CONVERSAS COM LINGÜISTAS
VIRTUDES E CONTROVÉRSIAS DA LINGÜÍSTICA

José Pereira da Silva

XAVIER, Antônio Carlos e CORTEZ, Suzana (orgs.). Conversas com lingüistas: Virtudes e controvérsias da lingüística. São Paulo: Parábola, 2003. 200 p.

Trata-se de um livro de entrevistas orais realizadas pelos organizadores com dezoito experientes professores e pesquisadores de Lingüística atuantes no Brasil há mais de vinte anos, reelaboradas posteriormente pelos entrevistados, que receberam pelo correio eletrônico os textos resultantes das gravações transcritas.

Os entrevistados, pela ordem que aparecem no livro, são os seguintes: 1. Maria Bernadete Marques Abaurre (UNICAMP), Eleonora Cavalcânti Albano (UNICAMP); José Borges Neto (UFPR); Ataliba de Castilho (USP e UNICAMP); Carlos Alberto Faraco (UFPR); José Luiz Fiorin (USP); João Wanderley Geraldi (UNICAMP); Francisco Cardoso Gomes de Matos (UFPE); Rodolfo Ilari (UNICAMP); Mary Kato (USP e UNICAMP); Ingedore Grunfeld Villaça Koch (UNICAMP); Luiz Antônio Marcuschi (UFPE); Maria Cecília Mollica (UFRJ); Diana Luz Pessoa de Barros (USP); Sírio Possenti (UNICAMP); Kanavilill Rajagopalan (UNICAMP); Maria Martins Margarida Salomão (UFJF) e Carlos Vogt (UNICAMP), que responderam a dez perguntas sobre Lingüística numa média de nove páginas cada um.

Os dezoito entrevistados responderam oralmente as mesmas perguntas, que foram gravadas e transcritas pelos organizadores. Depois de transcritas as entrevistas, cada um recebeu pelo correio eletrônico uma cópia do texto resultante para as retificações necessárias para elaboração da forma final a ser publicada.

Foram dez as perguntas a que responderam:

1. Que é língua?

2. Qual a relação entre língua, linguagem e sociedade?

3. Há vínculos necessários entre língua, pensamento e cultura?

4. A linguagem tem sujeito?

5. Que é lingüística?

6. A lingüística é ciência?

7. Para que serve a lingüística?

8. A lingüística teria algum compromisso necessário com a educação?

9. Como a lingüística se insere na pós-modernidade?

10. Quais os desafios para a lingüística no século XXI?

A importante contribuição que a Editora Parábola agora nos apresenta se inspirou no sucesso dos livros Conversas com economistas brasileiros e Conversas com filósofos brasileiros, organizados respectivamente por Ciro Biderman, Luiz Felipe L. Cozac e José Marcio Rego e por José Márcio Rego e Marcos Nobre, respectivamente, que foram parar nas mãos dos organizadores deste trabalho quando eles ainda estavam iniciando o curso de pós-graduação na Universidade Estadual de Campinas, apesar de terem escolhido outra metodologia para a realização e organização das entrevistas.

Conversas com lingüistas é um trabalho que tem dois objetivos bem definidos:

... revelar as controvérsias da lingüística, aquecendo o debate interno entre os mais de 3.000 lingüistas atuantes hoje no Brasil, e, ao mesmo tempo, divulgar e popularizar um pouco mais esta área de estudos ainda tão desconhecida, não apenas por ser nova, mas também por falta de presença pública dos próprios lingüistas. (p. 10)

Duas medidas foram tomadas para conseguir um maior comprometimento dos entrevistados com o resultado dos trabalhos: “que eles deveriam aceitar fazer a entrevista oralmente, e não por escrito” e que seriam selecionados apenas profissionais “com mais de vinte anos de experiência como professores e pesquisadores” que “deveriam gozar de um bom conceito profissional entre seus pares”. (p. 10)

Dar uma visão da heterogeneidade de certos aportes da lingüística no Brasil, mostrar a variedade de posições em torno dos conceitos básicos que sustentam a lingüística enquanto campo de estudo científico e divulgar o que é, como trabalho e para que serve a chamada ciência-piloto das ciências humanas: estes são os motivos geradores da publicação deste Conversas com lingüistas - virtudes e controvérsias da lingüística.

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Aqui as personalidades dos intelectuais, sua história profissional ou sua trajetória acadêmica não recebem destaque. As entrevistas se concentram na própria lingüística e na diversidade de definições para os mesmos fenômenos. Ao aceitarem responder sempre às mesmas perguntas, lingüistas de várias áreas dos estudos da linguagem e filiados às mais diferentes correntes e escolas lingüísticas fazem um produtivo debate assíncrono, uma espécie de variação sobre o mesmo tema, o que permitirá aos leitores tomar o pulso da lingüística no Brasil. (4ª capa).

Agradecemos à Editora Parábola e aos organizadores desse trabalho pela oportunidade de termos reunidos os depoimentos de pessoas tão representativas dos estudos lingüísticos sobre questões tão pertinentes para os estudiosos e profissionais desta área.