Lygia Bojunga e os recursos lingüísticos
oralidade e escrita

Tânia Maria Nunes de Lima Câmara (UNISUAM)

 

Na produção literária, a língua coloca-se a serviço da estética. A finalidade artística faz com que o escritor-artesão se valha do sistema lingüístico, que contém as potencialidades, no intuito de materializar, no texto escrito, todas as suas intenções. No manuseio virtual dos recursos a seu dispor, o artista da palavra ora encontra na norma a ferramenta que busca, ora afasta-se dela, desconstruindo-a. Em Lygia Bojunga, a oralidade é marca presente. A seleção vocabular, os sinais de pontuação, a estruturação sintática, os mecanismos de coesão trazem ao leitor a relação de intimidade que se estabelece entre o eu e o outro, o tom confessional ligado à exteriorização psíquica, fatores que determinam as escolhas, entre outros recursos explorados de tal maneira, que aguçam a atenção do leitor no tocante ao escrito. Ora confirmando a norma gramatical, ora estabelecendo um modelo peculiar de uso, o texto da autora sempre oferece espaço para reflexões acerca do indissociável elo formado por língua e literatura.

 

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