TRADUZINDO O UNIVERSO FEMININO DO FUTEBOL

Leda Maria da Costa (UERJ)

Dizer que o Brasil é o país do futebol se transformou num lugar comum. Mas é importante inserirmos um parêntese nessa afirmativa. Afinal somos o país do futebol (masculino). A configuração tanto simbólica quanto concreta dos espaços ocupados pelo futebol pertence, primordialmente, aos homens. Enquanto em países como China, EUA e Suécia futebol é coisa de mulher, aqui tudo caminha numa direção oposta. Não é difícil perceber a dificuldade que torcedores e profissionais dos meios de comunicação têm de interpretar o futebol como prática que também se estende ao universo feminino. Para investigarmos os prováveis motivos desse fenômeno faremos um breve percurso pela história do futebol brasileiro.

O futebol no Brasil, inicialmente, foi utilizado como um símbolo de distinção. Costumava ser praticado por membros da elite nacional que tentavam reproduzir hábitos adquiridos nas suas viagens à Inglaterra. No entanto, a inserção do futebol em terras nacionais não se deu por intermédio de um simples processo de reprodução, mas sim através de um fenômeno tradutório. Nesse sentido ao ser deslocado da cultura inglesa para a nossa, o futebol passará por um processo de tradução cultural que do mesmo modo que a textual colocará em jogo negociações, interações e principalmente diferentes formas de interpretação. Aqui nos interessa analisar como o referido esporte bretão foi traduzido pela cultura brasileira. Que representações lhe foram atribuídas e quais os prováveis motivos que fizeram com que, diferentemente de alguns países, se transformasse numa prática essencialmente masculina e quase que totalmente vetada à mulher.

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