HOMENAGEADO DO II CILF & XX CNLF
aprendiz
Ferdinand Mongin de Saussure nasceu em Genebra em 26 de novembro de 1857, filho de um famoso naturalista. Aos 14 anos, influenciado por um amigo de seu pai, o filólogo Adolphe Pictet, iniciou-se no estudo do grego, latim e sânscrito.
Com apenas 21 anos, publicou a Mémoire sur le système primitif des voyelles dans les langues indo-européennes, em que apresentou sua tese sobre a existência de consoantes laringais no indo-europeu. Dois anos mais tarde, obteve seu doutorado na Universidade de Berlim. Posteriormente, propôs a teoria dos anagramas para explicar a versificação em obras poéticas latinas. Um dos grandes indo-europeístas de seu tempo, foi quem primeiro notou o esgotamento do método histórico-comparativo, o que o levou a desenvolver as bases do que viria a ser o estruturalismo no século 20.
O professor
Saussure foi professor em diversas universidades europeias (Leipzig, Berlim, Paris, Genebra) e, entre 1907 e 1911, ministrou alguns cursos que constituíram a base do que seria a obra seminal da Linguística moderna, o Curso de Linguística Geral, publicado postumamente em 1916 por seus discípulos Charles Bally e Albert Sechehaye, com a colaboração de Albert Riedlinger.
O curso
O livro Curso de Linguística Geral é, na verdade, uma compilação de textos dispersos de Saussure, incluindo fichas que usava em suas aulas, mais anotações feitas pelos próprios alunos.
O fato de o próprio Saussure não ter feito a redação definitiva da obra lançou ao longo do tempo questionamentos sobre se as ideias ali plantadas eram mesmo do mestre ou seriam interpretações, por vezes equivocadas, de seus alunos.
O livro revolucionou os estudos da linguagem e continua influenciando até os dias de hoje a pesquisa não só em linguística mas em muitas outras áreas, como a teoria literária, a antropologia e a psicanálise.
O cientista
Encarando a linguística como ramo de uma futura ciência mais geral dos signos, que ele chamou de semiologia, Saussure foi, com Charles Sanders Peirce, mas independentemente deste, um dos fundadores da semiótica.
O mérito de Saussure foi ter dado à ciência linguística um objeto e método próprios. Sua concepção do signo linguístico como entidade de duas faces, o significante e o significado, mostrou a grande distância que há entre a realidade e a linguagem que intenta descrevê-la. Isso representa uma revolução não só para os estudos de língua, mas para a própria filosofia e as ciências cognitivas, dadas as implicações existenciais dessa descoberta.
O teórico
A teoria de Saussure apoia-se em certas dicotomias que perpassam a estrutura das línguas, mostrando o que todas têm de comum e universal, malgrado suas infindáveis diferenças.
São elas a oposição entre língua e fala (depois acrescida pela noção de norma), entre sincronia e diacronia (hoje também se fala em pancronia), sintagma e paradigma, além da já mencionada dupla significante/significado.
Esta última é a base da teoria do valor, segundo a qual os elementos linguísticos não se definem senão em relação diferencial e negativa entre si dentro do sistema que é a língua, pois cada um só adquire valor na medida em que não é nenhum dos demais.
Dito de outro modo, cada elemento possui algo em comum e algo exclusivo em relação aos outros. É isso que os une a todos num sistema e distingue cada um. Consequentemente, nenhum elemento tem valor em si, mas só por oposição aos demais: todo elemento pode ser substituído por qualquer outro que desempenhe a mesma função. Logo, a língua é um sistema de valores, em que o todo é maior do que a soma das partes e cada parte só tem valor pela função que exerce dentro do conjunto.
O legado
"Palavras não são meras etiquetas vocais ou adjuntos comunicacionais sobrepostos a uma ordem já dada das coisas. São produtos coletivos da interação social, instrumentos essenciais pelos quais os seres humanos constituem e articulam o seu mundo. Esse ponto de vista da linguagem típico do século 20 influenciou o desenvolvimento de toda a gama das ciências humanas."
Roy Harris, Universidade de Oxford
Fonte: http://revistalingua.com.br/textos/fixos/o-centenario-de-saussure-295989-1.asp
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