O OBJETO DIRETO ANAFÓRICO
NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Luiz Alexandre Amaral (OSU)

O objeto direto anafórico no português brasileiro aparece em duas formas básicas: nulo ou explícito (normalmente na forma de pronomes tônicos). A antiga idéia de que o uso do pronome decorre da necessidade de enfatizar o constituinte oracional apresenta diversos problemas e nenhum estudo quantitativo comprova sua veracidade.

Estudos recentes (Schwenter e Silva - 2003) apontam para a necessidade de se observar características semântico-pragmáticas dos elementos aos quais os objetos anafóricos se referem como ponto de partida para explicar a forma que esses objetos tomam em um determinado enunciado. A idéia principal é a de que os objetos anafóricos tendem a ser nulos quando seus referentes são -animados e/ou -específicos, e tendem a ser explícitos quando seus referentes são +animados e +específicos. Apesar de seus resultados serem quantitativamente bastante convincentes, Schwenter e Silva não conseguem explicar por que existem casos onde objetos anafóricos aparecem explícitos quando não têm um referente com os dois traços semântico-pragmáticos previstos.

Nosso estudo analisa os casos ditos anômalos pela teoria de Schwenter e Silva (2003) e propõe uma análise dos objetos nulos anafóricos a partir de uma teoria de resolução de anáforas com base na estrutura discursiva. Segundo os dados apresentados, a escolha da forma do objeto anafórico não depende somente das características semântico-pragmáticas de seu referente, mas principalmente de fatores relacionados à coerência discursiva. A modelo apresentado baseia-se na coerência local discursiva da Centering Theory of Discourse (Grosz, Joshi, and Weinstein - 1985), e utiliza o princípio-M de Levinson (1987) e a escala de acessibilidade descrita por Blackwell (2000) para determinar o elemento mais proeminente dentro da estrutura do discurso. A escolha desse elemento permite prever tipos de mudanças no tópico discursivo, o que por sua vez possibilita explicar a escolha da forma pronominal como uma opção pela manutenção da coerência discursiva através da variação entre formas mais e menos marcadas.

A conclusão do estudo aponta para três princípios básicos seguidos pelos falantes ao escolher a forma dos objetos anafóricos. Esses princípios relacionam os traços semântico-pragmáticos dos referentes com a função discursiva do objeto e explicam os casos anômalos a partir de uma mudança no tópico do enunciado.

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