INFLUÊNCIAS DO CASTELHANO NA SINTAXE
E NA MORFOLOGIA DO GUARANI PARAGUAIO

Eduardo de Almeida Navarro (USP)

No Pós-Guerra, com a expansão do capitalismo multinacional e com a difusão da ideologia do desenvolvimentismo e da modernização econômica pela periferia capitalista, instaurou-se uma profunda crise de valores naqueles países de forte tradição cultural indígena, cujas burguesias nacionais, embaladas pela ilusão da modernidade, passaram a considerar as línguas indígenas nacionais fatores de atraso social e econômico. Tal foi o caso do Paraguai, onde a língua Guarani, que definiu a própria identidade nacional, era mal estudada e seu uso era reprimido nas escolas e nas repartições públicas.

Tal desdém oficial pela língua indígena clássica do país, que a manteve afastada das escolas, acentuou um fenômeno que já vinha a se verificar antes, a saber, a profunda influência do castelhano na sintaxe e na morfologia do Guarani dito “paraguaio”, isto é, aquele usado nacionalmente, inclusive nos meios urbanos, fora das comunidades indígenas ainda subsistentes no país, consideradas falantes de formas “puras” da língua.

Tal influência faz do Guarani paraguaio um autêntico “jopará”, isto é, uma mescla, que lentamente solapa os traços autenticamente indígenas do Guarani, distanciando-o do Guarani clássico, falado na época das missões jesuíticas. Somente na década de noventa, com a promulgação da nova constituição do Paraguai, que guindou o Guarani à condição de língua oficial, ao lado do castelhano, com sua conseqüente inserção no currículo da escola fundamental, é que o Guarani passou a ser estudado sistematicamente no país. A preocupação atual do Instituto de Lingüística Guarani é justamente escoimar o Guarani paraguaio de tantos espanholismos.

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