TRADUÇÃO DO MANUAL PRÁTICO DE LATIM MEDIEVAL DE DAG NORBERG[1]

José Pereira da Silva (UERJ)

 

INTRODUÇÃO

Dag Norberg produziu importante trabalho para os estudiosos de Lingüística Românica, Filologia Românica, Diacronia das Línguas Românicas, Latim etc., de grande utilidade para qualquer universitário europeu, mas pouco acessível para a maior parte dos brasileiros.

O Manuel Pratique de Latin Médieval não é um livro de Língua Latina, nem de Lingüística Românica, nos moldes dos manuais escolares que servem de guia ou livro-texto para o desenvolvimento de uma ementa dessas disciplinas nas universidades brasileiras.  Trata-se de um tema interdisciplinar, no estudo das diversas línguas e literaturas neolatinas, da romanística em geral e da diacronia dessas línguas.

Faz uma descrição histórica do latim em diversas partes do império durante a Idade Média e apresenta uma antologia, com a respectiva tradução para o francês.  É mais ou menos o que se pretende no esboço de tradução que ora se apresenta aos doutos colegas.

O plano da tradução ficou estruturado da seguinte maneira:

 

INTRODUÇÃO

BIBLIOGRAFIA SUMARÍSSIMA

O LATIM DA IDADE MÉDIA

Breve história do latim medieval

O latim ao final da época imperial

O latim da Gália até a  época de Carlos Magno

O latim da alta Idade Média na Itália

O latim da alta Idade Média na África e na Península Ibérica

O latim nas ilhas britânicas antes da época carolíngia

A reforma carolíngia e o latim ao norte dos Alpes e dos Pireneus

antes do ano 1000

O latim medieval após o ano 1000

 

TEXTOS ESCOLHIDOS

1. Cristianismo  paganismo na Gália (um sermão de são Cesário de Arles)

2. Duas cartas da Gália merovíngia

A.  Santo Elói

B. Uma carta rimada de Frogoberto

3. Crônica de Salermo

4. Um hino composto por Paulo Álvaro de Córdova

5. Adelmo

6. O juízo final

7. A batalha de Fontenoy aos 25 de junho de 841

8. As seqüências

A. A seqüência do cisne

B. A lamentação de Raquel, de Notker, o Gago

A versificação após o ano 1000

A. Guis est hic

B. Hugues D’Orléans (Primas)

C. O dilema do estudante

A prosa rimada

A prosa narrativa

Para que possa ser examinado, criticado e melhorado pelos que dispenderem de algum tempo, a tradução de que trata esta comunicação está disponível em nossa home page www.filologia.org.br/pereira e no domínio www.filologia.org.br/textos.

 

DESCRIÇÃO DO “MANUAL” SEGUNDO O SEU AUTOR[2]

O Manual de Latim Medieval apresenta problemas particulares.  Como este latim não é uma língua nova e autônoma, mas a continuação erudita e escolar do latim da época romana, não é prático partir da estaca zero, como se fez com muito proveito, em outros manuais da coleção "Connaissance des Langues", dirigida por Henri Hierche.  Nossa obra supõe alguns conhecimentos do latim clássico, cujos elementos não serão repetidos aqui.  Além disso, o latim medieval não apresenta uma unidade, tomando aspectos muito variados segundo as épocas, as regiões e o nível cultural dos autores que dele se servem.  Para dar uma idéia desta variedade, achamos útil começar nossa obra por uma breve história desta língua, que será seguida de uma antologia de textos escolhidos para ilustrar a primeira parte do livro, acompanhados de uma tradução e de alguns comentários.

[...]  De fato, nosso estudo está limitado à língua, mas conduzido de um modo novo.  Ao invés de tratar do latim medieval como uma unidade, procuramos delimitá-lo em diversos domínios.  Começamos pelo latim do baixo-império, que constitui o ponto de partida.  Para a alta Idade Média, pareceu-nos necessário distinguir as regiões românicas das não-românicas.  Nas primeiras, o latim era encontrado ainda em relações estreitas com a língua falada, na França até à época de Carlos Magno, na Itália e na Península Ibérica, ainda mais tarde.  Nas ilhas britânicas, ao contrário, a situação era completamente diferente.  Lá, o latim era uma língua estrangeira que os letrados aprenderam na escola com muito sacrifício e sem encontrar apoio em sua língua materna.  A reforma carolíngia, que merece um capítulo à parte, fez que as condições se tornassem semelhantes na França, e no início do segundo milênio, nem mesmo os italianos e os espanhóis podiam compreender o latim sem fazer alguns estudos mais ou menos aprofundados.  Na baixa Idade Média, a escola latina era quase a mesma em todas as regiões ocidentais, criando uma unidade espiritual considerável no mundo sábio.  Por isto é que nos permitimos agrupar num só capítulo todos os traços característicos desta época.

Nossa seleção de textos é mais passível de críticas.  [...]  Não nos propusemos a apresentar uma antologia da literatura medieval, mas a colocar em evidência as diversas fases da língua deste período e a apresentar ao leitor alguns conhecimentos gerais a partir dos quais poderá prosseguir com estudos especializados.  Mesmo neste ponto de vista, o manual continuará mais ou menos imperfeito.

 

Por falta de espaço e de tempo para um trabalho mais longo, não se fará um comentário sobre a bibliografia resumida apresentada por Dag Norberg, de 41 títulos, assim como se deixa o tratamento dos textos da segunda parte desse “Manual” para uma outra oportunidade, concentrando-se um pouco mais nas considerações sobre o latim na Idade Média.

 

A HISTÓRIA DO LATIM MEDIEVAL

Como se sabe, o latim foi uma língua de pastores e de camponeses, restrito, inicialmente, a Roma e seus arredores.  Aos poucos torna-se a língua de cultura, expandindo-se por todo o império romano com um sucesso sem igual.

Mais importante ainda é a história do latim após a queda do império.  O latim falado, conservando uma estabilidade espantosa, nunca morreu; modificou-se, dando origem às  línguas românicas.  O latim literário era escrito e falado nas igrejas e nas escolas. Não sendo uma língua nacional, limitava-se à classe erudita, mas, por isto mesmo, não conhecia fronteiras.  Com o cristianismo, passa às regiões de línguas céltica, germânica, húngara e eslava, tornando-se uma língua comum a toda a civilização ocidental.  Nos primeiros séculos da época moderna, a elite intelectual ainda conhecia a fundo o latim, que conservou a sua universalidade até os nossos dias. Por isso, para se compreender a unidade e a complexidade de nossa civilização é preciso estudar esta língua que, durante muito tempo, formou os espíritos.

O período da história do latim de que trataremos aqui compreende uns mil anos, vindo até o início do Renascimento.  Como a escola e a civilização romanas só aos poucos foram deixando de funcionar, enquanto os homens começavam a viver, refletir e se exprimir de um modo novo, a transformação do latim foi feita muito lentamente.  Como se deduzirá, o latim medieval é a continuação do latim escolar e literário do baixo-império.

No III século, o império romano conheceu crises violentas. Repelidos os bárbaros e restabelecida a unidade do império, Roma já não era o centro da vida política e cultural.  Os imperadores residiam em Milão, Tréviros, Constantinopla e em outras cidades, que ofereciam um ambiente mais favorável à vida intelectual do que a antiga metrópole, prevendo-se a futura decomposição lingüística.

O senado já não tinha importância política.   Ao imperador, dirigia-se através das palavras vestra maiestas, entre outras; e a outras pessoas, segundo a sua classe, por vestra excellentia, eminentia, magnificentia, spectabilitas, etc.  O imperador, falando de si mesmo, não dizia mais ego, mas nos; o súdito devia chamá-lo por vos e não tu.  Este emprego do plural se expandiu rapidamente em todas as classes sociais influenciadas pela língua oficial e se permitiu o emprego do plural de reverência até entre colegas.

Em 313, o imperador Constantino promulga o célebre edito de Milão, em que proclama a liberdade das religiões; em 392, o imperador Teodósio proíbe os cultos pagãos e o triunfo do cristianismo é total, a partir daí.  Estas são duas datas de uma importância fundamental para o Ocidente, mesmo do ponto de vista lingüístico.  Os cristãos haviam levado uma vida distante, formando um grupo isolado da grande massa da população, desprezado e freqüentemente perseguido.  Seu particularismo favoreceu a criação de um linguajar que os pagãos compreendiam tão mal quanto à nova ideologia.  A partir de então, eles seriam os mestres da sociedade e imporiam as suas idéias e sua língua.

Inicialmente, a nova religião foi praticada no Ocidente pelos orientais que falavam o grego e, durante quase dois séculos, o grego foi a língua da igreja, mesmo em Roma.  Disso resultou que uma grande parte do vocabulário cristão proveio de empréstimo do grego.  Tais são, sobretudo, os nomes que designam a organização e as instituições da igreja que se latinizaram.  Assim ecclesia é um empréstimo muito antigo, como o prova a acentuação ecclésia e não ecclesía.  Outros vocábulos desse gênero são episcopus, presbyter, diaconus, martyr, evangelium, baptisma ou baptismus.  Por intermédio da Bíblia, alguns hebraísmos foram bem sucedidos até no Ocidente, como, por exemplo, sabbatum, pascha, satanas, gehenna.   Os latinos incorporaram tão bem estes vocábulos a sua língua que até puderam juntar a eles sufixos da própria língua, criando hibridismos como episcopatus, episcopalis, baptizator, paschalis.

Os cristãos ocidentais podiam, às vezes, escolher entre diversos vocábulos latinos, diante da tarefa de exprimir suas idéias.   Havia, por exemplo,  uma série de verbos com o sentido de "rezar": obsecrare, orare, petere, precari, rogare, etc.

Para representar a expressão "os pagãos", os cristãos hesitaram, inicialmente, entre o empréstimo grego ethnici e os vocábulos latinos nationes e gentes.   Finalmente, venceu o último termo.   A razão é que, já na língua clássica, ele continha um sentido pejorativo, visto que havia o costume de opor as duas expressões populus Romanus e gentes.  O significado de gentes passou a ser, por causa desta oposição, "povos estrangeiros" e "bárbaros", com um quê de desprezo que favoreceu o emprego cristão do vocábulo e sua transformação em "não-iniciados", "pagãos".

Tem-se acentuado a importância do livro para o Cristianismo.  É natural que o latim cristão tenha sofrido uma profunda influência da língua da Bíblia, que todos entendiam.  Ora, as antigas traduções da Sagrada Escritura eram muito literais e, de certa maneira, o hebraico e o grego exerceram uma certa influência, até no domínio da sintaxe.

Na linguagem bíblica, o uso de parabola, "palavra" se expandiu na língua corrente dos cristãos e quando o cristianismo, após a paz constantiniana, se estendeu a toda a sociedade, parabola se tornou um vocábulo corriqueiro.  Criou-se um verbo parabolare, que encontramos pela primeira vez num texto da época merovíngia, a Visio Baronti, cap. 1: ille nihil homini valuit parabolare sed digito gulam ei monstrabat, "ele nada podia dizer ao homem, mas lhe indicava com o dedo sua goela".  O italiano parlare, e o francês parler mostram que no latim falado da baixa Antigüidade este verbo já havia substituído loqui que não deixou traço nas línguas românicas.

O latim falado do baixo império sofreu diversas modificações fonéticas, mas não poderemos tratar do assunto neste trabalho.

Também no domínio da morfologia e da sintaxe, o latim falado conheceu mudanças consideráveis. 

Os pronomes tendem a normalizar suas formas e o sistema dos demonstrativos é muito complicado para poder subsistir.

A língua tardia de todos os dias adora reforçar o sentido dos advérbios com o auxílio de uma preposição.  Um outro traço característico do latim tardio é a confusão das conjunções.  

Ainda existem várias modificações lingüísticas que mereceriam ser mencionadas, mas, paremos por aqui.  Acrescentemos somente alguns fatos gerais concernentes ao léxico.  Os monossílabos têm sido substituídos freqüentemente por vocábulos de duas ou mais sílabas. Os diminutivos e os verbos iterativos eram mais expressivos que os vocábulos simples.   Por isso, preferiu-se agnellus a agnus, cantare a canere.  Os verbos compostos são reforçados, freqüentemente, pelo acréscimo de um novo prefixo: adpertinere, superelevare etc.

Apesar das mudanças que acabamos de assinalar, a língua falada do baixo-império conservava a estrutura latina, e a queda do poder de Roma não trouxe inovações imediatas.  Nos novos reinos germânicos, fundados sobre as ruínas do antigo império, os príncipes bárbaros já não eram hostis à cultura romana.  A maior parte deles aceitou passivamente sua existência, e alguns, como o grande Teodorico, chegaram mesmo a proteger os estudos.  Os próprios bárbaros, muitas vezes, começaram a familiarizar-se com a cultura latina e empregaram o latim como língua da diplomacia e da legislação.

 

O latim da alta Idade Média na África e na Península Ibérica

Como não se poderá tratar suficientemente de todo o trabalho, com as limitações que se impõem nesta oportunidade, resumir-se-á aqui a história do latim da alta Idade Média na África e na Península Ibérica.

Na África, as instituições escolares são mantidas no reino dos vândalos, apesar das dificuldades criadas pelas perseguições dos bárbaros arianos.  Após a reconquista bizantina, o imperador Justiniano se esforçou por reanimar os estudos, mandando pagar um vencimento a dois gramáticos e a dois oradores em Cartago.  Assim, a África se tornou a sede da cultura antiga durante a maior parte do século VII. Também havia relações estreitas entre a África e a Península Ibérica, quando muitos monges passaram com seus manuscritos para lá e organizaram centros de cultura monástica.  Assim, a África contribuiu muito para a conservação da cultura antiga.

A Península Ibérica conseguiu conservar seu caráter românico, e apesar das invasões e das divisões internas, a população continuou católica.  Após a conversão dos visigodos ao catolicismo em 589, começa um período de paz e de fusão entre os dois povos, que durou mais de um século.  Este foi um período de prosperidade e de renascimento cultural.  As escolas de Sevilha, de Saragoça e de Toledo floresciam e produziam frutos brilhantes, graças à atividade de Isidoro, de Bráulio e dos arcebispos Eugênio, Ildefonso e Juliano, da diocese de Toledo, os maiores sábios do século VII.  Os reis visigodos encorajaram os escritores, que chegaram a escrever algumas obras literárias.  O que fez a originalidade da cultura visigótica foi o papel que desempenhou o estudo da gramática e da retórica.

Graças a esta atividade, o latim escrito na Península Ibérica, na época de Santo Isidoro,[3] conserva, no conjunto, uma marca completamente antiga.  Mas a maior parte desses fenômenos já se encontra nos textos do império e são bastante raros.   Em geral, os autores ibéricos conhecem sua gramática latina e se apresentam sob uma luz muito mais favorável do que seus contemporâneos gauleses e italianos. São capazes de escrever até mesmo versos clássicos.

Como o ensino da época visigótica era organizado pela Igreja, a invasão árabe de 711 não rompeu imediatamente a tradição escolar.  Os ibéricos continuaram a viver da herança de Isidoro, mas, sob os novos mestres, o declínio foi inevitável.

Os poetas ibéricos do século IX destacaram de uma maneira completamente caprichosa os vocábulos que só conheciam através da leitura.   Algumas vezes, parece que eles se enganaram sob a influência da língua falada.  Assim, a acentuação fuéro que se encontra nos hinos moçárabes deve ser uma aproximação do espanhol fuera.

Portanto, é por causa da herança da época visigótica que o latim literário dos ibéricos moçárabes conserva um certo caráter escolar e livresco.  A influência da língua falada é pouco considerável entre eles.

Mas, nos diplomas e cartas, a situação é completamente diferente.  O latim que encontramos nesses documentos, cujos mais antigos remontam ao século VIII, não se distingue, em princípio, do latim merovingiano: é uma mistura curiosa de latim escolar, de fórmulas fixas, de traços provenientes da língua falada, de hiperurbanismos e de erros.  Por uma análise detalhada e penetrante desses documentos, conseguiu-se tirar deles preciosos esclarecimentos sobre o desenvolvimento da língua falada.  Sabe-se que, na Península Ibérica, por exemplo, o acusativo da segunda e da terceira declinações se tornou caso único, enquanto que na Gália conservou-se, na Idade Média, uma declinação de dois casos.

As glosas que se encontram nos dois manuscritos do século X, provenientes das abadias de São Milão de Cogula e São Domingos de Silos, mostram que, mesmo na Península Ibérica, a língua escrita só era compreendida nesta época pelos que a haviam estudado.  A partir do ano 1000, na Península Ibérica, a língua culta se encontra praticamente na mesma situação que na Itália.  O isolamento cultural é substituído por contatos proveitosos com outros países e a atividade intelectual dos ibéricos contribuiu muito para a formação da civilização medieval do Ocidente e para a criação dessa nova latinidade.

 

CONCLUSÃO

Desde o momento, variável segundo a região, em que o latim deixou de ser compreendido por todo o povo, seu uso passou a ser limitado a uma camada exclusiva da população.  O latim já não era uma língua materna, mas uma língua escolar, cujos segredos eram inacessíveis à maior parte da sociedade.  Por outro lado, o latim medieval já não conhece limites políticos.  No império romano, o latim tinha sido uma língua nacional, cuja difusão ia junto com o da administração romana.  Na Idade Média, seu sucesso vem do fato de ser ele a língua do cristianismo ocidental.  Foi a língua erudita não somente na antiga România, mas também na Irlanda, na Inglaterra, na Alemanha, na Hungria, na Polônia, nas regiões escandinavas.  Em todas essas regiões, os sábios se serviram do latim, oralmente e por escrito, no ensino, nas diversas funções da vida política e administrativa, e nos conventos e igrejas.  Nesses círculos, a vida da língua erudita não foi artificial.  O latim seguiu o desenvolvimento da civilização, incorporando os vocábulos necessários para exprimir as novas idéias e adotando uma estrutura mais simples.  Essa atitude do latim medieval, de se transformar a partir das necessidades dos homens, mostra-se sobretudo em dois domínios: na lírica e na escolástica.  A revolução lingüística da escolástica foi extremamente imponente, embora orientada para a precisão lógica e exatidão monótona que exigia o ensino das universidades.

O estudo da língua latina da Idade Média ainda se encontra em seus primeiros passos.  Depois da Renascença, é a literatura antiga que se fez objeto preferido das investigações, como resultado da atividade crítica: ao fim da Antigüidade, somente as obras julgadas dignas de serem preservadas e que representavam algum interesse da época foram transcritas do papiro para o pergaminho.  A literatura da Idade Média nunca foi depurada.  Sua extensão é enorme, a maior parte dela foi estudada de maneira superficial, bastantes domínios ainda permanecem desconhecidos, a produção artística está freqüentemente submergida pela maré das obras sem interesse.  É urgente que se comece o estudo dessa matéria tão frutífera e tão pouco explorada.  Mas é necessário, primeiramente, preparar os instrumentos indispensáveis, sem os quais toda a tentativa de penetrar nesse domínio é destinada ao fracasso.  E esses instrumentos são, indiscutível e principalmente, as edições fidedignas dos textos subsistentes, que deverão ser feitas pelos filólogos e pelos editores críticos.


[1] Comunicação apresentada na 3ª Semana de Letras Neolatinas e Colóquio Borges, na Faculdade de Letras da UFRJ, no dia 15 de setembro de 1999.
[2] Transcreve-se, aqui, parte substancial da Introdução, a partir da tradução.
[3] Santo Isidoro de Sevilha é o patrono do Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Lingüísticos desde 1997 e, agora, em 1999, foi escolhido como o padroeiro da Internet.  Seus est udos filológicos foram reunidos numa espécie de enciclopédia dos estudos filológicos de seu tempo.