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TIPOLOGIA LINGÜÍSTICA
LÍNGUAS ANALÍTICAS E LÍNGUAS SINTÉTICAS

Albano Dalla Pria (UNEMAT)

 

INTRODUÇÃO

O termo “tipologia” foi usado pela primeira vez em 1901 (por von der Gabelentz). Fora da lingüística é sinônimo de “taxionomia” e “classificação” de fenômenos em “tipos”, particularmente tipos estruturais (como, p. ex., na biologia). Os primeiros registros do termo na literatura lingüística datam das teses apresentadas pela Escola Lingüística de Praga no Primeiro Congresso de Filólogos Eslavos. As definições lingüísticas para “tipologia” partem da hipótese de que as línguas naturais variam, sendo possível, no entanto, considerar várias dependências dentre as propriedades variantes e propor “tipos” (Greenberg, 1974).

A definição lingüística mais ampla, e menos aceita atualmente, refere-se aos estudos que tiveram início em Adam Smith e se desenvolveram a partir do século XIX, principalmente na Alemanha, através dos irmãos Freidrich e August Schlegel. Segundo Croft (1993), esses estudos, baseados na comparação estrutural entre línguas (Lyons, 1979), definem tipos e classificam uma língua como se ela pertencesse apenas a um único tipo. Esses estudos podem ser identificados como genéticos (Greenberg, 1974) ou de classificação tipológica (Croft, 1993).

Segundo uma definição mais específica, que teve início em Joseph H. Greenberg[1], nos anos 60, a “tipologia”, sub-disciplina da lingüística, é o estudo de padrões lingüísticos encontrados no estudo comparativo a fim de propor implicações universais. Essa visão é comumente chamada “Greenberguiana”.

Decorrente da abordagem de Greenberg, surge uma definição ainda mais específica, ou seja, que a tipologia representa um aparato para o estudo das línguas, contrastando com outros, como o Estruturalismo Americano e, principalmente com a Gramática Gerativa Chomskiana. Essa visão greenberguiana alia-se ao funcionalismo pelo fato de acreditar que a estrutura lingüística pode ser explicada basicamente em termos de funções lingüísticas[2]. Nos anos 70 a escola tipológico-funcional é associada aos nomes de Talmy Givòn, Paul Hopper e Sandra Thompson.

 

A CLASSIFICAÇÃO TIPOLÓGICA
OU FILOLOGIA COMPARATIVA
[3]

A classificação tipológica procura descrever vários tipos lingüísticos encontrados entre as línguas a partir de um único parâmetro gramatical.

Suas primeiras manifestações calcavam-se na classificação morfológica das línguas. Adam Smith apresenta, em 1761, uma das primeiras propostas de classificação tipológica que é depois retomada pelos irmãos Friedrich (1808) e August von Schlegel (1818). August destacou-se pelo fato de apresentar, sob o domínio das línguas flexivas[4], a distinção entre “línguas analíticas” e “línguas sintéticas”, traduções dos termos compounded e uncompounded de Smith e, a partir do Chinês, sugeriu um terceiro tipo de línguas, isto é, as “sem estrutura”. Uma língua sintética, segundo essa perspectiva, possui maior complexidade da sua flexão, que expressa de forma amalgamada caso, gênero, número, tempo, aspecto etc., ao passo que uma língua “analítica” faz uso de construções perifrásticas (com verbos auxiliares, preposições etc). Segundo Coseriu (1980: 141), trata-se de uma “distinção tipológica de validade geral”. Daí vêm as dicotomias “línguas sintáticas” e “línguas morfológicas”, “línguas paradigmáticas” e “línguas sintagmáticas” etc que, em última instância, não passam da distinção entre línguas antigas (como o Grego, o Latim e o Sânscrito) e línguas modernas da Europa (Francês, Inglês, Espanhol, Italiano, Português etc), tendo na sua base a palavra como unidade básica da língua. A classificação tripartite de Schlegel dá origem à formulação da classificação morfológica “clássica” de tipos de línguas: isolantes (ou monossilábicas), aglutinantes e flexivas (ou fusionantes).

O período em que foram realizados esses estudos, isto é, o século XIX, foi bastante influenciado pelas concepções “naturalistas” de evolução. Para August Schlegel e seus antecessores, a justificativa para a evolução de uma língua sintética para analítica assentaria basicamente no contato com outras línguas, o que é criticado por Humboldt (1963), que considera as línguas românicas flexivas como o Latim. Humboldt também se mostra contrário às classificações das línguas, a não ser como meios auxiliares, isto é, métodos e procedimentos (Coseriu, 1980). É com Humboldt que surge a “ordenação ideal” das línguas baseada na sua forma, especificamente na morfologia. Concebia a flexão como uma forma “ideal” e “perfeita”, “princípio da linguagem”. Começa a avaliar as línguas como “mais perfeitas” (flexionais e isolantes) e “menos perfeitas” (aglutinantes e incorporantes) segundo o grau de realização da flexão que nelas ocorre.

Os neohumboldtianos permanecem utilizando-se dos tipos ideais: isolantes / fusionantes, aglutinantes, flexionais / flexivas / fusionais, incorporantes / polissintéticas.

a)  As línguas isolantes não possuem flexão. As informações gramaticais expressas por flexão em línguas flexionais aqui são expressas por palavras invariáveis. O Chinês e muito mais o Vietnamita são os exemplos mais comuns desse tipo de língua. Veja-se o exemplo vietnamita[5]:

khi

tôi

dên

nhà

ban

tôi

chúng

tôi

bǎt

dâu

làm

bài

‘when’

‘I’

‘come’

‘house’

‘friend’

‘I’

‘plural’

‘I’

‘seize’

‘head’

‘do’

‘lesson’

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

‘quando eu venho à casa do meu amigo, nós começamos a fazer as lições’

 

b)  As línguas aglutinantes unem afixos comumente invariantes a uma raiz de tal forma que pode haver vários morfemas facilmente identificáveis em uma palavra. De outra forma, a palavra se compõe de morfes, sendo que cada um representa um morfema, havendo conservação da identidade fonológica dos morfes. Trata-se, portanto, da não correspondência entre morfemas e certos segmentos de palavra (Lyons, 1979). O Turco, o Japonês e o Húngaro são geralmente classificados como aglutinantes. Veja-se o exemplo da língua Swahili:

Sujeito

Tempo

Objeto

Verbo

‘você’

‘contínuo’

‘ele’

‘perturbar’

 

 

 

 

u-

-na-

-m-

-sumbua

 

c)  Nas línguas flexivas os morfemas são representados por afixos. Há, nesse caso, uma dificuldade de identificar precisamente as diferentes partes dos afixos. Como exemplos de línguas flexionais temos o Russo, o Latim e o Grego antigo. Na frase latina Puellam bellam amo (‘Eu amo a bela garota’), a terminação –am, no nome e no adjetivo, marca feminino, singular e acusativo e a terminação –o do verbo refere-se à primeira pessoa do singular, sujeito e presente do indicativo. As palavras latinas não podem ser segmentadas em morfes, senão de forma arbitrária, e isso é o que diferencia as línguas flexivas das aglutinantes. Não se trata de uma diferença de estrutura gramatical entre línguas “flexivas” e “aglutinantes”, mas do modo como são representadas as unidades gramaticais mínimas, seja fonológica ou graficamente. Juntos esses dois tipos de língua compõem o grupo das “inflexivas” (Lyons, 1979).

 

d)  As línguas polissintéticas (ou incorporântes) fazem grande uso de afixos e freqüentemente incorporam o que outras línguas expressariam por meio de nomes e advérbios a elementos que se assemelham a verbos. São identificadas como polissintéticas a língua Inuktitut (Irlanda) e algumas línguas indígenas americanas. Veja-se o Inuktitut:

 

tavva

guuq

Ikpiarju(q)

-ku(t)-

-Luni-

 

 

 

 

 

then (suddenly)

they say

work-bag

by

while she

 


 

 

tigualaka

-mi

-uk

takanu-

 

 

 

 

swept up (in one motion)

LOC (from)

POSS

that one there below

 

nga

ikijaq-

tuq-

luni

qaja(q)r-

mun

 

 

 

 

 

 

her

way out

she

while

kayak

towards

 

 

 

 

 

 

‘Then suddenly, she swept up her work-bag from

its place below her as she went out towards the kayak’

 

Chega-se à seguinte configuração, de um ponto de vista estrutural:

 

 

 

 

 

 


 

Em geral, acredita-se que a maior parte das línguas naturais se aproxima do tipo “aglutinante”.

Ainda que não fosse o objetivo de Humboldt, os quatro tipos serviram como meios de classificação das línguas. Outras críticas feitas a essa escola devem-se, em princípio, a dois fatos: sua classificação reconhece apenas um único parâmetro de variação das línguas, isto é, a estrutura morfológica das palavras e, embora reconheça que as línguas variam nas suas partes (reconhecem, p. ex., que o Latim é menos “sintético” que o Grego em algumas partes)[6], utilizam-se de apenas um parâmetro para classificá-las, colocam-nas num grupo ainda que não apresentem as mesmas características estruturais na sua totalidade. O reconhecimento de que uma língua apresenta características de um determinado tipo não quer dizer que, como um todo, ela se configure como um único tipo (Lyons, 1979). Não se encontram aqui as noções de tipo básico e prototípico (Croft, 1993). Outra crítica refere-se à postura avaliativa que adotam para as línguas a partir de princípios filosóficos lógico-semânticos[7] e de uma clara conotação de superioridade cultural por parte de quem fala uma determinada língua como se constata em Humboldt[8] (Croft, 1993). Segundo Lyons (1979), não há uma lei de “evolução” que oriente o desenvolvimento das línguas de um tipo para outro, como foi argumentado por Humboldt e pelos irmãos Schlegel em decorrência dos estudos diacrônicos, somente substituídos pelos estudos sincrônicos no século XX, com o advento do estruturalismo lingüístico.

 

O ESTRUTURALISMO: SAPIR

O estruturalismo lingüístico alterou a visão da tipologia morfológica das línguas ao postular que elas possuíam uma estrutura sincrônica, e não mais diacrônica como se fazia até então, rejeitou a avaliação cultural atribuída a tipos morfológicos e passou a examinar suas partes isoladamente propondo uma classificação tipológica de várias características lingüísticas.

Sapir (1921) revisou a tipologia morfológica do século XIX ilustrando a possibilidade de diferentes formas de classificação. Dividiu as propriedades morfológicas em dois parâmetros independentes: o número de morfemas por palavra e as alterações fonológicas dos morfemas combinados, chegando a três tipos de línguas em termos do número de morfemas: analíticas (um morfema por palavra), sintéticas (um pequeno número de morfemas por palavras) e polissintéticas (um grande número de morfemas, particularmente muitas raízes, por palavra). Distinguiu quatro tipos em termos da alteração dos morfemas: isolante (sem afixação), aglutinante (simples afixação), fusional (alterações morfofonêmicas consideráveis) e simbólica (supletiva). Trata-se, na verdade, de um refinamento do que havia sido feito anteriormente, resultando numa complexa tipologia das línguas que possibilita mostrar como elas expressam diferentes tipos de conceitos: “concretos”, “derivacionais” e “puramente relacionais”.

Uma critica que faz aos estudos estruturalistas e a dificuldade de estabelecer limites entre o que é um morfema e o que é uma palavra, ou seja, uma definição satisfatória para esses fenômenos. Excetuando a visão sincrônica aplicada às línguas, o estruturalismo não avançou nos estudos tipológicos, o que só veio a ocorrer com o surgimento da concepção tipológico-funcional de Greenberg.

 

A CONCEPÇÃO TIPOLÓGICO-FUNCIONAL

Greenberg (1954) deu um passo a mais na classificação tipológica ao introduzir o conceito de tipo lingüístico. Observou ainda que não há limites claros entre os tipos analítico, sintético e polissintético por causa do valor quantitativo dos morfemas das palavras. Criou um índice quantitativo que relaciona morfemas e palavras. As línguas deixam de ser classificadas segundo tipos discretos e passam a ser relacionadas a partir de dez parâmetros estruturais.

Segundo Greenberg (1974), já se podia pressentir nos trabalhos da Escola Lingüística de Praga[9] um distanciamento daquele tipo de classificação tipológica da língua como um todo. Na medida em que são confrontadas formas lingüísticas (estrutura) e funções lingüísticas (motivação externa), uma relação de iconicidade, chega-se à base de uma nova tipologia, isto é, a relação forma-função. Muitas outras teorias se desenvolveram a partir do estabelecimento do estudo de parâmetros estruturais.


 

SÉCULO XX:
OS DESDOBRAMENTOS DOS ESTUDOS TIPOLÓGICOS

Desde a metade do século XX os estudos tipológicos têm se centrado na sintaxe, sendo chamados também de tipologia da ordem dos elementos – palavras ou constituintes no SN e se uma língua possui anteposições ou posposições –, uma aplicação dos universais lingüísticos postulados por Greenberg (1961). Uma das noções estudadas é a de ordem básica em termos de S(ujeito), V(verbo) e O(bjeto). As mais comuns seriam SVO (Inglês, Português, Francês) e SOV (Japonês e Turco), sendo encontradas com menor freqüência as outras quatro configurações possíveis: VSO, VOS (Malagasi – Oeste do Madagascar), OVS (Hixkariana – Nordeste do Brasil), OSV. Há línguas ainda que não apresentam uma ordem básica, como o Dirbal (Austrália). Segundo Tomlin (1986) a hierarquia dos seis tipos, com base na freqüência, seria: SOV = SVO > VSO > VOS = OVS > OSV. Greenberg (1966) postula, além desses, outros parâmetros, como a ordem relativa entre Genitivo e Nome (GN/NG), Demonstrativo e Nome (Dem. N/N Dem.), Oração Relativa e Nome (Or. Rel. N/N Or. Rel.), Numeral e Nome (Num. N/N Num.), Nome e Adjetivo (AN/NA), Preposições e Posposições.

Surge então o Princípio de Harmonia Transcategorial de Hawkins (1982), que considerada uma língua consistente conforme a ordenação de seus modificadores e modificados (Cohen, 1979:59). A variação dos padrões dentro de uma mesma língua impede que ela seja totalmente consistente.

Greenberg (1966) classificou as línguas românicas como SVO/Pr/NG/NA apesar de algumas inconsistências, como, p. ex., no Português (SVO) as ordens AN, GN e a existência de pronomes-objeto proclíticos, indicando uma ordem SOV. O Latim foi classificado como ambivalente, por não se enquadrar em nenhum dos padrões. O Latim Clássico possui características SOV e SVO, ficando a meio caminho entre o Indo-Europeu, classificado por Lehmann (1972) como SOV, e as línguas românicas (SVO).

Para Vennemann (1974), as inconsistências são indicadoras de que uma língua se movimenta, em termos de mudança lingüística (Sapir, 1921), de um tipo consistente para outro tipo consistente.


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COHEN, Maria Antonieta. O posicionamento do adjetivo no sintagma nominal português. Centro de estudos portugueses da faculdade de letras da UFMG. Belo Horizonte, 12:58-62, 1979.

COSERIU, E. Tradição e novidade na ciência da linguagem. Rio de Janeiro: Presença/USP, 1980.

CROFT, W. Typology and universals. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

GREENBERG, J. A quantitative approach to the morphological typology of language. In: SPENCER, R. F. Method and perspective in anthropology. [s/l.: s/e.], 1954.

GREENBERG, J. Language typology: a historical and analytic overview. Mouton: The Hague, 1974.

GREENBERG, J. Universals of language. 2ª ed. Cambridge: MIT Press, 1966.

HOWKINS, J. A. Cross-category, X-bar and the predications of markedness. Journal of linguistics 18: 1-35, 1982.

LEHMANN, W.P. A structural principle of language and its implications. In: Language. 49:47-66, 1973.

LYONS, J. Introdução à lingüística teórica. São Paulo: Cia. Ed. Nacional; USP, 1979.

MALMKTÆR, Kirsten. The linguistics encyclopedia. London and New York: Routledge, 1996.

SAPIR, E. Language. Nova York: Harcourt, 1921.

TOMLIN, R. Basic word order: Functional principles. London: Croom Helm, 1986.

VENNEMANN, T. Analogy in generative grammar; the origin of Word order. In: LUIGI, Heilman (org.) Proceedings of the XI International Congress of Linguistics. Bolonha, 2, 1972.


 


 

[1] Greenberg foi quem descobriu as implicações universais da morfologia e da ordem dos elementos.

[2] Chomsky, ao contrário parte de um ponto de vista formalista.

[3] “Classificação Tipológica” é de Croft (1993), “Filologia comparativa” é de Lyons (1979).

[4] O que chamamos “flexão” foi bastante aprofundado pelos estóicos, que deram origem ao termo caso que permanece até hoje. Os alexandrinos, dando continuidade ao trabalho dos estóicos, estabeleceram  “cânones”, ou paradigmas, de flexão (Lyons, 1979).

[5] Os exemplos dos itens (a), (b) e (c) foram extraídos de Malmjkær (1996).

[6] Os gramáticos romanos já haviam incorrido no erro de achar que as “partes do discurso” propostas pelos gregos eram universais e necessárias (Lyons, 1979). Julgavam a estrutura de línguas bárbaras e do próprio latim falado no momento presente a partir da estrutura (partes do discurso) do grego clássico.

[7] A lógica, para os estóicos, dividia-se no estudo da Epistemologia, da Retórica e da Gramática (“arte de escrever bem”). Acreditavam que a língua era espelho da realidade subjacente, ou seja, dos fenômenos do mundo físico. Estava na base dessa concepção a crença na coincidência nos modos de “ser” e de “compreender”.

Durante a Renascença, através dos gramáticos de Port-Royal, trazem à tona a concepção da gramática como espelho da realidade e que a estrutura da língua é produto da razão.

[8] A avaliação das línguas do ponto de vista estrutural como “puras”, “corretas”, “impuras” e “incorretas” remonta o tempo dos estóicos e permanece até hoje, o que pode ser constatado nas gramáticas prescritivas. Quanto à relação entre “língua” e “caráter”, teve seu início com o Romantismo alemão (séc. XVIII). Humboldt defendia que a estrutura de uma língua refletia e condicionava os modos de expressão e pensamento do povo que a fala (Lyons, 1979; Coseriu, 1960).

[9] Os primeiros estudos dessa escola centraram-se na tipologia das línguas com base na sua fonologia. A distinção tipológica mais conhecida nesse sentido se faz entre línguas tonais e não-tonais. A estruturação das sílabas foi outro fator bastante estudado (Malmjkær, 1996).