MANUSCRÍTICA: REVISTA DE CRÍTICA GENÉTICA

José Pereira da Silva (UERJ)

SALLES, Cecília Almeida. (Dir.) Manuscrítica: revista de crítica genética, nº 10 (junho de 2001). São Paulo : Annablume / Associação de Pesquisadores do Manuscrito Literário, 2002, 220 p.

 

A Manuscrítica é a publicação oficial da APML (Associação de Pesquisadores do Manuscrito Literário) e é, senão a única, a mais representativa entre as revistas especializadas nessa especialidade.

O seu número 10 traz doze interessantes trabalhos de Crítica Genética, que vão aqui apresentados com as palavras de sua diretoria editorial, Profa. Cecília Almeida Salles:

Manuscrítica 10 apresenta uma crítica genética exuberante no que diz respeito à diversidade dos artistas que vêm sendo alvo de pesquisas: escritores, poetas, artistas plásticos brasileiros e estrangeiros.

Sílvia Anastácio Guerra estuda as marcas da visualidade na construção do poema “Under the window: Ouro Preto” de Elizabeth Bishop. A construção do tempo ao longo do processo de criação de Meus verdes anos de José Lins do Rego é analisada por Maria Lúcia de Souza Agra. Claudia Amigo Pino apresenta uma pesquisa sobre a gênese do romance 53 Jours de Georges Perec, e nela faz a interpretação dos diferentes movimentos da escritura e propõe uma possível estética da criação. Sérgio J. Meurer mostra Joan Miró em busca de economia de recursos visuais no processo de criação do quadro Maternitat. Marcia Regina Jaschke Machado dá destaque ao diálogo entre artistas que ocorre, muitas vezes, ao longo de processos criativos: Mário de Andrade faz anotações em manuscritos de Luis Aranha. E Mário de Andrade é também o foco de interesse de Ricardo Souza de Carvalho, que constrói o literário de criação do ensaio “Amor e medo”. Em “Linguagens em diálogo”, faço um estudo de crítica genética comparativa dos processos do escritor Ignácio de Loyola Brandão e do artista plástico Daniel Senise, a partir das tramas semióticas que sustentam seus percursos criativos.

No campo dos desdobramentos dos estudos de caso, Cristiane Grando discute em seu artigo o papel do manuscrito como material de pesquisa do tradutor de poemas de Hilda Hilst. Sônia Maria van Dijck Lima, por sua vez, aborda a continuidade do ato criador sob o ponto de vista dos críticos literários, ao apresentar a recepção de Sagarana nos periódicos colecionados pelo próprio Guimarães Rosa.

Philippe Willemart, Edson do Prado Pfützenreuter e Robson Corrêa de Camargo dedicam seus artigos a reflexões de natureza teórica. Philippe investiga algumas conseqüências da ampliação do conceito de crítico genético, permitindo uma releitura da teoria literária e da história da literatura. Edson faz uma discussão sobre o desenho como um tipo de documento de processos criativos nas artes plásticas. Robson verifica como alguns instrumentos teóricos da crítica genética se comportam nos estudos sobre teatro.

E assim o perfil dinâmico da crítica genética praticada no Brasil vai se consolidando.

(SALLES, Cecília Almeida. Editorial)

Esse periódico nasceu com a associação que o produz e constitui o mais importante acervo teórico e crítico no Brasil sobre a Crítica Genética e é pioneiro em todo o mundo nessa especialidade, concorrendo com publicação similar que vem circulando na França, país que disputa com o Brasil nos avanços teóricos e práticos alcançados.

Almuth Grésillon, Amálio Pinheiro, Júlio Castañon, Raul Antelo, Roberto Brandão, Willi Bolle e Yedda Dias Lima faze parte de seu conselho editorial, sendo sua editoria científica constituída de Cecília Almeida Salles, Philippe Willemart, Sônia M. van Dijk Lima e Telê Ancona Lopez, colegas que têm levado no pulso as atividades da APML, além de virem desenvolvendo e difundindo a Crítica Genética.