ELEMENTOS DE FILOLOGIA ROMÂNICA

José Pereira da Silva (UERJ)

 

BASSETTO, Bruno Fregni. Elementos de Filologia Românica: história externa das línguas, vol. 1. São Paulo : Editora da Universidade de São Paulo, 2001. 384 p.

 

Neste primeiro volume dos Elementos de Filologia Românica o Professor Bruno, traçando a história externa das línguas neolatinas, considera a Filologia segundo a definição de Ferdinand de Saussure, que a entende como “a ciência que estuda os textos e tudo quanto for necessário para torná-los acessíveis: não só os aspectos propriamente lingüísticos, mas tudo o universo cultural que uma determinada língua representa.” (4ª capa).

Considerando ainda a bela síntese do redator da 4ª capa, concordamos que:

Resultado do trabalho de muitos anos de pesquisa e ensino, Elementos de Filologia Românica foi elaborado para fornecer orientação segura a estudantes e demais interessados, apresentando os conceitos fundamentais dessa disciplina e os diversos métodos tradicionalmente empregados. Trata também da origem das línguas românicas, com ênfase no chamado latim vulgar, para chegar até as línguas modernas desse grupo, acompanhando as fases de sua evolução e os tipos de classificação existentes.

O primeiro volume dos Elementos de Filologia Românica apresenta a seguinte matéria, dividida em uma longa introdução e quatro capítulos assim organizados:

Introdução: Conceito de Filologia Românica e Diacronia das línguas românicas.

1. O trabalho filológico: Crítica textual (Recensio, Collatio codicum, Estemática e Emendatio), Crítica histórico-literária (Autenticidade, Datação, Fontes, Circunstâncias, Sorte, Unidade e integridade, Linguagem do texto e Avaliação crítica), Exegese do pormenor, Edição (Edição crítica, Edição diplomática, Edição paleográfica e Outros tipos de edição).

2. Métodos da Filologia Românica: Método histórico-comparativo, Método idealista, Método da Geografia Lingüística, Método de Wörter und Sachen (“Palavras e Coisas”), Método onomasiológico, Método neolingüístico ou espacial, Método da Teoria das Ondas (Wellentheorie), Métodos afins e Considerações sobre os métodos.

3. Origem das línguas românicas: O latim e suas variedades, Características do latim vulgar, A latinização, Fatores da latinização (Exército romano, Colônias militares, Colônias civis, Administração romana, Obras públicas e Comércio), Fontes do latim vulgar (Inscrições populares, Papiros antigos, Gramáticos e mestres de retórica, Tratados técnicos, Relatos de peregrinações, Textos latinos tardios, Textos cristãos, Glossários e As línguas românicas como fontes do latim vulgar), A fragmentação da România (Causas internas e Causas externas: as invasões), A formação das línguas românicas (fase de bilingüismo, Substrato, Superstrato, Adstrato e Latim medieval: adstrato permanente).

4. A România: Conceito de România, Períodos da România (România antiga, România medieval e România moderna), Fases de evolução das línguas românicas (Fase latina, Fase romance e Fases das línguas românicas modernas), Classificação das línguas românicas (Classificação de F. Diez, Outras classificações e România contínua) e Características e inter-relacionamento das línguas românicas (Balcano-romance, Reto-romance, Ítalo-romance, Galo-romance e Ibero-romance).

Além dessa exposição, os Elementos fornecem uma série de índices facilitadores para os estudantes e leitores e uma grande série cartográfica sobre o assunto (25 mapas).

Deixando de fazer a louvação desnecessária ao grande divulgador da Filologia no Brasil, tão bem sintetizada por Henrique Murachco nas orelhas da primeira edição dos Elementos de Filologia Românica, transcrevo dele as palavras referentes ao livro:

A obra que ora se publica é, portanto, resultado de muitos anos de estudos e de uma longa prática de docência.

Aqui o leitor encontrará a descrição dos diversos métodos filológicos utilizados na abordagem de textos, assim como a história externa das línguas românicas, desde a constituição e o posterior esfacelamento do Império Romano - com a projeção do latim e suas variedades - passando pelas invasões bárbaras e chegando até fins do século XV, quando começam a se constituir as atuais línguas latinas da Europa.

A biografia do termo filólogo estudada através da análise do conteúdo semântico de suas ocorrências em textos gregos, latinos, medievais e modernos, levou a uma definição coerente de Filologia, grandemente aproveitada pela CBO 2000 na Classificação Brasileira de Ocupações para o Ministério do Trabalho e Emprego, em 2001.

Também está longamente discutida a conceituação de românico, com o que se evitará uma série enorme de confusões.

Na verdade, foi feita alguma adequação da matéria à realidade educacional brasileira, acrescentando-lhe informações dispensáveis ou deixando de aprofundar certos tópicos específicos que dependem de conhecimento de alguma outra matéria.

E, concluindo, devolvo a palavra a Henrique Murachco:

Elementos de Filologia Românica é uma importante obra de consulta que pode também ser lida de um fôlego só, porque, além de instigante, foi escrita num estilo simples e claro. Privilégio e conquista de um pesquisador, mas, sobretudo, de um raro professor, cuja qualidade essencial é a generosidade de transmitir o que sabe, sabendo que, ao fazê-lo, acaba por saber mais.