofresse a passarinha,”

(JA, Id. ib., p. 1058)

Pé-de-banco

Expr. Fig. Chul. Subentenda-se pênis avantajado.

“com tamanho pé-de-banco,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1087)

Pelica

S. f. Apelido de uma mulata, conhecida do poeta.

“Bebeu Pelica, um almude,”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 479)

Penteia monho de corno

Expr. “(...) monho: rolo de cabelo natural; a expressão ‘pentear monho de corno’ parece indicar que o marido, ao pentear o cabelo, está penteando os chifres.” (JMW)

“A casada com adorno, /

e o marido mal vestido, /

crede, que este tal marido /

penteia monho de corno:”

(JMW, Op. cit., p. 90)

Pepino de semente

Expr. Fig. chul. Subentenda-se o pênis, por metonímia.

“é pepino de semente,”

(JMW, Id., p. 278)

Pesos como relojo

Expr. Provavelmente, fig. chul., os testículos; “relojo” está por relógio.

“tem pesos como relojo,”

(JA, Id. ib., p. 894)

Piça

S. f. Chul. F. eufêmica de pica, i. e., o pênis.

“com cinqüenta réis de piça.”

(JA, Id., ib., p. 1080)

Pica-flor

S. m. [De picar+flor] Bras. O mesmo que beija-flor. No texto, fig. chul. subentenda-se o pênis.

“que fico então Pica-flor.”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 651)

Pica viril

Expr. Chul. Subentenda-se que possui membro sexual masculino já adulto.

"Rapante da espécie de pica viril."

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1224)

Piçalhada

S.f. Chul. O mesmo que picalhada, termo calcado em pica.

“por vos mandar a piçalhada.”

(JA, Id., ib., p. 438)

Pismão

S. m. Chul. Subentenda-se o pênis.

“tendes a todo o pismão,

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1146) 

Priapo

[Do gr. Priapoz, ‘que tem por diante um pênis’, pelo lat. Priapu.] S. m. Mit. Filho de Dioniso e Afrodite. Possuía o membro viril muito grande e sempre em ereção. Era o deus dos pomares, jardins, hortas e vinhedos, guardando-os e protegendo-os contra os malefícios e maus olhares dos invejosos. Era também o deus da fecundidade. Fig. Chul. O pênis ou falo.

“Do grão Priapo,”

(JMW, Op. cit., p. 110)

Puta Andresona

S. f. . Chul. Apelido de um conhecida meretriz.

Puta Andresona, eu pecador te aviso,”

(JA, OP. cit., vol. II, p. 876)

Puta cagajosa

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz imunda.

“que uma Puta cagajosa

(JA, Id., ib., p. 1058)

Puta cambaia

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz de pernas tortas ou que tem o andar claudicante.

 “A Cabra é puta cambaia,”

(JA, Id., ib., p. 1086)

Puta d’abinitio

Expr. Chul. Subentenda-se meretriz de priscas eras, desde muito tempo; “ab initio” [do lat. ‘desde o princípio.]

“por ser puta d’abinitio

(JA, Op. cit., vol. I, p. 482)

Puta de membros torrados

Expr. Chul. Subentenda-se meretriz desgatada.

“porque sois, e haveis de ser /

puta de membros torrados

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1088)

Putas de quitanda

Expr. Chul. Denominação com que o poeta apelidava as meretrizes que se postava em lugares públicos de vendas em geral.

“só se achará em putas de quitanda.”

(JA, Id., ib., p. 877)

Putas do toque-emboque

Expr. Chul. Subentenda-se meretrizes contumazes na fornicação.

"As putas do toque-emboque"

(JA, Id., ib., p. 1146)

Puta fragona

S. f. Chul. Provalvelmente, meretriz escandalosa. “Fragona” de fragor?

“de seres puta vil, puta fragona:”

(JA, Id., ib., p. 877)

Puta grave

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz disfarçada em pessoa austera.

“Cal-te, que a puta grave, qual donzela /

geme na cama e cala na janela:”

(JA, Id., ib., p. 877)

Puta Jacutinga

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz depravada.

“na tal puta Jacutinga

(JA, Id., ib.., p. 1086)

Puta matrona

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz já velha e corpulenta

“(gritou a puta matrona)”

(JA, Op. cit., vol. I, p. 477)

Puta velhaca

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz traiçoeira.

“fosse uma Puta velhaca,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1058)

Puta vil

S. f. Chul. Subentenda-se meretriz reles, ordinária.

“de seres puta vil,

(JA, Id. ib., p. 877

Puta Zabelona

S. f. Apelido de uma certa meretriz chamada Isabel.

"Já que a puta Zabelona"

(JA, Op. cit., vol. I, p. 632)

Putaria anciana

Expr. Provavelmente, libertinagem antiga.

“de pautaria anciana,”

(JA, Id., ib. p. 477)

 Putíssima Samba

Expr. Chul. com que o poeta denominava uma de suas amásias.

“adeus putíssima Samba,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1035)

Putiú

S. m. Bras. Subentenda-se pitiú, [do tupi piti’u.] , i. e., cheiro forte e desagradável muito peculiar ao pescado. No texto, fig. chul. o cheiro ca, característico de vagina sem asseio.

“Do vosso fedor se queixa /

até Sergipe d’El-Rei, /

por ser o sovaco, e vaso /

putiú, catinga e pez.”

(JA, Id., ib., p. 1088)

  Quartel do alho

Expr. Fig. Chula. Provavelmente, as partes sexuais femininas.

“Aquartelaram-se então /

com seu capitão caralho /

todos ao quartel do alho,

guarita do circularão:”

(JMW, Op. cit., p. 283)

Quita

S. f. Fam. No texto, forma carinhosa de Mariquita, mulata cortejada e amada por Gregório de Mattos.

Quita, e tudo achei trocado,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1154)

Quitota

S. f. Apelido de uma memina.

“Brinde-se a cada triques à Quitota,”

(JA, Id., ib., p. 1130)

 Sacamano

S. m. Chul. Provavelmente, neologismo criado pelo poeta. Automasturbação?

“para endurecer esse cano /

o remédio é um sacamano,”

(JA, Id., ib., p. 882)

Sarambeque

[Do esp. zarambeque.] S. m. Lus. Dança lasciva e desenvolta de origem africana muito em uso nos meados do século XVII. Bras. Saramba; sarambu. ||Espécie de batuque. No texto, fig. chul. possui conotação luxuriosa.

“Vós mandastes, que o moleque /

vos fosse o braço coçar, /

e ele quis vos esfregar /

mais que o braço, o saramberque:”

(JA, Id., ib., p. 1007)

Se tem pasto, sempre come

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"quer de noite, quer de dia,

se tem pasto, sempre come,

(JMW, OP. cit., p. 279)

Sereroca

S. f. Chul. Subentenda-se a vagina.

“Em risco de estar podre a Sereroca?

(JA, Id., ib., p. 841)

Servidor

S. m. Subentenda-se urinol.

Servidor ......................................... de VM”

(JA, Id., ib., p. 829)

Sodomita

[Do lat. sodomita.] S. 2g. Pessoa que pratica a sodomia, i. e., coito anal entre o homem e a mulher, ou entre homossexuais masculinos.

“como sodomita não,”

(JA, Op. cit., vol. II, p. 873)

Sundo

[Do quimb. sundo, 'vulva'.] S. m. Chul. As partes pudendas sexuais femininas. ||O ânus.

"Vamos ao sundo"

(JA, Id., ib., p. 848)T

  Toque-emboque

[De tocar+embocar.] S. m. Jogo de bola e arco. No texto, fig. chul. subentenda-se fornicação.

"As putas do toque-emboque"

(JA, Op. cit., vol. II, p. 1146)

Trape-zape

Expr. Onomatopéia de espadas entrechocando-se. ||Desus. Barulho de carruagens rodando. No texto, fig. chul. subentenda-se ruído provocado por uma cópula.

"e fede como o diabo /

ao budum do trape-zape."

(JA, Op. cit., vol. I, p. 653)

Truz-truz

Interj. e s. m. Voz onomtopéia de barulho produzido por alguma pessoa que bate a alguma porta. ||Voz onomatopaica de estrondo de algum corpo que cai e de uma explosão de arma de fogo. No texto, fig. chul. subentenda-se ruído de traques.

"mais de quinhentos truz-truz: /

não achareis muitos cus /

tão prontos em peidos dar,"

(JA, Id., ib., p. 443)

  Um só olho

Expr. fig. chul. com referência ao pênis.

"tendo um só olho, e vazado,

tudo acerta às palpadelas:

(JMW, Op. cit., p. 279)

  Vaso

[Do lat. vulg. vasu.] S. m. Qualquer objeto de formato côncavo destinado a conter líquidos ou sólidos. ||Qualquer peça análoga para conter flores. ||Receptáculo. Urinol. ||Vaso sanitário. ||Ant. Navio ou embarcação ou mais exatamente casc de navio. ||Qualquer canal do organismo humano em que circule sangue, ou linfa ou bile. ||Termo usado na Botânica pelo qual circula a seiva das plantas. No texto, fig. chul. vagina.

"pois tens o membro no vaso,"

(JA, Id., ib., p. 946)

Vaso encharcado

Expr. Chul. Fig. Subentenda-se vagina contendo líquido espermático em grande quantidade.

"Esse vaso encharcado, qual Danúbio

dá a crer, que és puta inda antes do dilúvio:

(JA, Id., ib., p. 876)

Vaso furta-fogo

Expr. Chul. Fig. Provavelmente, vagina quente e apertada (escondida).

"o teu vaso furta-fogo,

(JA, Op. cit., vol. I, p. 439)

Vaso preto

Expr. Chul. Fig. Provavelmente, a vagina.

"se lhe cheira o vaso preto,"

logo a porra se lhe emanga."

(JA, Id., ib., p. 268)

Vaso tão gordo, tão grande, e com tal bocaina

Expr. Chul. Fig. Provavelmente, atributos com referência à vagina.

"e assim que vaso tão gordo, /

tão grande, e com tal bocaina /

busque maior partezaina,"

(JA, Id., ib., p. 440)

Vaso vaganau

Expr. Chul. Fig. Provavelmente, vagina de qualquer vadia, que mantém relações sexuais com todos os homens.

"tendo um vaso vaganau,"

(JA, Id., ib., p. 439)

Vazo a tripa

 Expr. Chul. Fig. Subentenda-se defecar, evacuar.

"Para a tropa do trapo vazo a tripa,"

(JA, Op. cit., vol. I, p. 370)

Vermelha enxuta de pentelho

Expr. Provavelmente, atributos de uma vulva.

"Amor me leve a cachoeira honrada,

onde a Vermelha enxuta de pentelho

toda a conana traz polvorizada."

(JA, Id., ib., p. 1045)

Via

S. f. Subentenda-se, fig. no texto, chul. o canal uretral por onde o homem lança o sêmen.

"Busco uma freira, que me desentupa /

A via, que o desuso às vezes tapa,"

(JMW, Op. cit., p. 273)

Voz fanchona

Expr. Provavelmente, modo de falar próprio de pederasta passivo.

"da voz fanchona."

(JMW, Op. cit., p. 108)

Zarvatana

S. f. Subentenda-se zarabatana, [do ár. zarba Tanâ, 'tubo para matar pássaro'.] No texto, fig. chul. o pênis.

"sem ver tua zarvatana,"

(JA, Id., ib., p. 1125)

 

 

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