FIGURAS MITOLÓGICAS EM O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPAS, DE C.S.LEWIS
Nataniel dos Santos Gomes (UFRJ/SUAM)
C.S. Lewis, famosíssimo professor de Literatura Medieval e Renascentista da Universidade de Oxford, escreveu mais de 40 livros, vários destes de apologética, sobre crítica literária, filosofia cristã, ficção científica e infanto-juvenis.
Ele se interessou em responder questões existenciais humanas através de sua fé, no caso, o cristianismo.
Numa de suas obras infanto-juvenis mais famosas O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, recentemente republicado no Brasil pela Martins Fontes, ele usa de figuras extraídas das obras clássicas pagãs para recontar os textos dos Evangelhos.
Esse livro faz parte da famosa série Crônicas de Nárnia que é composta de sete volumes: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa; O príncipe Caspian; Viagem do Peregrino da Alvorada; A cadeira de prata; O sobrinho do mago; O cavalo e seu o menino; A última batalha. O último recebeu a Medalha de Carnegie como melhor livro infantil.
Para língua portuguesa a tradução de seis dos sete volumes foi feita pelo famoso cronista Paulo Mendes Campos.
E como dissemos, Lewis utilizou figuras mitológicas para expressar suas idéias, assim como Camões, em Os Lusíadas. Algumas figuras não estão ligadas necessariamente à mitologia grega ou latina. Por exemplo, o leão, representa Jesus Cristo dentro do texto bíblico. E da mesma forma ele quebra o maniqueísmo tão patente em nossa cultura.
A história começa quando uma criança entra num guarda-roupas que a leva ao um mundo mágico, que é algo comum aos olhos humanos que se torna extraordinário quando experimentado, desafiando os seus leitores a considerem suas vidas como algo mais do que o existir e experimentarem novas oportunidades.
Gostaríamos de explicar o significado de algumas dessas figuras, já que há muito tempo não se ensinam mais essas coisas e entendemos que seria interessante se a edição em português trouxesse estas notas para facilitar a vida dos leitores.
Anões , seres mitológicos, presentes em quase todos os folclores do mundo, que se ocupam de guardar tesouros e zombar da paciência dos homens.
Baco , nome com o qual os romanos adotaram Dionisio, assimilando-o ao deus itálico Liber Pater. Virgílio mostra-o como o deus do vinho e da vinha, cujas celebrações receberam o nome de bacanais.
Bruxa , (mito de origem pré-romana.) mulher a quem se atribuem poderes demoníacos; mulher que pratica a magia negra
Centauro , (do grego kentauros, pelo latim centaurus) entidade fabulosa, metade homem e metade cavalo, que, segundo a mitologia grega, teria vivido na Tessália.
Driada ou driade, (do grego dryas, dryades, pelo latim dryas, dryadis), ninfa dos bosques e das árvores.
Duendes , (do castelhano duende) entidade fantástica ou espírito sobrenatural das lendas bretãs, que aparece como um anão brincalhão.
Espectro , (do latim spectrum) fantasma, aparição ilusória.
Fauno, deus romano dos rebanhos e dos pastores, de natureza selvagem e inquietante, cujo culto localizava-se sobretudo no Palatino, em Roma. Identificava-se com Pã.
Fúrias , divindades romanas infernais, assimiladas as erinias gregas.
Gigantes , seres fabulosos da mitologia grega, filhos de Gaia, a Terra, fecundada pelo sangue de Urano, o Céu. De acordo com o mito, eles tentaram escalar o monte Olimpo, local de morada dos deuses, mas Zeus, o maior deus dos gregos, os impediu com raios.
Gnomos , (do grego gnome, inteligência, pelo latim dos alquimistas gnomus), personagem sobrenatural que habita o interior da Terra e tem sob sua guarda minas e tesouros.
Incubo , demônio que adota uma forma masculina, geralmente humana, a fim de ter relações sexuais com uma mulher e a cuja influência se atribuíam os pesadelos. (O demônio feminino era chamado sucubo).
Lobisomem , homem que segundo certos mitos tem o poder de transformar-se em lobo nas noites de lua-cheia e voltar a forma humana de dia.
Minotauro , ser monstruoso da mitologia grega, meio homem e meio touro, nascido de Pasifae e de um touro branco enviado por Poseidon. O rei Minos fechou-o no labirinto construído por Dédalo. O minotauro alimentava-se de carne humana, e a cidade de Atenas foi condenada a pagar um tributo anual de sete virgens e sete rapazes, que eram dados ao monstro. O minotauro foi finalmente morto por Teseu, um dos jovens enviados para o sacrifício. Essa lenda e o eco do culto cretense ao touro e dos sacrifícios humanos praticados em sua homenagem na época minoica.
Naiada ou naiade, (do grego naias, naiados, pelo latim naias, naiadis), ninfa de água doce, de uma fonte, de um riacho ou de um rio.
Ninfa , (do grego nymphe, noiva, pelo latim nympha.), na mitologia grega, divindade dos rios, das fontes, dos bosques, das montanhas, representada comumente por uma jovem nua. Entre os gregos, as ninfas chamavam-se segundo os locais que freqüentavam: nereidas (mares), náiades (águas doces), oreades (montanhas), driades (bosques de carvalhos).
Ogro , bicho-papão dos contos-de-fadas europeus, monstro que se alimenta da carne humana, principalmente de crianças.
Pã ou Pan, deus grego dos pastores e rebanhos. Tornou-se, entre os poetas e filósofos, uma das grandes divindades da natureza. Seu culto originou-se na Arcádia, espalhou-se pela Grécia e chegou a Roma, onde Pã foi identificado ora como Fauno, ora como Silvano, deus das matas. De sexualidade brutal, sua aparição poderia provocar um medo "pânico". Representado com chifres, cauda e pés de bode, e uma flauta, ele protegia os rebanhos e se divertia com as ninfas.
Pégaso , na mitologia greco-romano, cavalo alado, filho de Netuno e de Medusa. Nasceu do sangue dela quando Perseu cortou-lhe a cabeça. Pégaso pertenceu a Belerofonte e, quando esse herói morreu, volta a morada dos deuses. Durante o certame musical entre as Musas e as Pieridas, o monte Helicon inchou-se de prazer, ameaçando tocar o céu. Então, por ordem de Netuno, Pégaso bateu com o casco na montanha e a fez retomar seu tamanho normal; no lugar tocado pelo cavalo brotou a fonte de Hipocrene. Pégaso foi transformado em constelação pelos deuses.
Sátiro (do grego satyros), semideus rústico representado como um ser de corpo humano, pernas de bode, orelhas alongadas e pontudas, chifres e cauda. Irmão das ninfas, os sátiros foram associados ao culto de Baco. É sinônimo de Sileno.
Sereia , (do grego seiren, pelo latim sirena.), ser mitológico, metade mulher e metade peixe que, com seu canto melodioso, atraia os navegadores para o naufrágio.
Sileno , personagem da mitologia grega que possuía grande sabedoria e conhecia o futuro, mas só dizia a verdade sob o efeito do vinho. Diz uma tradição que Sileno educou Dionisio (Baco).
Silenos , gênios agrestes da mitologia grega semelhantes aos sátiros. São representados com cauda, patas e orelhas de cavalo e seguem o cortejo de Dionisio (Baco).
Tritão , na mitologia grega, filho de Poseidon e Anfitrite. Deus marinho, acolheu os Argonautas e indicou-lhes a rota para atingir o Mediterrâneo. Uniu-se a numerosas filhas do mar, gerando os Tritões, monstros marinhos que tinham suas características físicas: corpo de homem terminado por uma cauda de peixe.
Unicórnio , (do latim unicornis) animal mitológico representado com um corpo de cavalo, um chifre na testa, barba de bode e unhas fendidas, unicorne.
Vampiro , (do sérvio vampir, através do alemão vampir e do francês vampire) morto que, segundo as lendas e o folclore de certos países, sai da sepultura ,durante a noite, para sugar o sangue dos vivos, levando consigo a vitalidade das vitimas.
Vulpino , (do latim vulpinus, de vulpes, vulpis, raposa) se refere a raposa, simboliza um ser astuto, manhoso.
Bibliografia:
GOMES, Nataniel dos Santos. Apologética na literatura infanto-juvenil. In.: SIMÕES, Darcília (org.) Informe Dialogarts, Rio de Janeiro, 1996.
______. Cristianismo e as Fábulas de C.S. Lewis [mss.], 1999.
______. Literatura apologética de C.S. Lewis. In.: ABU. A.B.U.grafia. Rio de Janeiro: ABU, 1999.
GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL. 24 vol. São Paulo: Nova Cultural, 1998.
GREGGERSEN, Gabriele. A antropologia filosófica de “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa” e a pedagogia de C.S. Lewis. Tese de doutorado apresentada à Faculdade de Educação da USP. São Paulo: FFLCHUSP, 1998.
GREGGERSEN, Gabriele; GOMES, Nataniel dos Santos. Mais além das sombras com C.S. Lewis: roteiro de leitura de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas. [mss.], 1999.